segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Retorno ao trabalho

Semana que vem, dia 01 de fevereiro, retornarei ao meu trabalho. Ainda não me sinto totalmente recuperada da cirurgia de ombro que fiz, mas como sou canhota, penso que poderei trabalhar, mesmo que sentindo dor e com alguma limitação de movimentos do braço e ombro direitos. Meu médico disse-me que já que eu desejo retornar ao trabalho, talvez isso ajude na minha recuperação total.
Estou afastada desde setembro de 2010. Tive pouquíssimos contatos, desde então, com minha escola. Não sei como se deu o encerramento do ano letivo e muito menos com se planejou o retorno para 2011. Voltarei "no escuro"...
Digo isso, porque é no final de cada ano letivo que se delineia como será o seu ano seguinte: que turma lhe será confiada, em que área de trabalho você atuará, quem do grupo atuará na coordenação pedagógica, visto que há vaga para que um dos professores, se eleito for por seus pares, atue como coordenador pedagógico, ficando, dessa forma, fora da regência de turma.
Provavelmente serei encaixada em uma das turmas do 6º ano. Gosto de trabalhar com os alunos de 11/12 anos e meus colegas sabem disso. Então, de certo modo, estou preparada para receber uma turma do 6º ano.
Minha expectativa é grande. Estou com saudades do meu trabalho, de ter uma atividade fora de casa, de ter contato com meus colegas, de encarar novamente, o ser professora, mesmo sabendo das possíveis e enormes dificuldades que certamente virão: alunos com severas defasagens de conteúdos, desorganização pedagógica da escola, indisciplina dos alunos, falta de apoio dos pais, indecisão minha, não saber como agir, como conduzir meu trabalho diante de tantas variáveis fora do padrão, fora do esperado, fora do necessário a um trabalho pedagógico eficiente e condizente com a faixa etária dos alunos.
Enfim, vamos lá! Estou contente de poder retornar.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Reencontros

Semana passada recebi um telefonema que me levou a uma viagem boa e inesperada. Uma colega da minha antiga escola , (onde fui "Coordenadora Pedagógica", por enquadramento na função e "Diretora Eleita" por um período de quatro anos) convidou-me para participar de uma solenidade de entrega de medalhas a vários alunos dessa escola, por terem participado, em 2010, da "Olimpíada da Astronomia". Trabalhei nessa escola no período de 1977 a 1999. Saí  de lá porque aposentei-me.
Porém, em 1995, fiz um novo concurso para a função de "Professor Municipal", tomei posse em 08 de março e é por isso que continuo atuando até o momento, em outra escola da Rede Municipal de Ensino.
Pois bem, a professora-colega-amiga da escola antiga convidou-me, cheia de entusiasmo, a participar da solenidade de entrega de medalhas. Fui até lá, é lógico; infelizmente não pude participar de toda a solenidade porque já tinha assumido um compromisso anterior do qual não pude me desvencilhar.
No entanto, o pouco tempo em que estive com ela e com algumas outras colegas, transportaram-me para um tempo em que fui muito ativa na escola, sempre envolvida em projetos pedagógicos interessantes e dos quais , no momento,  ando bastante afastada.
Senti saudade da profissional que já fui, do entusiasmo que já tive e da minha capacidade de realização. Eu era o elemento motivador da escola. Fazia uma coordenação pedagógica democrática, porém buscava formas de envolver os professores numa rotina pedagógica voltada para a eficiência no trabalho. Priorizáva-mos os conteúdos básicos, fundamentais ao desempenho dos alunos não só naquele ano escolar ao qual estavam atrelados, mas e principalmente trabalhávamos, conscientemente, com uma seleção de conteúdos necessários aos estudos subsequentes.
Além do trabalho específico da sala de aula, investíamos, também, nas aprendizagens extra-classe: excursões a museus, parques, teatros e cinemas; apresentações de auditório, onde comemorávamos algumas datas significativas durante o ano letivo, tais como: Carnaval, semana santa, dia internacional da mulher, dia do índio, Tiradentes e descobrimento do Brasil e outras.
Fazíamos avaliações formais dos conteúdos bimestralmente, pautadas por um planejamento. Baseadas no desenvolvimento dele, pelas professoras em sala de aula, é que as avaliações eram elaboradas e aplicadas igualmente em todas as turmas das respectivas séries de ensino. Posteriormente, em reuniões com os professores, avaliávamos os resultados dos alunos e fazíamos as correções de rumo necessárias.
Era um trabalho bem organizado, consciente e que nos levou, em menos de dez anos, de um índice de mais de 50% de alunos repetentes nas séries iniciais a pouco menos de 20% de retenção, entre alunos de 7 anos. A escola passou a ter até o final de 94/95, um fluxo normal de alunos. Ou seja, entravam oito turmas de primeira série e saíam de 6 a 7 turmas de 4ª série. Isso implicava em um índice de reprovação baixíssimo para os padrões da época.
Pois bem, em 95/96 a Prefeitura de Belo Horizonte implantou a Nova Política Educacional do Município denominada "Escola Plural". Nivelou por baixo todas as escolas da rede; desconsiderou todas aquelas que apresentavam altos índices de aprovação dos alunos e de eficiência pedagógica; desconsiderou todas as escolas da Rede que tinham seus "Projetos Políticos Pedagógicos" aprovados pela Secretaria Municipal de Educação. Colocaram todas as 127 escolas municipais no mesmo saco e aniquilaram com o ânimo, com o entusiasmo, com o trabalho arduamente construído e conquistado pelos profissionais da rede que atuavam naquelas escolas de vanguarda, dentre elas, digo com orgulho, a minha: meu primeiro e antigo local de trabalho em educação.
Por tudo isso, o convite recebido suscitou em mim todas essas lembranças...
Lembrança de um tempo em que o meu ofício era também a minha maior fonte de entusiasmo com a vida.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quinquagésimo Segundo Dia

Hoje faz cinquenta e dois dias que estou em casa, de licença médica, devido a uma cirurgia  de reconstituição do tendão do ombro direito, realizada no hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte.
Tenho pensado que somadas todas as dores que já senti ao longo dos meus 56 anos, não há equivalência às dores que venho sentindo, ininterruptamente, desde o dia da cirurgia e logo após o efeito da anestesia de bloqueio feita no braço/ombro operados. É uma dor de aperto de parafuso em carne viva, ou de torniquete permanente, no órgão doente.
Voltei ao médico responsável pela cirurgia para uma avaliação do procedimento e, todas as vezes, ouvi dele  que "era assim mesmo, o pós-cirúrgico era doloroso e que tudo estava ocorrendo dentro do previsto".
Iniciei o procedimento de fisioterapia no 33º dia após o ato cirúrgico e tome mais dor; fiz, chorando, os primeiros movimentos, sob a orientação da fioterapeuta.
Como se não bastasse, não aguento mais ficar em casa, inativa; quero trabalhar, quero meus alunos, quero o fervedouro da sala de aula, quero não "ver" o tempo passar...
Vivo uma rotina provavelmente desejada por muitos: acordar sem hora para levantar, tomar com calma o café da manhã, ver os jornais da televisão, ler os jornais diários no papel ou on line; almoçar, descansar após o almoço, fazer fisioterapia à tarde, ver as novelas da noite, ver o noticiário da televisão, jantar, dormir, (se a dor no braço permitisse) acordar...
Isso tudo é muito bom quando à essa rotina associam-se  boa saúde e trabalho prazeroso; caso contrário, ver mais um dia chegar e passar torna-se um tormento. É esse tormento que tenho vivido e, por isso, estou fazendo de tudo, estou seguindo à risca as orientações médicas e da fisioterapeuta, para me recuperar integralmente, pois sinto que ainda tenho muita energia para gastar no meu trabalho e nas minhas atividades sociais.
Me aguardem.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pode?!

Hoje recebi pela manhã um telefonema da vice-diretora da escola onde trabalho. Ela queria saber se eu estava me comunicando com os meus alunos pelo MSN e colocando-os contra a professora que está me substituindo. Estou em licença médica, por causa de uma cirurgia no ombro, que fiz em final de setembro.
Confesso que enquanto a ouvia, não acreditava no que estava ouvindo!
Sou professora na escola há 16 anos. Há trinta e quatro trabalho na RME;fui supervisora pedagógica por 17 anos, diretora de escola por 4 anos e, nos últimos 16 anos sou professora de alunos pré-adolescentes. Só trabalho com essa faixa etária e, por isso, já me considero uma especialista  em pré-adolescentes. Eles são, no geral, inquietos , espertos, questionadores; gostam de estudar, mas não aceitam qualquer trabalho; testam os professores, mas apreciam a disciplina objetiva e o professor que tem manejo de classe.
Não gostam e não aceitam ser injustiçados por atos cometidos em sala de aula, o que exige do professor atenção permanente às atitudes de todos. Assim, quando são chamados a atenção com veemência pelo professor, entendem e não se sentem ofendidos.
Caso contrário, "o bicho pega".
Pelo que eu entendi, é o que vem acontecendo com minha turma.
E a direção administrativa e pedagógica da  escola não só não está sabendo lidar com a situação, como acha que eu, em casa e em difícil e dolorosa recuperação de uma cirurgia de reconstituição de tendão, vou me dar à falta de ética profissional de entrar em contato com meus alunos, por qualquer meio de comunicação que seja, para insuflá-los contra a professora que está me substituindo...
Pode uma coisa dessa?!
Nessa altura do campeonato e da minha vida profissional...
Eu mereço!!!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dor e Decepção

Hoje faz trinta dias da cirurgia do ombro direito que fiz. Estou sentindo muita dor. Fui ao médico, ele me disse que daqui prá frente devo ficar sem a tipóia. Vou iniciar um programa intensivo de fisioterapia. Parece que minha recuperação total depende única e exclusivamente de mim e da minha persistência na fisoterapia.
Confesso que estou um tanto ao quanto desanimada. Sinto-me, hoje, infinitamente pior fisicamente do que me sentia antes da cirurgia. Segundo o médico é assim mesmo, o pós-cirúrgico é mais complicado do que a cirurgia em si, mas uma coisa é ouvir o médico dizer isso antes da cirurgia e outra bem diferente é experimentar, vivenciar o que foi dito.
Meu braço está "pesado", dolorido e não consigo fazer os mesmos movimentos que fazia antes da cirurgia, embora com dor.
Segundo o médico, somente a fisioterapia bem feita e o pós-operatório cuidadoso, da minha parte, é que resultará, daqui a três meses, mais ou menos, em recuperação total dos movimentos e ausência de dor.
Agora entendo o porquê de uma licença médica de três meses. Cheguei a pensar que poderia voltar a trabalhar com minha turma ainda neste ano, mas já me conformei, "joguei a toalha, entreguei prá Deus".
Resta-me fazer a fisioterapia conforme o indicado, dar tempo ao tempo e me recuperar bem para um retorno ao trabalho em 2011.
Em tempo, mesmo recém-operada e com o braço na tipóia, participei do primeiro dia do "Congresso de Alfabetização, Leitura e Produção de Texto".
Senti muita dor e desconforto o dia todo. Não consegui voltar no domingo, dia 24. Portanto, fiz somente a primeira parte, não dei conta de segunda. Um dó!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

De "molho"

Estou em casa, de licença médica desde o dia 27 de setembro. Fiz uma cirurgia no ombro direito, porque tive uma  ruptura de tendão, talvez provocada por movimentos repetitivos combinados com a degeneração natural dos tendões, em consequência da idade. Embora eu tenha 56 anos, segundo o médico que me operou, essa idade ainda não justifica uma degenação de tecido tão séria a ponto de romper, mas pode ter sido o meu caso.
Enfim, já fiz a cirurgia, estou em casa sofrendo as dores e o desconforto de ficar com o braço na tipóia 24h.
A recuperação é lenta e a fisioterapia, daqui a um mês, é que definirá o rumo da minha recuperação total de movimentos com o braço direito e a ausência de dor.
Enquanto isso, estou passando os dias como posso: fazendo o que dá para fazer só com a mão esquerda, tomando os remédios e os cuidados recomendados pelo médico, lendo "1822" do Laurentino
Gomes, lendo jornal, revista, ouvindo rádio, ( a CBN ) vendo televisão.
Sinto pena de não poder terminar o trabalho com a minha turma deste ano e...
Estou esperando, torcendo e fazendo campanha para a vitória do SERRA.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Velhos Problemas/Velhas Práticas

A PBH implantou na Rede a velha fórmula da "Recuperação Paralela" pinçada lá dos anos 80/90. Porém, sem a organização escolar que tínhamos à época.
Hoje, trabalho com uma turma de 28 alunos. Estes serão avaliados em três períodos distintos ao longo do ano letivo. Duas dessas etapas avaliativas já ocorreram. No momento estou para concluir a 2ª etapa. A semana das avaliações formais já aconteceu e, teoricamente, estamos em pleno processo da "Recuperação Paralela".
Essa "Recuperação" deve ser ministrada pela professora referencial da turma ao mesmo tempo em que o ano letivo e suas atividades programadas segue o seu curso.
Então, a coisa funciona mais ou menos assim: até o final do mês de setembro, devo recuperar os meus alunos que estão abaixo dos cinquenta por cento de aproveitamento pedagógico e, ao mesmo tempo, continuar com o trabalho previsto para o período, referente aos conteúdos de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Ciências. Ah! Já ia me esquecendo. Sou professora generalista, ou seja: embora habilitada em Letras, portanto ápta a trabalhar os conteúdos de "Língua Portuguesa", devo trabalhar tal e qual, os conteúdos específicos para o 6º Ano do Ensino Fundamental de: Matemática, Geografia, História e Ciências. E, fazer a "Recuperação" dos alunos abaixo da média nas avaliações ocorridas.
Minha rotina consiste em trabalhar das 7h às 11h30min com a turma, os conteúdos de ensino já citados e, sempre que for necessário, substituir as colegas faltosas no meu turno de trabalho, fato esse por demais corriqueiro. O diferente é a escola funcionar com todos os professores presentes.
A responsabilidade de substituir o colega faltoso, tira-me a oportunidade do cumprimento do plano de ação pedagógica com a turma para a qual fui designada a trabalhar todos os dias. Como as faltas dos colegas são frequentes, frequentemente, também, deixo de fazer o planejado para a minha turma, porque tenho que cobrir a falta de um colega. Com isso, fica inviabilizado todo e qualquer tipo de trabalho previamente e minamente organizado.
E os alunos da "Recuperação Paralela"? Continuam como dantes no setor de abrantes... E a propaganda oficial, o que mostra? Uma linda e plácida escola, com alunos felizes, estudando e recuperando tudo o que não conseguiram aprender durante o curso normal das aulas...
Me engana que eu gosto, tá?!