sexta-feira, 19 de abril de 2013

Campanha contra o Aedes Aegypit

SEQUÊNCIA DIDÁTICA

CIÊNCIAS E SAÚDE6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL/2013


Em 2002 o Brasil todo, principalmente o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul enfrentaram uma epidemia de “Dengue”. Hoje, vivemos novamente o mesmo problema. Nada mudou de lá para cá!

Leia com atenção o texto abaixo:

  A incrível história do “AEDES AEGYPTI”, que desde o século XIX atormenta o Brasil.

UM MOSQUITO BICENTENÁRIO

(Adaptação- Prof. Ângela Matos)
   
     O mosquito “Aedes Aegypti” desembarcou no porto do Rio de Janeiro, num dia quente de 3 de dezembro de l.849, no início do reinado do jovem imperador D. Pedro II. Vinha no navio Navarre, que fez escala, antes de aportar no Rio, nas cidades de Nova Orleans, Havana e Salvador.
      Dez dias depois teve início uma epidemia de febre amarela, no Rio de Janeiro, que matou mais de 4.000 pessoas.
     Só em 1.900 se confirmou que o transmissor da febre amarela era o mesmo Aedes Aegypti transmissor da dengue, hoje. Desde o século XIX  que cientistas, médicos sanitaristas e entomólogos tentam vencer este inimigo sorrateiro e popular.
     No início do século XX o médico sanitarista Oswaldo Cruz já travava verdadeira batalha contra o mosquito Aedes Aegypti transmissor da febre amarela. Na época, o Rio de Janeiro era uma verdadeira pocilga. Ocorriam surtos de febre amarela, de peste bubônica, de cólera, de varíola...
     Cem anos depois, a dengue é a epidemia da vez, disseminada pelo mesmíssimo mosquito Aedes Aegypti. Está faltando um Oswaldo Cruz para dar ao combate o caráter de guerra nacional. Em 1.903, não faltou determinação para dar combate ao mosquito. Oswaldo Cruz fez do Rio de Janeiro um verdadeiro laboratório de testes contra a febre amarela.
     E como é o Aedes aegypti?
     O Aedes é um mosquito preguiçoso, voa a apenas um metro do chão e só pica durante o dia. É um mosquito domiciliar, não se afasta mais que 100 metros de seu ponto original. “Ele gosta de ficar em casa, onde há água limpa e gente para picar”, explica o entomologista Sebastião José de Oliveira, estudioso dos hábitos do mosquito há 60 anos.
     A origem do mosquito é o Egito, daí o seu nome Aedes aegypti. Foi descrito cientificamente, pela primeira vez, em 1.762. Chamava-se Culex aegypti; foi rebatizado como Stegomyia  fasciata. Por volta de 1.940, tornou-se o temido Aedes cujo vaivém só se deu e ainda se dá, devido ao desleixo das autoridades públicas no seu  combate.
     O quadro da epidemia de hoje, por causa do mosquito, tem semelhanças com o que se deu no passado. As péssimas condições sanitárias das cidades permitem que o inseto se reproduza e dissemine doença entre a população.
     Só o estado do Rio de Janeiro já contabiliza, atualmente, 52.000 casos de dengue, com 24 mortes. E o problema é o mesmo em outros estados brasileiros como Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, por exemplo.
     Nesse cenário, só nos resta resgatar a receita de Oswaldo Cruz e retomar a guerra contra o mosquito, sem trégua, até o seu extermínio total. Aliás, em 1.958, o mosquito foi considerado extinto. Mas essa conquista não se tornou permanente por causa do descaso das autoridades públicas com a limpeza das cidades e a não criação, nas novas cidades que surgiram após 1.958, das condições sanitárias básicas e necessárias à não proliferação do mosquito, novamente. Hoje, como se vê, estamos pagando caro, com vidas humanas, por esse desleixo ou descuido. E o mosquito faz a sua volta triunfal!

Fonte: Revista Veja
06 de março de 02.

1)    Leia o texto com atenção e escreva, abaixo:
a- Qual é o título do texto que você acabou de ler?
__________________________________________

Segundo o texto, o mosquito da “Dengue” não é brasileiro.
Então, responda de acordo com o que você leu:

b- De onde veio o mosquito e quando foi isso?
________________________________________________________________________________________________________________________.

c- Quantos morreram na primeira epidemia de “Febre Amarela” e em que cidade brasileira ela ocorreu?
____________________________________________________________

d- Quem foi Oswaldo Cruz e por que ele se tornou importante para nós brasileiros?
2)    O texto afirma que “Está faltando um Oswaldo Cruz para dar ao combate ao mosquito da Dengue o caráter de guerra nacional”.

a- Que combate é esse? _________________________________________

b- Na sua opinião, por que 100 anos depois, nós continuamos a ter problemas com o mosquito transmissor da “Dengue” e da “Febre Amarela”?
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________.

3)    Em 2002, Belo Horizonte apresentou o seguinte quadro de pessoas infectadas pelo mosquito da “Dengue”:


EVOLUÇÃO DOS CASOS DE DENGUE EM MINAS GERAIS E EM
BELO HORIZONTE EM MARÇO DE 2002.

MINAS GERAIS:                                                    BELO HORIZONTE:
                                       
DENGUE CLÁSSICA:

NOTIFICADOS: 20. 364 CASOS                  5.159 CASOS
CONFIRMADOS: 2.844 CASOS                      527 CASOS
DESCARTADOS: 2.501 CASOS                      634 CASOS


DENGUE HEMORRÁGICA:


CASOS SUSPEITOS: 13                             CASOS CONFIRMADOS: 09
CASOS CONFIRMADOS: 11                     CASOS DESCARTADOS: 05
SUSPEITOS DE ÓBITOS (MORTE): 02    CASOS DE MORTE: NENHUM


Hoje, a situação não está muito diferente.

a-     Cite o que você e sua família têm feito de concreto para acabar com o Aedes aegypti.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
b- Na sua opinião, o que mais pode ser feito?
♠ Pela população de um modo geral:
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________.

♠ Pelas autoridades de “Saúde Pública” dos Governos:
. municipais _________________________________________________
. estaduais ___________________________________________________
. federal ____________________________________________________

4)    Leia com atenção o SLOGAN abaixo. Treine-o e manifeste-se por meio dele para incentivar a todos a participar do ato de erradicação do “AEDES AEGYPTI”, mosquito causador de doença e de morte.

GRITO DE GUERRA DA TURMA 3MA

      A DENGUE CHEGOU...
E DE NOVO SE INSTALOU!

POR QUE SERÁ?!

SERÁ QUE TODO MUNDO COCHILOU?!

E SE COCHILOU...
TEM QUE ACORDAR.

PORQUE COM A DENGUE
      NÓS VAMOS ACABAR.

      PORQUE COM A DENGUE
     NÓS VAMOS ACABAR...

A DENGUE ACABAR.

      ARRÁ... ARRÁ... ARRÁ...
A DENGUE ACABAR.

                     
SLOGANS

COMUNIDADE ATENTA...
A DENGUE NÃO AGUENTA.

A DENGUE VOLTOU,
A COMUNIDADE ACORDOU
E O MOSQUITO NÃO VINGOU!

A COMUNIDADE AGIU!
O AEDES AEGYPTI SUMIU!

O AEDES É O TAL,
MAS COM A GENTE
SE DEU MAL...

DENGUE, DENGUE, DENGUE...
DOENÇA QUE É UM PERRENGUE!
PRA SAIR DESSE PERRENGUE...
ACABE COM A DENGUE!
Autora: Prof. Ângela Matos


O MOSQUITO ATACOU
PORQUE A GENTE COCHILOU.
SE ATENÇÃO...
A GENTE NÃO PRESTAR
MAIS GENTE ELE VAI MATAR!
Autores: Sávio e Gabriel Henrique

O MOSQUITO VOLTOU
E NOS DERRUBOU
E SE A GENTE
NÃO ACORDAR...
COM O NOSSO MUNDO
ELE VAI ACABAR!
Autores: Gabriel Henrique e Sávio

O AEDES VOLTOU
E A GENTE NEM LIGOU...
SE ASSIM CONTINUAR
A DENGUE VAI NOS MATAR!
Autores: Gabriel Henrique e Sávio

ATENÇÃO, ATENÇÃO!!!
O AEDES
TEM QUE IR...
PRO CHÃO!
Autora: Jéssica

ATENÇÃO, ATENÇÃO!!!
A DENGUE ESTÁ AÍ,
MAS SE A GENTE AGIR...
ELA VAI SUMIR.
Autor: Igor


POPULAÇÃO, POPULAÇÃO!
É MELHOR SE CUIDAR...
PORQUE A DENGUE...
CHEGOU PARA ARRAZAR!
Autora: Dâmaris

O AEDES VOLTOU
E PENSOU EM FICAR...
MAS PENSOU ERRADO
POIS COM ELE...
NÓS VAMOS ACABAR!
Autora: Karen

O AEDES VEM AÍ...
MAS SE A GENTE AGIR...
ELE VAI SUMIR.
Autor: Igor

O AEDES VOLTOU
POIS A GENTE COCHILOU
SE ASSIM CONTINUAR
ELE NÃO VAI ACABAR.
Autor: Richardson

ACABE COM O AEDES
ANTES QUE ELE ACABE...
COM VOCÊ!
Autor: Gabriel Maltez

SUA VIDA ESTÁ POR UM TRIZ
MAS NÃO FIQUE AÍ PARADO NÃO!...
AJUDE-NOS A ELIMINAR
ESSE MOSQUITO INFELIZ.
Autora: Karoline

SUA VIDA COM O AEDES               
ESTÁ POR UM TRIZ.
MAS NÃO SE DESESPERE.
JUNTOS VAMOS EXTERMINAR...
ESSE MOSQUITO INFELIZ. Autora: karoline
O MOSQUITO VOLTOU
PORQUE A GENTE NÃO O ELIMINOU...
MAS AGORA VAMOS NOS JUNTAR
E COM ELE ACABAR!
Autor: Marco Aurélio

AEDES, AEDES, AEDES...
É MELHOR SE AFASTAR!
PORQUE SE NÃO...
VOCÊ VAI SE FERRAR!

AHRRÁ, AHRRÁ, AHRRÁ!

POIS COM VOCÊ, MOSQUITO!
NÓS VAMOS ACABAR...
Autora: Taynara

O AEDES VOLTOU
A GENTE ALERTOU

ENTÃO...

SE A ÁGUA PARADA VOCÊ DEIXAR
NOSSA COMUNIDADE...

CONTAMINADA VAI FICAR!
Autores: Gabriel Henrique e Sávio

O AEDES É PERIGOSO!
MAS EU SOU CUIDADOSO!
E VOCÊ?!
NÃO FIQUE AÍ SÓ NERVOSO.
PORQUE ASSIM...
NOSSO MUNDO FICARÁ DENGOSO.
Autores: Sávio e Gabriel Henrique

SE COCHILOU!

TEM QUE ACORDAR.

TODOS CONTRA O AEDES...

E NÓS VAMOS GANHAR.
Autor: Wallace Eduardo


MÚSICA
Paródia: O LEk LEk DA DENGUE

Ah! A Dengue, Dengue, Dengue, Dengue, Dengue...

Mosquito, mosquito pra um lado
Mosquito, mosquito pro outro
No passinho do Aedes
Quero ver o bairro todo

A Dengue chegou
E agora tem que cuidar
Ela não é maneira
Qualquer um pode pegar.

Ai! A Dengue, Dengue, Dengue, Dengue, Dengue...

É a revelação
Aqui em BH...
Cuidado com o mosquito
Ele pode te picar.

E na Comunidade
A Dengue já pegou...
Morreu a titia, a vovó e também o vovô.

Mas preste atenção...
Agora eu vou te ensinar
O cuidado com a Dengue
Ela pode te pegar...

Ah! A Dengue, Dengue, Dengue, Dengue... Dengue...
Mosquito, mosquito, mosquito pra um lado
Mosquito, mosquito, mosquito pro outro...
No passinho do mosquito
Quero ver o bairro todo


Autores: Alexssandra, Karen e Wallace Eduardo


quinta-feira, 21 de março de 2013

O Dilema

Hoje, 21 de março, posso dizer que conheço a turma com a qual trabalho . São trinta alunos ao todo; faixa etária entre 10 e 13 anos; há alunos pré adolescentes; adolescentes e uns poucos com resquícios da infância que teima não abandoná-los.

São alegres, tranquilos, educados, respeitosos... Coisa rara, atualmente. Identifico-os pelo nome e já percebo o que cada um é capaz de render pedagogicamente falando.

Dentre eles há todos os níveis de habilidades e de capacidades construídas. Desde o aluno não alfabetizado, um do grupo, até aqueles prontos para cursar o sexto ano do ensino fundamental. Na prática, como no século XIX, o equivalente à primeira, segunda, terceira, quarta e quinta séries numa mesma turma.

Trabalhar com turma heterogênea ao extremo, como é o caso, é muito complicado porque exige do professor múltiplas aulas (conteúdo, metodologia, recursos e atenção individualizada) num tempo exíguo tanto para o desenvolvimento da(s) aula(s) em si, quanto para planejá-las.

Não estou reclamando, ou lamentando o trabalho a ser feito. Apenas constato que com os recursos disponíveis atualmente ( falo daqueles certeiros, tradicionais e possíveis nas escolas: quadro, livros e saliva do professor) e com os quais conto, torna-se praticamente impossível dar atenção pedagógica personalizada aos alunos que ainda não possuem um mínimo de autonomia para ler e/ou escrever, mesmo cursando o sexto ano,  e assim, serem capazes de ouvir ou ler as instruções de estudo ou os enunciados de cada atividade de ensino e executá-las, sem a presença constante do professor ao lado deles.

Esse dilema se repete a cada dia de trabalho: o que fazer? Dar atenção ao aluno não alfabetizado e que cursa o sexto ano ou trabalhar com aqueles que estão na idade/escolaridade esperadas para o ano de ensino?

Tento satisfazer a mim mesma e aos diferentes níveis de aprendizagens dos meus alunos, mas nunca saio satisfeita da sala de aula. O que fazer? Eis a questão de cada um dos meus dezenove anos de efetivo exercício em sala de aula...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cá estou eu às voltas com a aplicação e a correção da "Avaliação Diagnóstica" do projeto "Avalia BH" da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. Pela primeira vez, desde o início dessa modalidade de avaliação na RME/BH, os testes chegaram à escola ainda no mês de fevereiro. Menos mal, estamos evoluindo, já que se trata de avaliação diagnóstica.
É assim, recebemos os testes, comunicamos aos alunos e respectivas famílias sobre os mesmos e, no dia da prova esperamos que todos os alunos estejam presentes para realizá-las. Nem sempre isso acontece. Alunos faltam e não nos dão nenhuma justificativa para tal. Enfim, realizamos as provas na data marcada com os presentes.
Não há nenhuma recomendação, por parte de quem quer que seja, coordenação pedagógica da escola, acompanhantes pedagógico da Prefeitura, nada, nenhuma orientação a respeito da aplicação do teste. Sendo assim, escolho seguir a minha experiência de professora e estar atenta ao objetivo primeiro da avaliação diagnóstica.
Organizo o ambiente da sala para que os alunos ao chegarem não percam tempo com a organização das carteiras. Preocupo-me com o material de uso dos alunos: os testes, lápis, borracha... Deixo alguns de reserva para aqueles alunos que se esquecem de trazer de casa o material de estudo.
Iniciamos pela prova de "Língua Portuguesa", no dia seguinte "Matemática" e no terceiro dia desta semana, "Ciências da Natureza". As questões são objetivas, num total de vinte e quatro para cada uma das disciplinas avaliadas.
A prova de "Língua Portuguesa", caracteriza-se por textos de gêneros variados: Quadrinhos, Contos, Poesias, Anúncios, Resenhas, Fábulas, Recomendações, Humor, dentre outros. Parece que não há, por parte de quem seleciona os textos, uma preocupação de adequar o conteúdo ou a temática destes à faixa etária dos alunos avaliados. Tenho sempre a sensação de que os textos abordam assuntos que não são do interesse imediato dos alunos e que demandam, para a compreensão dos mesmos, conhecimentos prévios que os alunos ainda não possuem. Exemplificando: num texto em que se exigia do aluno extrair do mesmo a "informação principal", falava-se de descobrimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha, peixes-bois, estuários, extermínio, Europa, fortes, argamassa e Revolução Industrial, pode?! Num outro texto foi pedido ao aluno identificar a opinião do autor presente nele. Só que a opinião do autor estava expressa, entre parêntese, numa interjeição pouco conhecida "argh" equivalente a "eca", perdida no meio da frase, quase ao final do texto, cujo título é "Você tem medo de quê?".
Da prova de Matemática fazem parte conteúdos diversificados e um peso maior para a Geometria e a de Ciências da Natureza avalia o conhecimento de todo o processo de tratamento da água, domínio conceitual de cada etapa com a respectiva nomenclatura, passa pelas questões ambientais, de saúde pública, de uso da tecnologia ou dos recursos tecnológicos pelo ser humano, universo, sistema solar, etc.
As questões são longas, exigem proficiência em leitura, um padrão de vocabulário elevado e persistência e muita concentração do aluno por uma duas horas seguidas.
Pensando sobre tudo isso agora, passo a acreditar que os resultados alcançados até o momento estão até muito bons...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

No Reino Perdido

Era uma vez um reino perdido do novo mundo. Lá viviam pessoas felizes e perfeitamente integradas à natureza. É certo que brigavam, pois se subdividiam em várias tribos cada qual com seus costumes, suas crenças e modo de viver. Eles eram  povos primitivos que viviam da caça, da pesca e da coleta de raízes e de frutos. Como a região era tropical, não se vestiam, andavam nus e não se importavam com a exibição de seus corpos. Isso, sequer era problema para eles.
Certa vez, as tribos do litoral desse reino avistaram ao longe, ainda em alto mar, algo que mudaria para sempre as suas vidas.
Os enormes monstros que deslizavam na superfície do mar  se dirigiram a eles, que estavam na praia. De dentro dos monstros saíram uns seres estranhos querendo estabelecer contato.
Medo e estranhamento foi o primeiro sentimento de ambas as partes, mas com o tempo e algumas trocas de  presentes  a confiança se estabeleceu e a amizade se fez.
No entanto, achando-se superiores àqueles nativos, com perspicácia e argúcia, os visitantes apossaram-se das novas terras e das pessoas que nela encontraram: ensinaram-lhes seus costumes, vestiram-lhes os corpos, mostraram-lhes outro Deus, aproveitaram-se da força de trabalho daquele povo dócil e ensinaram-lhe uma nova forma de falar e de pensar... Mas não ensinaram tudo; ensinaram-lhes somente o que fosse útil ao novo senhor daquele imenso reino.
Tornaram-se amigos, tornaram-se amantes, misturam-se com outros estrangeiros, igualmente dominados e escravizados e dessa mistura, surgiu um novo ser do reino...
Passou o tempo, o reino mudou, as pessoas mudaram, o mundo mudou.
Porém, uma coisa não mudou. Ainda existe nesse reino aqueles que se sentem superiores aos outros. E isso fica evidente na forma de ensinar/aprender das pessoas do reino. Quem tem mais aprende mais quem tem menos aprende menos ainda.
O reino se diz democrático, fato verdadeiro, pois no sistema de ensino, não importa se pobres ou ricos todos privam da mesma mediocridade. As notas alcançadas pelos cidadãos do reino, quando comparadas às notas de outros povos evidenciam a ignorância de todos. Mas ninguém liga. Nem ricos, nem pobres; não há nenhuma mobilização popular ou da elite letrada para mudar o quadro do desastre educacional do reino.
Está em voga, no entanto, dizer que os professores são culpados pelo fracasso educacional de lá. Dizem que os professores são fracos e não têm domínio do conteúdo a ser ensinado; não dominam igualmente a tecnologia de ponta que lá existe como recurso educacional.
O que eles não dizem é que são eles mesmos que formam o professor; são eles que definem as políticas educacionais que o professor deve seguir; são eles que determinam os recursos a serem utilizados no sistema educacional do reino.
Durante toda a existência do reino os donatários de plantão sonharam e ainda sonham com uma fada madrinha que faça o milagre ou a mágica do ensinar/aprender sem esforço, sem gasto de tempo ou de recurso. Mas essa fada não existe e o "Pó de Pirlim-pim-pim", criado por um gênio que habitou o reino tempos atrás, está trancado no "Sítio do Pica-Pau-Amarelo"(obra maior do gênio) e o mesmo, por incrível que pareça, está sendo perseguido(de novo!) por alguns súditos  que não compreendem ou não querem compreender o contexto histórico da criação literária desse súdito.
Pode ser que a história da educação do povo desse reino tenha um final feliz, como soe acontecer em todos os contos de faz-de-conta. Mas, para isso, faz-se necessário deixar-se de lado a esperança de que um milagre aconteça, para apostar no trabalho sério, duro, árduo, contínuo e persistente de todos os habitantes do reino em prol da educação de qualidade para todos.
Sendo assim, as palavras mágicas para que o milagre aconteça são: avante, em frente, planejamento, foco, persistência, conhecimento, tecnologia e disciplina...
E assim, quem sabe, encontrar-se-á a luz no fim do túnel.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Brasileira Feliz ou O Dia em que o Brasil ficou Adulto

Em 2005 iniciei o curso de especialização em "Leitura e Produção de Textos" pelo "UNIBH". Excelente curso, deu-me uma nova visão, mais moderna, do trabalho com a "Língua Portuguesa"direcionado aos meus alunos e não só isso, revi conceitos, entrei em contato com professores - mestre e doutores - de alta qualificação.
À época veio a tona as primeiras denúncias sobre o "Mensalão" do Governo Lula...
Uma das disciplinas cursadas por mim no  referido curso chamava-se "Análise do Discurso" e ao final do estudo tínhamos de produzir um trabalho de análise de textos veiculados na mídia e que refletisse algo que estivesse em voga no momento.
Então, fiz um trabalho de análise comparativa de reportagens sobre o "Mensalão" veiculadas na Revista Veja da época e no jornal "Folha de São Paulo". Em decorrência desse trabalho fui obrigada a estudar com afinco o tema e analisá-lo à luz das teorias estudadas na disciplina "Análise do Discurso".
Orgulho-me de dizer que fiz um belo trabalho a respeito ficando com a nota máxima - 100!
Por interesse meu, porque gosto de acompanhar os fatos políticos e sociais do nosso país, veiculados pela mídia: jornais, revista, rádio e televisão, continuei acompanhando tudo o que dizia respeito a esse episódio lamentável da política brasileira, tendo por protagonistas os componentes do alto escalão do governo Lula.
A ação penal foi aceita pelo Ministério Público, o Supremo Tribunal Federal a acolheu e os réus foram determinados, num total de 38. Todos envolvidos em desvio de dinheiro público para rechear a conta do Partido dos Trabalhadores e para comprar a consciência de parlamentares inescrupulosos que se venderam votando a favor do governo as medidas que lhe interessava ganhar no parlamento da Câmara dos Deputados, principalmente.
No início quase ninguém acreditava que essa Ação chegasse a termo de julgamento. O que ninguém sabia, no entanto, era do caráter imparcial da maioria dos ministros do supremo envolvidos e responsáveis pelo julgamento da Ação 470.
Dentre os ministros, um deles trabalhou mais que os outros - O Ministro Joaquim Barbosa. Responsável pela relatoria do processo, debruçou-se sobre os fatos com responsabilidade, persistência e afinco. Não deu outra. Ganhou quase todos os votos dados por ele; os réus foram julgados e condenados e hoje deu-se por terminada a Ação.
Estou feliz e orgulhosa. O Brasil, finalmente, mostra que está chegando à maturidade. Virou gente grande e, a continuar assim, gente grande e de respeito.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mais Uma Turma que se Vai

Amanhã terei o último contato com os alunos de 2012. Chego ao final dessa etapa com uma sensação estranha; não consigo avaliar a qualidade do trabalho desenvolvido por mim com a turma, no curso do ano letivo, que ora finda.
Desde fevereiro, logo nos primeiros contatos com os alunos, percebi que interagir com eles seria difícil. Um primeiro estranhamento deles para comigo referia-se à minha idade. Tenho 58 anos completos, posso ser avó de todos eles e logo no primeiro dia de aula a pergunta inevitável apareceu: "Fessôra, quantos anos cê tem? E quando disse a minha idade houve um suspiro geral: "Nóooh!
Como este ano não foi diferente do ano que passou, começo a desconfiar que estou sofrendo o preconceito que os idosos sentem, na pele, todos os dias... O de que ser velho é um defeito imperdoável para a nossa sociedade.
O pior é que eu não me sinto velha! Tenho energia para trabalhar, gosto de estar na sala de aula, interajo bem com os pré-adolescentes, minha turma preferida de trabalho. Sempre escolho trabalhar com os alunos de 11/12 anos...
Gosto desse momento de vida deles, que é o do corte do cordão umbilical familiar; vivem o momento da descoberta de que o mundo vai muito além do portão das suas casas; de que o universo é imenso e de que há controvérsias quanto a quem criou o mundo e quanto ao primeiro ser humano que apareceu no planeta.
É o momento mágico de vida para eles ao perceberem que há pessoas de fora do círculo familiar que pensam e dizem coisas diferentes de seus pais.
Gosto de participar desse momento deles de ganhar autonomia, de pensar por conta própria, de descobrir o grupo, de se fazer gente...
Mas percebo a cada ano e este não foi diferente, que os alunos que chegam estão muito dispersos, muito envolvidos consigo mesmos e têm pouco interesse pelas propostas de estudos que a escola lhes oferece. Sequer querem ouvir o que os professores pretendem fazer pedagogicamente falando.
Não ouvindo também não discutem o que lhes é apresentado como tema de estudo. Os mais comprometidos e conscientes do que estão fazendo ali naquela sala de aula, desenvolvem as atividades propostas, sem maiores questionamentos, meio que para "ficar livre daquilo" o mais rápido possível. É comum dizerem assim: "Cabei, fessôra. Que tem mais pra fazer?
Outra parte da turma, aquela que não ouve e não se envolve com nada, continua lá, na sua carteira, pensando se vai se dispor ou não a tirar da mochila o material necessário à aula. Enquanto isso, um outro grupo sequer ocupou o seu espaço na carteira, circula pela sala, fala alto, aborrece um colega aqui, outro ali, não se importa se está ou não atrapalhando àqueles que já estão focados em seus trabalhos de estudo; a professora chamar-lhe a atenção, ou não, não faz a menor diferença; não se importa com isso, quer mesmo é perturbar, atrapalhar, brincar. Nada lhe motiva. Em qualquer trabalho ou atividade seu comportamento é sempre o mesmo e recorrente.
Isso mexe comigo, sempre. Sinto-me frustrada e incompetente ao mesmo tempo. Busco novas estratégias, novas formas de apresentar os conteúdos de estudo; recursos motivadores, assuntos pertinentes a idade deles, Mas nada. Sou e fui vencida, sempre.
Percebi, neste ano, maior afinidade dos alunos com uma professora bem mais jovem que eu, que esteve por algum tempo trabalhando os conteúdos de Arte, e, tempo depois, Educação Física. Embora ela também tivesse dificuldade com a (in)disciplina e o desinteresse de alguns, por acaso, os mesmos que não me "dão bola"...
Então? "É a velhice chegando e eu chegando ao fim"?!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Fiquei sem chão

De novo, mais uma vez e tudo se repete. Listagem do IDEB na mídia e todos ficam apavorados. Como vamos resolver o problema do fracasso dos alunos  das escolas públicas? Procurem os culpados. Quem são?! Perguntam todos. São os professores. Eles não sabem ensinar. Então vamos treiná-los para que aprendam a dar aulas. Aulas mais dinâmicas, mais divertidas, mais desafiadoras para os alunos...
E tome de gastar o dinheiro do FUNDEBE  no pagamento a algum professor do Mestrado, melhor se for do Doutorado para o treinamento, em serviço, dos ignorantes professores.
Dispensar os alunos para que os professores participem das aulas no seu próprio ambiente de trabalho, não pode. Afinal como ficaria o Calendário Letivo, não é mesmo? Além do mais. Com quem ficariam os alunos, já que seus pais saem de casa para o trabalho e só retornam a casa altas horas?
Pensa daqui, pensa dali e... Bingo! Oficinas Pedagógicas.
É as oficinas pedagógicas estão na moda; quem é do meio sabe do que estou falando.
Pois bem. Depois do recreio deixo minha turma com um oficineiro; meus alunos perguntam o que eu vou ficar fazendo enquanto eles participam da oficina e eu lhes respondo que vou aprender a dar aulas de Matemática para eles.
Entro na sala juntamente com minhas colegas de trabalho. A professora convidada está a postos, nos esperando e enquanto isso tenta conectar sua aparelhagem de projeção multimídia. Moderna, ela! Tem mais ou menos a média da idade de todas nós; entre 40 e 50 anos. É simpática; se apresenta, preocupa-se em nos dizer de que lugar ela está falando para nos convencer de que não é uma "estrangeira" entre nós.
Faz um pequeno histórico do ensino da Matemática no mundo; relembra o movimento mundial da Matemática Moderna; desqualifica sutilmente esse período do ensino da disciplina e de alguma forma sugere que o fracasso mundial dos alunos em Matemática em parte se deve àquele movimento, que tinha por finalidade última formar cientistas... Discordo dela, falo da minha experiência e formação nessa época; argumento que a teoria de conjuntos era introdutória e ajudava na concretização e posterior compreensão dos números, ( leitura, escrita, representação, cardinalidade, ordenação, seriação...), mas fui me calando, pois percebi que defendíamos ideias e que ambas tínhamos convicções das quais não abriríamos mão. Calei-me. Porém uma sensação de " já vi esse filme" me invadiu a alma.
De novo! Não! Como na Teoria Construtivista, como na defesa político/filosófica da Escola Plural, dentre tantas outras mudanças, os professores são o elo frágil e sempre perdem. Nós não somos autônomos porque fazemos parte de um Sistema e quando o Sistema quer "manda quem pode e obedece quem tem juízo".
Pena que ainda não existe cadeia para os teóricos de plantão, os pensadores fracassados em seus projetos de alavancar o ensino das escolas públicas brasileiras; caso contrário e não estaríamos nessa peleja até hoje. Penso que no dia em que a academia e afins forem responsabilizados por seus atos... O  ensino/aprendizagem dos alunos tomará outro rumo; o rumo do sucesso.