Lá pelos idos de 1983, uma grande amiga e eu, então supervisoras pedagógicas em escola municipal, publicamos um trabalho na "Revista AMAE EDUCANDO" cujo título fora o seguinte: "Drummond e Poesia para Criança".
Naquela época, trabalhávamos com crianças de 9/10 anos interessadíssimas pelos textos literários, dentre eles especialmente a poesia. O comum, então, nessa faixa etária, era que se trabalhasse com os poemas de Henriqueta Lisboa, Cecília Meireles e até Olavo Bilac, mas Drummond, poesia e criança parecia não se encaixar muito bem. Conversando sobre isso, resolvemos apresentar Drummond aos nossos alunos a partir do poema "Infância". Desenvolvemos, para tal um plano de aula, que passo a relatar, fazendo, no entanto, algumas adaptações às concepções pedagógicas atuais:
"Planejamento de Aula de Poesia (Hoje, sequência didática)
Módulo: Língua Portuguesa
Gênero textual: Poesia
Tema: Infância
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Objetivos:
-Entrar em contato com o texto de Drummond a partir do poema "Infância".
-Identificar o "eu lírico" do poema e estabelecer relações entre a temática abordada e a vida de cada leitor.
-Citar trechos do poema que produziram sentimentos ao serem lidos, explicitando-os.
-Pesquisar sobre Drummond e listar outros poemas de interesse da turma.
Conteúdos
- Poema, um gênero textual.
-Carlos Drummond de Andrade, grande escritor mineiro de Poemas e Crônicas, cujo público alvo principal é o adulto.
-Algumas características do poema em estudo.
-Pesquisa sobre Drummond e de outros poemas seus adequados à faixa etária em questão.
Material necessário
Cópias do poema em estudo.
Recursos adequados (livros, enciclopédias, Internet) à pesquisa sobre Drummond.
Desenvolvimento
-1ª etapa
Inicie a atividade com uma roda de conversa, apresentando aos alunos o autor:
_Vocês conhecem ou já ouviram falar a respeito de Carlos Drummond de Andrade? Já leram algo sobre ele?
_Carlos Drummond foi e permanece sendo um grande poeta brasileiro. Nasceu em Itabira, Minas Gerais, mas viveu bastante tempo no Rio de Janeiro.
Foi escritor consagrado de Crônicas, Contos e Poemas; publicou muitos livros. Nasceu no dia 31 de outubro de 1902 e morreu no ano de 1987. Pois bem, hoje vocês conhecerão um poema escrito por ele.
-2ª etapa
Resolução de dificuldades (estudo do vocabulário)
Comente com o aluno:
_No poema a ser lido, vocês encontrarão palavras e/ou expressões, cujos significados estudaremos primeiramente.
Escreva no quadro (ou use algum outro recurso), as expressões: cosendo, Robinson Crusoé, meio-dia branco de luz, senzala e campeava, por exemplo.
Converse com os alunos, incentive-os a dizerem o que sabem sobre cada uma das expressões destacadas:
cosendo (coser) = costurando (costurar)
Robinson Crusoé = personagem de uma história infantil
meio-dia branco de luz = dia muito claro, de luz intensa
senzala = casa onde moravam os escravos
campeava = andava a cavalo pelo campo cuidando da fazenda
3ª etapa
Apresentação do poema à turma
Converse com os alunos e pergunte-lhes:
_ Como é que cada um de vocês passa o dia?
_E seu pais o que fazem durante o dia? Como eles são? Calmos, tranquilos, ou não?
_ Pois bem, o poema que eu trouxe para vocês fala sobre a vida de Drummond criança.
_Como terá sido a sua vida de menino de 1910?
_Vocês gostariam de saber?
4ª etapa
Primeira leitura do poema
Da professora para os alunos, que acompanham-na a partir das cópias distribuídas.
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé.
Comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala _ e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
_Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Por ser esta a leitura/modelo, deverá ser feita:
-com expressão e ritmo próprios;
-com modulação da voz conforme a musicalidade dos versos;
-com naturalidade, sem afetação ou declamação.
Segunda leitura do poema
Professora e alunos leem juntos, com o mesmo cuidado da leitura anterior.
5ª etapa
Debate e/ou conversa sobre a temática do poema e sobre as impressões causadas nos leitores:
_Estimular os alunos a relatarem suas primeiras percepções a respeito do poema.
_Fazer questionamentos, tais como: quais fatos da memória afetiva do autor estão presentes no poema; de que sentimentos ele se lembra; que expressões são usadas para descrever o dia; como ele se refere à preta velha; o que ela representava para ele; como o autor nos apresenta seus pais; a que conclusão o autor chega ao final do poema; por quê?
6ª etapa
Leitura coletiva do poema.
AVALIAÇÃO:
Divida a turma em grupos para que cada aluno possa compartilhar, nos pequenos grupos, as emoções vividas e percebidas com a leitura do poema.
Expressar esses sentimentos a partir das seguintes atividades:
-colar o poema no caderno de "Língua Portuguesa";
-copiar o verso ou a estrofe que mais chamou-lhes a atenção;
-ilustrar o poema;
-fazer um coro falado ou imaginar uma forma de o poema ser apresentado à turma;
-pesquisar sobre Drummond a apresentar aos colegas o resultado da pesquisa.
-coletar outros poemas de Drummond para serem lidos pela turma.
Obs. À época, os alunos de uma das turmas que trabalharam com o poema de Drummond, produziram o seguinte texto:
"Homenagem à Carlos Drummond de Andrade
Em 1902, nasce em Itabira, Minas Gerais, uma criança igual às outras, para mais tarde tornar-se um homem especial, um grande poeta, você: Carlos Drummond de Andrade.
Carlos Drummond, você enriquece a literatura brasileira, tornando-a conhecida em vários países.
O Brasil inteiro reconhece seu talento e lhe presta merecidas homenagens no seu octogésimo aniversário.
Continue elevando sempre o nome do Brasil.
Que Deus lhe dê força e saúde para continuar aproveitando a sua sensibilidade e sua capacidade de observar coisas comuns e torná-las especiais em forma de poemas, crônicas ou contos.
Apesar de seus oitenta anos, você continua com a cabeça jovem e atuante.
A você, o nosso respeito e gratidão por tanto talento acumulado.
Você é motivo de orgulho de todos nós mineiros.
Por tudo, muito lhe agradecemos".
Revista AMAE EDUCANDO, agosto de 1983,
nº156, ano XVI, p.5-7.
Bons tempos aqueles! Que saudade!
sábado, 28 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
A Senha do Mundo
Distinção
O Pai se escreve sempre com P grande
em letras de respeito e de tremor
se é Pai da gente. E Mãe, com M grande.
O Pai é imenso. A Mãe, pouco menor.
Com ela, sim, me entendo bem melhor:
Mãe é muito mais fácil de enganar.
(Razão, eu sei, de mais aberto amor.)
Andrade, Carlos Drummond de,
A Senha do Mundo, Rio de Janeiro,
Coleção Verso na Prosa
Prosa no Verso, Ed. Record, 1997,p. 38
O Pai se escreve sempre com P grande
em letras de respeito e de tremor
se é Pai da gente. E Mãe, com M grande.
O Pai é imenso. A Mãe, pouco menor.
Com ela, sim, me entendo bem melhor:
Mãe é muito mais fácil de enganar.
(Razão, eu sei, de mais aberto amor.)
Andrade, Carlos Drummond de,
A Senha do Mundo, Rio de Janeiro,
Coleção Verso na Prosa
Prosa no Verso, Ed. Record, 1997,p. 38
quinta-feira, 12 de março de 2009
A Palavra Mágica
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Professor
O professor disserta
sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Não.
O professor baixa a voz
com medo de acordá-lo.
Andrade, Carlos Drummond de, 1902-1987
A Senha do Mundo - Rio de Janeiro: Record
1997. 9Verso na prosa-prosa no verso)
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Professor
O professor disserta
sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo?
Não.
O professor baixa a voz
com medo de acordá-lo.
Andrade, Carlos Drummond de, 1902-1987
A Senha do Mundo - Rio de Janeiro: Record
1997. 9Verso na prosa-prosa no verso)
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Dar um Tempo
Hoje em dia ouvimos com naturalidade expressões como: "estou dando um tempo; vou dar um tempo; estamos dando um tempo", principalmente entre namorados, que de repente necessitam parar para refletir sobre o relacionamento e, mais pra frente, romper de vez ou então retomar, com mais força, quem sabe, com mais vigor, entusiasmo e paixão, aquilo que parecia morrer, acabar, esvair.
Sinto-me assim com minha profissão: quero continuar, mas não sei se devo. O entusiasmo e o gosto pelo ofício ainda estão presentes; vibro quando alcanço objetivos e metas estabelecidos, quando consigo organizar um projeto de trabalho que envolva não só minha turma, mas o turno, a escola e principalmente quando meu aluno percebe, feliz, que aprendeu algo de novo que o coloca em outro patamar do conhecimento.
Como nem tudo são flores e as decepções e frustrações em educação às vezes são maiores que os sucessos, até o momento estou no seguinte pé: já identifico algumas características dos meus novos alunos; fiz uma primeira reunião com os pais deles; estabelecemos metas de trabalho pedagógico para o ano em curso; combinamos nos ajudarmos mutuamente; estabelecemos regras de conduta em sala de aula; organizamos os horários das aulas; os livros didáticos que serão utilizados. Após os testes de conhecimentos em Língua Portuguesa e em Matemática, listei e organizei um gráfico das habilidades já consolidadas por cada aluno e aquelas que precisam ser retomadas não só com a turma, mas também individualmente com alguns alunos que apresentaram maiores defasagens de conhecimentos. Estou gostando deles, estou entusiasmada e louca para colocar em prática tudo o que foi planejado para esse ano e para essa turma.
Mas, tenho direito, devido ao meu tempo de serviço como professora (14 anos) a tirar "Férias-prêmio". Ficarei 180 dias afastada da escola e, logicamente, longe da turma. Tomei essa decisão porque ando pensando em pedir exoneração do cargo ao final desse período de férias. Porém, estou confusa. Não sei se quero mesmo abandonar a minha profissão. Então... Vou "dar um tempo", mas com pena de interromper o trabalho já iniciado com a turma de 2009.
Sinto-me assim com minha profissão: quero continuar, mas não sei se devo. O entusiasmo e o gosto pelo ofício ainda estão presentes; vibro quando alcanço objetivos e metas estabelecidos, quando consigo organizar um projeto de trabalho que envolva não só minha turma, mas o turno, a escola e principalmente quando meu aluno percebe, feliz, que aprendeu algo de novo que o coloca em outro patamar do conhecimento.
Como nem tudo são flores e as decepções e frustrações em educação às vezes são maiores que os sucessos, até o momento estou no seguinte pé: já identifico algumas características dos meus novos alunos; fiz uma primeira reunião com os pais deles; estabelecemos metas de trabalho pedagógico para o ano em curso; combinamos nos ajudarmos mutuamente; estabelecemos regras de conduta em sala de aula; organizamos os horários das aulas; os livros didáticos que serão utilizados. Após os testes de conhecimentos em Língua Portuguesa e em Matemática, listei e organizei um gráfico das habilidades já consolidadas por cada aluno e aquelas que precisam ser retomadas não só com a turma, mas também individualmente com alguns alunos que apresentaram maiores defasagens de conhecimentos. Estou gostando deles, estou entusiasmada e louca para colocar em prática tudo o que foi planejado para esse ano e para essa turma.
Mas, tenho direito, devido ao meu tempo de serviço como professora (14 anos) a tirar "Férias-prêmio". Ficarei 180 dias afastada da escola e, logicamente, longe da turma. Tomei essa decisão porque ando pensando em pedir exoneração do cargo ao final desse período de férias. Porém, estou confusa. Não sei se quero mesmo abandonar a minha profissão. Então... Vou "dar um tempo", mas com pena de interromper o trabalho já iniciado com a turma de 2009.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Realidade Nua e Crua
Estamos há 14 anos do advento da "Escola Plural" e um dos seus pilares foi/é o trabalho por ciclo de idade de formação. Desde 1995, que todas as escolas da RME de BH deixaram de agrupar os alunos sob a lógica da seriação/repetência ao final de cada ano letivo.
Pois bem, desde essa época está em vigor, com uma ou outra alteração, a lógica do Ciclo de 3 anos de duração e de Formação (infância, pré-adolescência e adolescência) e, conforme esta organização os alunos deveriam ser agrupados seguindo-se os seguintes critérios: 1º Ciclo - alunos de 6/7 e 8/9 anos de idade - com uma retenção ao final do ciclo, para o aluno abaixo do nível mínimo de conhecimentos adquiridos durante os estudos do ciclo; 2º Ciclo - alunos de 9/10 e 11/12 anos de idade, com uma retenção ao final do ciclo para os alunos abaixo da média; 3º Ciclo - alunos de 12/13/14/15 anos de idade estando previsto, também neste ciclo, a possibilidade de retenção ao final do mesmo. Ou seja, caso o aluno seja retido por três vezes, ao final de cada ciclo cursado, ele encerrará o ensino fundamental, ou chegará ao final do 3º ciclo com 15 anos, correto? Não! Se ele ficar retido ao final de cada um dos 3 ciclos de formação, encerrá o ensino fundamental aos 17 anos.
Minha turma atual, composta por um total de 28 alunos está subdividida da seguinte forma: 2 alunos de 14 anos, 10 alunos de 13 anos, 11 alunos de 12 anos e 5 alunos de 11 anos. Trabalho com meninos e meninas no início da pré-adolescência e meninos e meninas já adolescentes.
Isso pode parecer de menor importância, mas no dia-a-dia do trabalho com eles, faz toda a diferença: no aspecto físico, na maturidade e no comportamento; há uma heterogeneidade tão acentuada entre eles, que torna o trabalho pedagógico pesado, tenso e de expectativa frustrante já no início do ano letivo. São questões pedagógicas, (defasagens de toda ordem) familiares,(desestrutura, rejeição, abandono) econômicas,(desemprego, baixa renda, só o "Bolsa Família" como recurso) culturais, (o mundo deles e seus valores são outros, não "batem" com os valores difundidos pela escola, por exemplo: justiça, responsabilidade, valor do estudo, honestidade, etc) . Também há problemas sérios na ordem da saúde orgânica (dor de dente, anemia, verminose, raquitismo, dentre outros) e de saúde emocional: dispersão, desinteresse, apatia, hiper-atividade, depressão, uso de drogas...
Trabalhar nessas condições é muito difícil; é quase um milagre percebermos que apesar de tudo há aprendizagem, há progresso pedagógico, há sucesso escolar, para muitos deles!
Pois bem, desde essa época está em vigor, com uma ou outra alteração, a lógica do Ciclo de 3 anos de duração e de Formação (infância, pré-adolescência e adolescência) e, conforme esta organização os alunos deveriam ser agrupados seguindo-se os seguintes critérios: 1º Ciclo - alunos de 6/7 e 8/9 anos de idade - com uma retenção ao final do ciclo, para o aluno abaixo do nível mínimo de conhecimentos adquiridos durante os estudos do ciclo; 2º Ciclo - alunos de 9/10 e 11/12 anos de idade, com uma retenção ao final do ciclo para os alunos abaixo da média; 3º Ciclo - alunos de 12/13/14/15 anos de idade estando previsto, também neste ciclo, a possibilidade de retenção ao final do mesmo. Ou seja, caso o aluno seja retido por três vezes, ao final de cada ciclo cursado, ele encerrará o ensino fundamental, ou chegará ao final do 3º ciclo com 15 anos, correto? Não! Se ele ficar retido ao final de cada um dos 3 ciclos de formação, encerrá o ensino fundamental aos 17 anos.
Minha turma atual, composta por um total de 28 alunos está subdividida da seguinte forma: 2 alunos de 14 anos, 10 alunos de 13 anos, 11 alunos de 12 anos e 5 alunos de 11 anos. Trabalho com meninos e meninas no início da pré-adolescência e meninos e meninas já adolescentes.
Isso pode parecer de menor importância, mas no dia-a-dia do trabalho com eles, faz toda a diferença: no aspecto físico, na maturidade e no comportamento; há uma heterogeneidade tão acentuada entre eles, que torna o trabalho pedagógico pesado, tenso e de expectativa frustrante já no início do ano letivo. São questões pedagógicas, (defasagens de toda ordem) familiares,(desestrutura, rejeição, abandono) econômicas,(desemprego, baixa renda, só o "Bolsa Família" como recurso) culturais, (o mundo deles e seus valores são outros, não "batem" com os valores difundidos pela escola, por exemplo: justiça, responsabilidade, valor do estudo, honestidade, etc) . Também há problemas sérios na ordem da saúde orgânica (dor de dente, anemia, verminose, raquitismo, dentre outros) e de saúde emocional: dispersão, desinteresse, apatia, hiper-atividade, depressão, uso de drogas...
Trabalhar nessas condições é muito difícil; é quase um milagre percebermos que apesar de tudo há aprendizagem, há progresso pedagógico, há sucesso escolar, para muitos deles!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Novos Alunos
Hoje tive um primeiro contato com meus novos alunos. São ao todo 28, idades variando entre 11/14 anos; alguns muito pequenos e franzinos para a idade, outros fisicamente já pré-adolescentes e adolescentes. Encontrei-me com eles na quadra, pois sabia de antemão que seriam meus alunos. Ali mesmo fiz uma checagem alunos/lista que tinha em mãos. Subimos. A sala já estava organizada por mim, para que se sentassem em grupos de quatro. Apresentei-me a eles, e eles também se apresentaram a mim. Todos já se conhecem. Estão juntos, na mesma turma, desde o pré-escolar.
Conversamos sobre nossas (minhas e deles) expectativas para este ano letivo; mostrei-lhes os livros didáticos que usaremos e como serão os estudos da 5ª série ( 3º ano do 2º Ciclo, para eles ).
Realizamos um teste sondagem de "Língua Portuguesa" - habilidades já consolidadas, ou não, em fluência em leitura em voz alta. Realizamos também um "Ditado" de um pequeno trecho do texto lido em voz alta, para os primeiros levantamentos das questões ortográficas a serem trabalhadas. Nenhum aluno lembrou-se de perguntar ou comentar a respeito do "acordo ortográfico" dos países de Língua Portuguesa, em vigor desde 1º de janeiro...
Fizemos ainda um levantamento da percepção dos alunos quanto a presença da "Matemática" do cotidiano, estampada diariamente nos jornais, por exemplo. Trabalhamos com textos, ou partes de textos de matérias veiculadas no jornal "O TEMPO" do mês de janeiro. Pedi a eles que fizessem uma leitura do material recebido e que identificassem nele a presença da "Matemática"- medidas (tempo, valor monetário, perímetro, área ); números (quantidades várias ) ;números ( ordinais, cardinais, racionais ); espacialidade; tratamento das informações em tabelas e gráficos.
Eles gostaram da atividade, participaram, mas demonstraram dificuldade para relacionar a informação propriamente dita aos números e símbolos matemáticos presentes.
No último horário saíram felizes para a aula de Educação Física, que eles amam! Eu, encontrei-me com minhas novas colegas de grupo, para as primeiras considerações a respeito do trabalho a ser realizado por nós com nossas turmas. Estou animada.
Conversamos sobre nossas (minhas e deles) expectativas para este ano letivo; mostrei-lhes os livros didáticos que usaremos e como serão os estudos da 5ª série ( 3º ano do 2º Ciclo, para eles ).
Realizamos um teste sondagem de "Língua Portuguesa" - habilidades já consolidadas, ou não, em fluência em leitura em voz alta. Realizamos também um "Ditado" de um pequeno trecho do texto lido em voz alta, para os primeiros levantamentos das questões ortográficas a serem trabalhadas. Nenhum aluno lembrou-se de perguntar ou comentar a respeito do "acordo ortográfico" dos países de Língua Portuguesa, em vigor desde 1º de janeiro...
Fizemos ainda um levantamento da percepção dos alunos quanto a presença da "Matemática" do cotidiano, estampada diariamente nos jornais, por exemplo. Trabalhamos com textos, ou partes de textos de matérias veiculadas no jornal "O TEMPO" do mês de janeiro. Pedi a eles que fizessem uma leitura do material recebido e que identificassem nele a presença da "Matemática"- medidas (tempo, valor monetário, perímetro, área ); números (quantidades várias ) ;números ( ordinais, cardinais, racionais ); espacialidade; tratamento das informações em tabelas e gráficos.
Eles gostaram da atividade, participaram, mas demonstraram dificuldade para relacionar a informação propriamente dita aos números e símbolos matemáticos presentes.
No último horário saíram felizes para a aula de Educação Física, que eles amam! Eu, encontrei-me com minhas novas colegas de grupo, para as primeiras considerações a respeito do trabalho a ser realizado por nós com nossas turmas. Estou animada.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Começar de novo
Retorno à escola no dia 02 de fevereiro, dia escolar, sem aluno. Estarão presentes professores, direção, coordenação pedagógica e funcionários. Nesse dia faremos o planejamento das atividades pedagógicas a serem desenvolvidas com os alunos durante o ano letivo de 2009. Ou seja, dispomos de 4h30min do dia 2/02, para definir metas, objetivos, projetos; delimitar procedimentos e priorizar capacidades a serem desenvolvidas com os alunos de 6 a 12 anos de idade.
Nosso calendário escolar, definido previamente pela PBH, não prevê dias de formação continuada, de encontros pedagógicos e nem dias de planejamento dos trabalhos escolares. Faremos isso, como sempre, nas brechas do horário de trabalho - 1h diária para cada professor - porém sem a chance do momento adequado, com tranquilidade para a pesquisa e/ou a avaliação mais acurada dos trabalhos dos alunos.
Tenho lido nos jornais locais de que a "Escola Plural" sofrerá mudanças do tipo: "boletim escolar constando de notas e não de conceitos, após avaliação formal dos conteúdos trabalhados com o aluno"; "aulas de recuperação ao final do ano letivo, para o aluno que não alcançar o mínimo desejável, durante o processo de ensino/aprendizagem"; "retenção do aluno, ao final do ano letivo e, após recuperação, caso não demonstre um nível desejável de aprendizagem"...
Sabe há quando estamos retrocedendo? Há 1994. Até essa época, tudo o que a PBH vem anunciando como "mudança"era fato, era norma nas escolas da RME. O que resta hoje do chamado "Projeto Político Pedagógico da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte - Escola Plural" é somente esse nome pomposo e, infelizmente, uma geração de alunos mal formados e que carregam em seus "Históricos Escolares" a marca: "Escola Plural" . Pejorativa, desgastada e de tristes lembranças.
De quem é a culpa? Ninguém responderá por esse engodo chamado "Escola Plural"?
Nosso calendário escolar, definido previamente pela PBH, não prevê dias de formação continuada, de encontros pedagógicos e nem dias de planejamento dos trabalhos escolares. Faremos isso, como sempre, nas brechas do horário de trabalho - 1h diária para cada professor - porém sem a chance do momento adequado, com tranquilidade para a pesquisa e/ou a avaliação mais acurada dos trabalhos dos alunos.
Tenho lido nos jornais locais de que a "Escola Plural" sofrerá mudanças do tipo: "boletim escolar constando de notas e não de conceitos, após avaliação formal dos conteúdos trabalhados com o aluno"; "aulas de recuperação ao final do ano letivo, para o aluno que não alcançar o mínimo desejável, durante o processo de ensino/aprendizagem"; "retenção do aluno, ao final do ano letivo e, após recuperação, caso não demonstre um nível desejável de aprendizagem"...
Sabe há quando estamos retrocedendo? Há 1994. Até essa época, tudo o que a PBH vem anunciando como "mudança"era fato, era norma nas escolas da RME. O que resta hoje do chamado "Projeto Político Pedagógico da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte - Escola Plural" é somente esse nome pomposo e, infelizmente, uma geração de alunos mal formados e que carregam em seus "Históricos Escolares" a marca: "Escola Plural" . Pejorativa, desgastada e de tristes lembranças.
De quem é a culpa? Ninguém responderá por esse engodo chamado "Escola Plural"?
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