Estamos há 14 anos do advento da "Escola Plural" e um dos seus pilares foi/é o trabalho por ciclo de idade de formação. Desde 1995, que todas as escolas da RME de BH deixaram de agrupar os alunos sob a lógica da seriação/repetência ao final de cada ano letivo.
Pois bem, desde essa época está em vigor, com uma ou outra alteração, a lógica do Ciclo de 3 anos de duração e de Formação (infância, pré-adolescência e adolescência) e, conforme esta organização os alunos deveriam ser agrupados seguindo-se os seguintes critérios: 1º Ciclo - alunos de 6/7 e 8/9 anos de idade - com uma retenção ao final do ciclo, para o aluno abaixo do nível mínimo de conhecimentos adquiridos durante os estudos do ciclo; 2º Ciclo - alunos de 9/10 e 11/12 anos de idade, com uma retenção ao final do ciclo para os alunos abaixo da média; 3º Ciclo - alunos de 12/13/14/15 anos de idade estando previsto, também neste ciclo, a possibilidade de retenção ao final do mesmo. Ou seja, caso o aluno seja retido por três vezes, ao final de cada ciclo cursado, ele encerrará o ensino fundamental, ou chegará ao final do 3º ciclo com 15 anos, correto? Não! Se ele ficar retido ao final de cada um dos 3 ciclos de formação, encerrá o ensino fundamental aos 17 anos.
Minha turma atual, composta por um total de 28 alunos está subdividida da seguinte forma: 2 alunos de 14 anos, 10 alunos de 13 anos, 11 alunos de 12 anos e 5 alunos de 11 anos. Trabalho com meninos e meninas no início da pré-adolescência e meninos e meninas já adolescentes.
Isso pode parecer de menor importância, mas no dia-a-dia do trabalho com eles, faz toda a diferença: no aspecto físico, na maturidade e no comportamento; há uma heterogeneidade tão acentuada entre eles, que torna o trabalho pedagógico pesado, tenso e de expectativa frustrante já no início do ano letivo. São questões pedagógicas, (defasagens de toda ordem) familiares,(desestrutura, rejeição, abandono) econômicas,(desemprego, baixa renda, só o "Bolsa Família" como recurso) culturais, (o mundo deles e seus valores são outros, não "batem" com os valores difundidos pela escola, por exemplo: justiça, responsabilidade, valor do estudo, honestidade, etc) . Também há problemas sérios na ordem da saúde orgânica (dor de dente, anemia, verminose, raquitismo, dentre outros) e de saúde emocional: dispersão, desinteresse, apatia, hiper-atividade, depressão, uso de drogas...
Trabalhar nessas condições é muito difícil; é quase um milagre percebermos que apesar de tudo há aprendizagem, há progresso pedagógico, há sucesso escolar, para muitos deles!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Novos Alunos
Hoje tive um primeiro contato com meus novos alunos. São ao todo 28, idades variando entre 11/14 anos; alguns muito pequenos e franzinos para a idade, outros fisicamente já pré-adolescentes e adolescentes. Encontrei-me com eles na quadra, pois sabia de antemão que seriam meus alunos. Ali mesmo fiz uma checagem alunos/lista que tinha em mãos. Subimos. A sala já estava organizada por mim, para que se sentassem em grupos de quatro. Apresentei-me a eles, e eles também se apresentaram a mim. Todos já se conhecem. Estão juntos, na mesma turma, desde o pré-escolar.
Conversamos sobre nossas (minhas e deles) expectativas para este ano letivo; mostrei-lhes os livros didáticos que usaremos e como serão os estudos da 5ª série ( 3º ano do 2º Ciclo, para eles ).
Realizamos um teste sondagem de "Língua Portuguesa" - habilidades já consolidadas, ou não, em fluência em leitura em voz alta. Realizamos também um "Ditado" de um pequeno trecho do texto lido em voz alta, para os primeiros levantamentos das questões ortográficas a serem trabalhadas. Nenhum aluno lembrou-se de perguntar ou comentar a respeito do "acordo ortográfico" dos países de Língua Portuguesa, em vigor desde 1º de janeiro...
Fizemos ainda um levantamento da percepção dos alunos quanto a presença da "Matemática" do cotidiano, estampada diariamente nos jornais, por exemplo. Trabalhamos com textos, ou partes de textos de matérias veiculadas no jornal "O TEMPO" do mês de janeiro. Pedi a eles que fizessem uma leitura do material recebido e que identificassem nele a presença da "Matemática"- medidas (tempo, valor monetário, perímetro, área ); números (quantidades várias ) ;números ( ordinais, cardinais, racionais ); espacialidade; tratamento das informações em tabelas e gráficos.
Eles gostaram da atividade, participaram, mas demonstraram dificuldade para relacionar a informação propriamente dita aos números e símbolos matemáticos presentes.
No último horário saíram felizes para a aula de Educação Física, que eles amam! Eu, encontrei-me com minhas novas colegas de grupo, para as primeiras considerações a respeito do trabalho a ser realizado por nós com nossas turmas. Estou animada.
Conversamos sobre nossas (minhas e deles) expectativas para este ano letivo; mostrei-lhes os livros didáticos que usaremos e como serão os estudos da 5ª série ( 3º ano do 2º Ciclo, para eles ).
Realizamos um teste sondagem de "Língua Portuguesa" - habilidades já consolidadas, ou não, em fluência em leitura em voz alta. Realizamos também um "Ditado" de um pequeno trecho do texto lido em voz alta, para os primeiros levantamentos das questões ortográficas a serem trabalhadas. Nenhum aluno lembrou-se de perguntar ou comentar a respeito do "acordo ortográfico" dos países de Língua Portuguesa, em vigor desde 1º de janeiro...
Fizemos ainda um levantamento da percepção dos alunos quanto a presença da "Matemática" do cotidiano, estampada diariamente nos jornais, por exemplo. Trabalhamos com textos, ou partes de textos de matérias veiculadas no jornal "O TEMPO" do mês de janeiro. Pedi a eles que fizessem uma leitura do material recebido e que identificassem nele a presença da "Matemática"- medidas (tempo, valor monetário, perímetro, área ); números (quantidades várias ) ;números ( ordinais, cardinais, racionais ); espacialidade; tratamento das informações em tabelas e gráficos.
Eles gostaram da atividade, participaram, mas demonstraram dificuldade para relacionar a informação propriamente dita aos números e símbolos matemáticos presentes.
No último horário saíram felizes para a aula de Educação Física, que eles amam! Eu, encontrei-me com minhas novas colegas de grupo, para as primeiras considerações a respeito do trabalho a ser realizado por nós com nossas turmas. Estou animada.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Começar de novo
Retorno à escola no dia 02 de fevereiro, dia escolar, sem aluno. Estarão presentes professores, direção, coordenação pedagógica e funcionários. Nesse dia faremos o planejamento das atividades pedagógicas a serem desenvolvidas com os alunos durante o ano letivo de 2009. Ou seja, dispomos de 4h30min do dia 2/02, para definir metas, objetivos, projetos; delimitar procedimentos e priorizar capacidades a serem desenvolvidas com os alunos de 6 a 12 anos de idade.
Nosso calendário escolar, definido previamente pela PBH, não prevê dias de formação continuada, de encontros pedagógicos e nem dias de planejamento dos trabalhos escolares. Faremos isso, como sempre, nas brechas do horário de trabalho - 1h diária para cada professor - porém sem a chance do momento adequado, com tranquilidade para a pesquisa e/ou a avaliação mais acurada dos trabalhos dos alunos.
Tenho lido nos jornais locais de que a "Escola Plural" sofrerá mudanças do tipo: "boletim escolar constando de notas e não de conceitos, após avaliação formal dos conteúdos trabalhados com o aluno"; "aulas de recuperação ao final do ano letivo, para o aluno que não alcançar o mínimo desejável, durante o processo de ensino/aprendizagem"; "retenção do aluno, ao final do ano letivo e, após recuperação, caso não demonstre um nível desejável de aprendizagem"...
Sabe há quando estamos retrocedendo? Há 1994. Até essa época, tudo o que a PBH vem anunciando como "mudança"era fato, era norma nas escolas da RME. O que resta hoje do chamado "Projeto Político Pedagógico da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte - Escola Plural" é somente esse nome pomposo e, infelizmente, uma geração de alunos mal formados e que carregam em seus "Históricos Escolares" a marca: "Escola Plural" . Pejorativa, desgastada e de tristes lembranças.
De quem é a culpa? Ninguém responderá por esse engodo chamado "Escola Plural"?
Nosso calendário escolar, definido previamente pela PBH, não prevê dias de formação continuada, de encontros pedagógicos e nem dias de planejamento dos trabalhos escolares. Faremos isso, como sempre, nas brechas do horário de trabalho - 1h diária para cada professor - porém sem a chance do momento adequado, com tranquilidade para a pesquisa e/ou a avaliação mais acurada dos trabalhos dos alunos.
Tenho lido nos jornais locais de que a "Escola Plural" sofrerá mudanças do tipo: "boletim escolar constando de notas e não de conceitos, após avaliação formal dos conteúdos trabalhados com o aluno"; "aulas de recuperação ao final do ano letivo, para o aluno que não alcançar o mínimo desejável, durante o processo de ensino/aprendizagem"; "retenção do aluno, ao final do ano letivo e, após recuperação, caso não demonstre um nível desejável de aprendizagem"...
Sabe há quando estamos retrocedendo? Há 1994. Até essa época, tudo o que a PBH vem anunciando como "mudança"era fato, era norma nas escolas da RME. O que resta hoje do chamado "Projeto Político Pedagógico da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte - Escola Plural" é somente esse nome pomposo e, infelizmente, uma geração de alunos mal formados e que carregam em seus "Históricos Escolares" a marca: "Escola Plural" . Pejorativa, desgastada e de tristes lembranças.
De quem é a culpa? Ninguém responderá por esse engodo chamado "Escola Plural"?
domingo, 4 de janeiro de 2009
Férias
Estou de "Férias". Fico em casa. Tenho lido, coisa de que gosto de fazer. Além de jornais e revistas já li "Saramago" - Ensaio Sobre a Cegueira. Não sei por quê, mas ao ler "Ensaio sobre a Cegueira" lembrei-me de Machado de Assis, "Papéis Avulsos" - "O Alienista" e de um livro que li ainda adolescente sobre "As Viagens de Gulliver" de Jonathan Swift. Numa dessas viagens Gulliver chega a ilha de Luggnagg. Lá viviam os struldbruggs ou os imortais, era onde todos tinham vida eterna, porém envelheciam. Ao envelhecer sofriam todas as mazelas do corpo e da alma inerentes ao próprio envelhecer. Pretendo reler essas obras e conferir por que Saramago me remeteu a elas.
Tenho acompanhado, também, pelos jornais, os movimentos do novo prefeito da capital. Interessa-me, particularmente, as ações a respeito da educação municipal. Até agora, pelo que li e ouvi, nada muda; a ordem é continuar a mesma política educacional implementada pelo prefeito anterior. Que pena!
Estou relendo a proposta curricular para a "Rede Municipal" e, com mais vagar, tentando transformar aquelas ideias e proposições em aulas concretas, exequíveis e, ao mesmo tempo, interessantes, criativas, lúdicas, desafiadoras, motivadoras para os alunos. Ufa! Como é difícil. Tudo o que penso, tudo o que pesquiso envolve debates, leitura, escrita, pesquisa, apresentação oral e sistematização do conhecimento via registro escrito e fala. E isso é tudo o que os alunos não querem. Eles se recusam a ler - seja em livros, jornais, revistas ou na tela - ; eles se recusam a registrar sistematizadamente o estudo feito; recusam-se a participar com interesse de qualquer aula que envolva o debate, a argumentação, o respeito à vez do outro de expor suas ideias.
Todos querem falar, mas ninguém quer ouvir. Todos têm opinião formada sobre qualquer assunto, mas ninguém quer modificar o que pensa em favor de uma outra argumentação melhor elaborada ou que traga novos olhares a respeito do tema em pauta.Todos solicitam o professor para si, mas não têm paciência de ouvi-lo numa explanação coletiva.
O que impera em uma sala de aula atual é o barulho das conversas paralelas e desconectadas do tema em questão desenvolvido pelo professor.
O que impera, infelizmente, é a agressividade de uns para com os outros; é a falta de interesse pelos estudos de um modo geral...
Tenho acompanhado, também, pelos jornais, os movimentos do novo prefeito da capital. Interessa-me, particularmente, as ações a respeito da educação municipal. Até agora, pelo que li e ouvi, nada muda; a ordem é continuar a mesma política educacional implementada pelo prefeito anterior. Que pena!
Estou relendo a proposta curricular para a "Rede Municipal" e, com mais vagar, tentando transformar aquelas ideias e proposições em aulas concretas, exequíveis e, ao mesmo tempo, interessantes, criativas, lúdicas, desafiadoras, motivadoras para os alunos. Ufa! Como é difícil. Tudo o que penso, tudo o que pesquiso envolve debates, leitura, escrita, pesquisa, apresentação oral e sistematização do conhecimento via registro escrito e fala. E isso é tudo o que os alunos não querem. Eles se recusam a ler - seja em livros, jornais, revistas ou na tela - ; eles se recusam a registrar sistematizadamente o estudo feito; recusam-se a participar com interesse de qualquer aula que envolva o debate, a argumentação, o respeito à vez do outro de expor suas ideias.
Todos querem falar, mas ninguém quer ouvir. Todos têm opinião formada sobre qualquer assunto, mas ninguém quer modificar o que pensa em favor de uma outra argumentação melhor elaborada ou que traga novos olhares a respeito do tema em pauta.Todos solicitam o professor para si, mas não têm paciência de ouvi-lo numa explanação coletiva.
O que impera em uma sala de aula atual é o barulho das conversas paralelas e desconectadas do tema em questão desenvolvido pelo professor.
O que impera, infelizmente, é a agressividade de uns para com os outros; é a falta de interesse pelos estudos de um modo geral...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Senha do Mundo
"A Senha do Mundo" é o título de uma das obra de Carlos Drummond de Andrade que compõe a "Coleção Verso na Prosa/ Prosa no Verso" da Editora Record, Rio de Janeiro,1997.
No livro citado, encontramos poemas agrupados em títulos/versos sugestivos, que com eles guardam, não por acaso, estreita relação. Assim, temos em "Compridas Histórias que não Acabam Mais", os poemas: Mulinha, Primeiro automóvel, Infância, Lagoa e Cortesia. Em "Mundo Estreito", temos: Marinheiro, Banho de bacia, Revolta, Esplendor e Declínio da Rapadura, Certas palavras, Brincar na rua e Os grandes. Em "Mais do que um Tesouro" estão os poemas: O doce, Suas mãos, Poema culinário, Tabuleiro e Fruta furto. E, fechando a obra vêm os poemas que dão nome ao livro "A SENHA DO MUNDO". São eles:Distinção, Professor e Palavra mágica.
Ao final do livro há uma biografia de Drummond adaptada ao público infanto-juvenil, o destinatário da Coleção.
Nada mais adequado, a meu ver, do que esta obra, para se introduzir o leitor pré-adolescente ou adolescente no mundo literário de peso como o de Drummond...
Encerrei o ano letivo de 2008, numa solenidade formal em que me despedia de meus, agora ex-alunos, sob a influência destes poemas de Drummond e principalmente do título "A Senha do Mundo".
Para mim, a palavra é a senha do mundo; ela é o aceno, é o sinal; é o gesto ou sinal combinado entre pessoas para se entenderem; é a fórmula convencionada com que alguém indica estar ciente do segredo de certa ação; é a cadeia de caracteres que autoriza o acesso aos segredos disponíveis somente àqueles que a conhecem por meio destes.
A palavra é a senha que autoriza a entrada ao mundo do conhecimento e, conseqüentemente, ao domínio do mundo; quem conhece sabe e quem sabe domina e se liberta, porque sabe do mundo...
Nós, professores, temos essa chave e devemos transferi-la aos nossos alunos, sempre.
No livro citado, encontramos poemas agrupados em títulos/versos sugestivos, que com eles guardam, não por acaso, estreita relação. Assim, temos em "Compridas Histórias que não Acabam Mais", os poemas: Mulinha, Primeiro automóvel, Infância, Lagoa e Cortesia. Em "Mundo Estreito", temos: Marinheiro, Banho de bacia, Revolta, Esplendor e Declínio da Rapadura, Certas palavras, Brincar na rua e Os grandes. Em "Mais do que um Tesouro" estão os poemas: O doce, Suas mãos, Poema culinário, Tabuleiro e Fruta furto. E, fechando a obra vêm os poemas que dão nome ao livro "A SENHA DO MUNDO". São eles:Distinção, Professor e Palavra mágica.
Ao final do livro há uma biografia de Drummond adaptada ao público infanto-juvenil, o destinatário da Coleção.
Nada mais adequado, a meu ver, do que esta obra, para se introduzir o leitor pré-adolescente ou adolescente no mundo literário de peso como o de Drummond...
Encerrei o ano letivo de 2008, numa solenidade formal em que me despedia de meus, agora ex-alunos, sob a influência destes poemas de Drummond e principalmente do título "A Senha do Mundo".
Para mim, a palavra é a senha do mundo; ela é o aceno, é o sinal; é o gesto ou sinal combinado entre pessoas para se entenderem; é a fórmula convencionada com que alguém indica estar ciente do segredo de certa ação; é a cadeia de caracteres que autoriza o acesso aos segredos disponíveis somente àqueles que a conhecem por meio destes.
A palavra é a senha que autoriza a entrada ao mundo do conhecimento e, conseqüentemente, ao domínio do mundo; quem conhece sabe e quem sabe domina e se liberta, porque sabe do mundo...
Nós, professores, temos essa chave e devemos transferi-la aos nossos alunos, sempre.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Falta a figura masculina
O ensino fundamental caracteriza-se por ser ministrado basicamente por mulheres, e, em BH, não é diferente. Percebe-se maior presença masculina somente ao final do ensino básico (antigas 6ª, 7ª e 8ª séries ou o atual 3º Ciclo de Formação).
Para complicar ainda mais a situação sabe-se que as famílias pobres brasileiras estão sendo levadas adiante e a duras penas, pelas mães e/ou avós; os pais "dão no pé" ao primeiro problema surgido ou nem chegam a assumir o filho.
É comum em sala de aula, ao preencher qualquer questionário ou cadastro sócio-econômico, a criança não marcar nenhuma informação referente ao pai, pelo simples fato de que ele não existe em sua vida. Portanto, cresce e é educada, tanto em casa, quanto na escola, com um mínimo de referência paterna e/ou masculina.
Muitas mães, heroicamente, conseguem desempenhar os dois papéis ( de pai/mãe ) - autoridade, proteção; aconchego, carinho. Estas resguardam seus filhos, bem ou mal, desse déficit da figura masculina. Vale lembrar também que algumas crianças encontram em tios, avós, primos e até mesmo em vizinhos uma referência de pai .
Mas nem sempre isso se dá com todos, e comumente o reflexo dessa falta se materializa na escola na forma de rebeldia, agressividade, falta de limite, revolta, tristeza, depressão.
Não existe mais "O Dia dos Pais" em muitas escolas. Os alunos, geralmente os meninos, não aceitam esse assunto como pauta de estudo ou debate.
Quase todas as vezes que nos deparamos com crianças muito rebeldes, ou deprimidas e investigamos suas vidas,encontramos um comportamento similar com as próprias mães. Elas chegam a nos dizer literalmente: _Não dou conta do meu filho; ele não me obedece; não sei o que fazer... Bota ele de castigo, professora; deixa sem recreio, sem merenda; sem Educação Física... São algumas das soluções que nos dão.
Percebe-se freqüentemente que o aluno ou a aluna que não lidam bem com a mãe ou com os familiares, também não aceita as normas da escola ou da sala de aula. É evidente que o fato de não conviverem com o pai, não explica todos os problemas detectados na vida escolar de uma criança, mas creio que deve contribuir e muito para que eles existam.
Por tudo isso, penso que a predominância da figura feminina, principalmente nos primeiros anos de estudos da criança, não enriquece, nesse aspecto, a sua educação, pois repete-se aí o mesmo discurso, a mesma visão e a mesma forma de se relacionar com o mundo experimentada em casa, a partir da educação dada pela mãe.
Então, o resultado disso tudo é que se não há respeito pela mãe, também não haverá respeito pela professora. Pois ambas potencializam na criança, penso eu, um comportamento mais introspectivo, menos arrebatado, mais castrador, menos arrojado. Então esta se recente disso e não se coloca na vida sob o modelo masculino de ser, visto que o mesmo lhe faltou como alimento emocional e no momento crucial do seu crescimento pessoal, humano, psicológico e social.
Vale pensar a respeito. O que você me diz?
Para complicar ainda mais a situação sabe-se que as famílias pobres brasileiras estão sendo levadas adiante e a duras penas, pelas mães e/ou avós; os pais "dão no pé" ao primeiro problema surgido ou nem chegam a assumir o filho.
É comum em sala de aula, ao preencher qualquer questionário ou cadastro sócio-econômico, a criança não marcar nenhuma informação referente ao pai, pelo simples fato de que ele não existe em sua vida. Portanto, cresce e é educada, tanto em casa, quanto na escola, com um mínimo de referência paterna e/ou masculina.
Muitas mães, heroicamente, conseguem desempenhar os dois papéis ( de pai/mãe ) - autoridade, proteção; aconchego, carinho. Estas resguardam seus filhos, bem ou mal, desse déficit da figura masculina. Vale lembrar também que algumas crianças encontram em tios, avós, primos e até mesmo em vizinhos uma referência de pai .
Mas nem sempre isso se dá com todos, e comumente o reflexo dessa falta se materializa na escola na forma de rebeldia, agressividade, falta de limite, revolta, tristeza, depressão.
Não existe mais "O Dia dos Pais" em muitas escolas. Os alunos, geralmente os meninos, não aceitam esse assunto como pauta de estudo ou debate.
Quase todas as vezes que nos deparamos com crianças muito rebeldes, ou deprimidas e investigamos suas vidas,encontramos um comportamento similar com as próprias mães. Elas chegam a nos dizer literalmente: _Não dou conta do meu filho; ele não me obedece; não sei o que fazer... Bota ele de castigo, professora; deixa sem recreio, sem merenda; sem Educação Física... São algumas das soluções que nos dão.
Percebe-se freqüentemente que o aluno ou a aluna que não lidam bem com a mãe ou com os familiares, também não aceita as normas da escola ou da sala de aula. É evidente que o fato de não conviverem com o pai, não explica todos os problemas detectados na vida escolar de uma criança, mas creio que deve contribuir e muito para que eles existam.
Por tudo isso, penso que a predominância da figura feminina, principalmente nos primeiros anos de estudos da criança, não enriquece, nesse aspecto, a sua educação, pois repete-se aí o mesmo discurso, a mesma visão e a mesma forma de se relacionar com o mundo experimentada em casa, a partir da educação dada pela mãe.
Então, o resultado disso tudo é que se não há respeito pela mãe, também não haverá respeito pela professora. Pois ambas potencializam na criança, penso eu, um comportamento mais introspectivo, menos arrebatado, mais castrador, menos arrojado. Então esta se recente disso e não se coloca na vida sob o modelo masculino de ser, visto que o mesmo lhe faltou como alimento emocional e no momento crucial do seu crescimento pessoal, humano, psicológico e social.
Vale pensar a respeito. O que você me diz?
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Pré-adolescentes-adultos
Estou de férias. Ontem tive o último contato com meus alunos e hoje com alguns de seus pais, digo, de suas mães. Minha escola trabalha com alunos de até 12 anos, final do 2º Ciclo; para dar continuidade a seus estudos, são encaminhados a outra escola municipal da região, quando concluem o ensino fundamental, fazendo o 3º Ciclo de Formação.
Na segunda feira realizamos uma solenidade mais formal no auditório da escola para as turmas do final do ciclo que se despediam, a minha inclusa, e, na cantina, após essa solenidade, um lanche com doces, refrigerantes e salgadinhos. Nem todos os meus alunos participaram. Chovia muito e eles preferiram ficar em casa. Aqueles presentes estavam alegres, felizes mesmos; fizeram bonito, comportaram-se adequadamente tanto no auditório quanto na cantina; são aprendizagens de convivência social que somente nestas oportunidades podemos avaliar e nos sentirmos felizes com o amadurecimento deles.
Hoje havia a expectativa do último contato com os pais. Preparei gráficos demonstrando a evolução pedagógica da turma ao longo do ano letivo ; fiz um pacote contendo as avaliações de Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências; o Boletim Escolar, uma tabela de notas e conceitos da turma ( onde os pais têm uma visão dos resultados do filho e de cada um dos colegas dele ) na mesma tabela; uma mensagem pessoal de "Feliz Natal" para cada aluno e uma lembrancinha.
Às 8h30min, horário marcado para início da reunião, contava com uma pessoa que se dizia tia de um dos meus alunos e um pai que chegou a seguir. Essa "tia" estava apressada e me perguntou se eu iria falar alguma coisa na reunião; queria só pegar o pacote do sobrinho e ir embora.
Foi um "balde d'água fria"na minha ansiedade! Prepara-me para dizer umas palavras finais aos pais, fazer algumas recomendações, pedir-lhes que não deixassem de incentivar os filhos nos estudos, que os acompanhassem, que lhes dessem apoio, etc, etc, etc...Mas não pude fazer nada disso. Os pais, modo de dizer, as mães, as que compareceram, chegaram aos poucos, todas apressadas... Desisti de falar-lhes, limitei-me a entregar-lhes o pacote de provas e pedir-lhes para assinarem a lista de presença. Aquelas que se mostravam um pouco mais calmas e puxavam algum assunto recebiam de mim a atenção devida, mas sem entusiasmo. Havia um pedido da escola para que avaliassem, por escrito, os trabalhos desenvolvidos com sugestões de melhoras; alguns preencheram essa ficha. No mais, entreguei o restante das provas aos alunos mesmos, aqueles que compareceram, sem os seus familiares. Pedi-lhes que assinassem a lista de presença pelos pais, já que os mesmos abriram mão dessa responsabilidade. Os alunos estranhavam e perguntavam: _ Fessôra, eu posso assinar no lugar da minha mãe?! E eu lhes dizia: _ Não, você vai assinar o seu nome como aluno e por sua mãe ( P/mãe).
Essa foi a última lição deles sob minha responsabilidade: quando os pais deixam de cumprir uma tarefa que é deles, não resta outra saída ao filho do que fazer por eles! É assim que muitos se tornam "adultos" antes da hora.
Segundo o colunista Cláudio de Moura e Castro em seu artigo na edição de Veja dessa semana, os pais dos alunos alunos pobres não valorizam o estudo dos filhos e pouco se importam se estes passam de ano tendo aprendido o que lhes foi ensinado, ou não. Tanto faz. O estudo não é um valor em suas vidas.
É uma pena que seja assim, mas constato esse fato todos os dias, com raras exceções.
Na segunda feira realizamos uma solenidade mais formal no auditório da escola para as turmas do final do ciclo que se despediam, a minha inclusa, e, na cantina, após essa solenidade, um lanche com doces, refrigerantes e salgadinhos. Nem todos os meus alunos participaram. Chovia muito e eles preferiram ficar em casa. Aqueles presentes estavam alegres, felizes mesmos; fizeram bonito, comportaram-se adequadamente tanto no auditório quanto na cantina; são aprendizagens de convivência social que somente nestas oportunidades podemos avaliar e nos sentirmos felizes com o amadurecimento deles.
Hoje havia a expectativa do último contato com os pais. Preparei gráficos demonstrando a evolução pedagógica da turma ao longo do ano letivo ; fiz um pacote contendo as avaliações de Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências; o Boletim Escolar, uma tabela de notas e conceitos da turma ( onde os pais têm uma visão dos resultados do filho e de cada um dos colegas dele ) na mesma tabela; uma mensagem pessoal de "Feliz Natal" para cada aluno e uma lembrancinha.
Às 8h30min, horário marcado para início da reunião, contava com uma pessoa que se dizia tia de um dos meus alunos e um pai que chegou a seguir. Essa "tia" estava apressada e me perguntou se eu iria falar alguma coisa na reunião; queria só pegar o pacote do sobrinho e ir embora.
Foi um "balde d'água fria"na minha ansiedade! Prepara-me para dizer umas palavras finais aos pais, fazer algumas recomendações, pedir-lhes que não deixassem de incentivar os filhos nos estudos, que os acompanhassem, que lhes dessem apoio, etc, etc, etc...Mas não pude fazer nada disso. Os pais, modo de dizer, as mães, as que compareceram, chegaram aos poucos, todas apressadas... Desisti de falar-lhes, limitei-me a entregar-lhes o pacote de provas e pedir-lhes para assinarem a lista de presença. Aquelas que se mostravam um pouco mais calmas e puxavam algum assunto recebiam de mim a atenção devida, mas sem entusiasmo. Havia um pedido da escola para que avaliassem, por escrito, os trabalhos desenvolvidos com sugestões de melhoras; alguns preencheram essa ficha. No mais, entreguei o restante das provas aos alunos mesmos, aqueles que compareceram, sem os seus familiares. Pedi-lhes que assinassem a lista de presença pelos pais, já que os mesmos abriram mão dessa responsabilidade. Os alunos estranhavam e perguntavam: _ Fessôra, eu posso assinar no lugar da minha mãe?! E eu lhes dizia: _ Não, você vai assinar o seu nome como aluno e por sua mãe ( P/mãe).
Essa foi a última lição deles sob minha responsabilidade: quando os pais deixam de cumprir uma tarefa que é deles, não resta outra saída ao filho do que fazer por eles! É assim que muitos se tornam "adultos" antes da hora.
Segundo o colunista Cláudio de Moura e Castro em seu artigo na edição de Veja dessa semana, os pais dos alunos alunos pobres não valorizam o estudo dos filhos e pouco se importam se estes passam de ano tendo aprendido o que lhes foi ensinado, ou não. Tanto faz. O estudo não é um valor em suas vidas.
É uma pena que seja assim, mas constato esse fato todos os dias, com raras exceções.
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