quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Padrão no Caos

Todos os dias, ao chegar em casa do trabalho, ouço do meu marido aquela pergunta clássica: "E aí, tudo bem? Digo a ele que sim, tudo normal. Então ele pensa que o meu dia foi melhor do que o dia anterior. Explico a ele que não! Trabalho sempre no mais absoluto caos: barulho, conversa, dispersão... Os alunos não conseguem focar no que estão fazendo. Conversam e riem e contam casos e brigam uns com os outros e observam o que se passa fora da sala de aula e copiam as atividades do quadro. Um ou outro participa realmente da aula perguntando, dando opiniões ou dizendo o que já sabe sobre o assunto abordado.
Não importa como estejam dispostos na sala: se em grupo, em dupla ou sozinhos. O comportamento é sempre o mesmo. Ignoram-me, conversam uns com os outros, riem muito e alto e, muitas vezes se agridem verbalmente.
Não há conversa sobre o respeito que se deve ter com o outro, o tratamento respeitoso ao colega, aos funcionários, aos professores... Não há combinados que sejam cumpridos ou recursos que capturem o interesse dos alunos durante as aulas.
Numa turma de 28, como a que tenho atualmente, 1/4 é focado, interessado, responsável, 1/4 não sabe o que está fazendo ali e o restante, dança conforme a música: faz quando é exigido, se não o é, não faz; espera o professor implorar para que tire o caderno, abra o livro, leia o texto, dê uma solução razoável ao problema proposto; capriche no raciocínio para a resolução da atividade do momento.
Na fritada dos ovos, saio da sala de aula, invariavelmente, com a sensação de que sobrevivi a mais um dia de caos.

sábado, 15 de outubro de 2011

Sugestão de Unidade Didática

Tema: O RURAL E O URBANO NA REGIÃO SUDESTE

I- JUSTIFICATIVA

Vivemos em Belo Horizonte, capital de um dos grandes Estados brasileiros, Minas Gerais, pertencente à Região Sudeste do país. São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo também compõem essa mesma região.

Apenas Minas Gerais, dos quatro estados da Região Sudeste, situa-se mais para o interior do Brasil. Os outros são estados litorâneos. Isso os torna muito atrativos, do ponto de vista turístico, porque oferecem o mar e a praia como opção de lazer.

Minas Gerais, estado montanhoso por natureza e interiorano por característica física, representa o que há de mais puro da cultura rural ou do campo. Embora apresente, também, todas as características dos estados desenvolvidos, industrializados e modernos.

Entretanto, como vamos pesquisar para a “Feira de Cultura” desse ano “O Rural e o Urbano” na Região Sudeste, destacaremos alguns elementos do campo e da cidade que predominam nas capitais dos estados da região: Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória.

II- Objetivo Geral
Mostrar, por meio de apresentação de trabalhos, exposição de maquetes e danças características, o resultado das pesquisas feitas sobre o “Rural e o Urbano na Região Sudeste.

III- Objetivos Específicos:

• Pesquisar sobre o que distingue de um modo geral o rural, do urbano.
• Caracterizar a região Sudeste no seu aspecto rural e no seu aspecto urbano.
• Montar uma “Linha de Tempo” que evidencie as transformações no espaço urbano das capitais dos estados da Região Sudeste, nestes últimos 30 anos.
• Montar uma “Linha de Tempo” que evidencie as transformações no espaço rural dos estados da Região Sudeste, nestes últimos 30 anos.
• Pesquisar, ensaiar e mostrar, no dia da “Feira”, as músicas e as danças contemporâneas dos adolescentes e dos jovens que habitam as capitais do Sudeste brasileiro.

IV- Culminância
1) Apresentar e/ou expor os trabalhos de pesquisa sobre “O Rural e o Urbano da Região Sudeste”.

2) Mostrar as danças/músicas contemporâneas da Região, no dia da "Feira de Cultura".

TRABALHO DO ALUNO - ( Preparativo para a montagem dos trabalhos a serem expostos/apresentados)
Tema: O RURAL E O URBANO NA REGIÃO SUDESTE

Trabalho de Pesquisa

Esta pesquisa a ser feita por você nos dará o suporte de que precisamos para organizar os trabalhos que serão expostos e apresentados no dia ... , durante a “Feira de Cultura” da escola. Portanto, faça-o bem feito e com muito entusiasmo. Assim, nossa turma brilhará!

Uma parte da pesquisa poderá ser feita no próprio livro de Geografia, nas páginas 168 a 190 – Unidade 6 – A CIDADE E O CAMPO.

Então, mãos a obra!

Pesquise e responda em folhas retiradas do seu caderno de Geografia. Faça uma capa e ilustre o seu trabalho. Identifique-o, também.

1) Qual é o significado da palavra rural? Pesquise no dicionário.

2) Qual é o significado da palavra urbano? Pesquise no dicionário.

3) Leia com atenção os textos e as ilustrações da unidade 6 do livro de Geografia, páginas 168 a 190. Essa leitura dará a você todos os elementos necessários a organização do seu trabalho e da nossa participação na “Feira de Cultura”.

4) Como o tema do nosso trabalho é “O RURAL E O URBANO NA REGIÃO SUDESTE” , você fará uma pesquisa sobre a “REGIÃO SUDESTE BRASILEIRA”. Utilize para tal: jornais, revistas, livros e a INTERNET.
Atenção!
Para a sua pesquisa sobre a região Sudeste do Brasil, siga o roteiro abaixo.

1) Quais são os Estados que fazem parte da Região Sudeste brasileira?

2) O que caracteriza cada um desses estados: extensão geográfica, população, desenvolvimento econômico, desenvolvimento agrário, religião e formas de lazer.

3) Leia e escreva um pouco sobre cada um dos aspectos citados acima, referentes aos estados de: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

4) Como são as condições de vida (moradia, trabalho, escolas, postos de saúde e lazer) nas capitais desses estados: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Vitória.

5) Quais são os maiores problemas enfrentados por essas cidades, atualmente?

6) É BOM MORAR NA CIDADE? POR QUÊ?
7) É BOM MORAR NO CAMPO? POR QUÊ?

Data de Entrega do trabalho, que deverá ser escrito com letra cursiva e a caneta preta ou azul: ___/___/__

BIBLIOGRAFIA
Projeto Araribá, Geografia, 5ª série, pág.168 a 190
http//www.brasilescola.com/brasil/rural-urbano-sudeste.htm

Professor

Professor

O professor disserta
sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
cansado das canseiras da vida.
O professor vai sacudi-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professor baixa a voz
com medo de acordá-lo.

Autor: ANDRADE, Carlos Drummond
Livro: A Senha do Mundo, pág 41, RECORD.

No "Dia do Professor", que leitura você faz do poema do genial Drummond? Só ele para estar tão atualizado, não?!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Resgate do Ensino de Matematica Fundamental

Estou fazendo mais um curso de formação em serviço, patrocinado pela SMED/PBH (Secretaria Municipal de Ensino/Prefeitura de Belo Horizonte). Desta feita, Matemática. O curso teve seu início em março deste ano e se encerrará em novembro, do mesmo ano.
Logo no primeiro módulo, em março, fiquei surpresa e encantada com o dinamismo e o entusiasmo da professora, Luciana Tenuta. À época, confesso que cheguei à sala de aula um tanto desconfiada de que assistiria a mais uma daquelas aulas que nos impingem para nos convencer de que "a sala de aula é muito chata; o aluno precisa aprender brincando; o aluno da periferia é mais esperto em cálculos do que o aluno rico porque aquele vive na rua e, para se defender aprende a se virar sozinho... E tudo o mais que alguns teóricos do ensino contemporâneo da Matemática defendem  ao mesmo tempo que descartam e criticam o ensino da Matemática centrado numa sequência lógica de conteúdos, uns sendo pré-requisitos para outros. Aliás, pré-requisito, conhecimento prévio, memorização dos fatos ou coisas semelhantes, características do ensino tradicional, foram banidos das intenções pedagógicas desses defensores do ensinar/aprender Matemática brincando, a partir de jogos.
Como tive uma formação de didática em Matemática à moda antiga, nunca me deixei convencer por esses profissionais e sempre mantive minha metodologia de trabalho baseada na necessidade de se ter uma sequência lógica de ensino, partindo-se do concreto para o abstrato, da construção de conceitos a partir daquilo que faz sentido para o aluno, do exercício em sala e em casa, para consolidar o aprendido e da aplicação do conhecimento matemático adquirido, na vida.
Pois bem, a professora Luciana me "pegou" logo "de cara", na primeira aula que assisti. Pensei "essa é das minhas, vou gostar dela"!
E não deu outra. Ela é muito boa! Entusiasmada, sabe onde "o bicho está pegando" para nós professoras e nos deixa confortáveis quando ressalta a necessidade do ensino de conteúdo, sim; quando nos lembra do ensino matemático tendo como perspectivas: o que é vivido pelo aluno; (suas experiências, seus conhecimentos intuitivos da Matemática) o que é percebido por ele, no momento mesmo do desenvolvimento do conteúdo em sala de aula e, finalmente, o que é concebido: o que está registrado no mundo das ideias, dos símbolos matemáticos, dos sinais, dos textos e dos exercícios propostos nos livros didáticos, enfim, do abstrato, do subjetivo em Matemática...
Lindo! Que bom! ...
E, ao mesmo tempo, que triste! Quanto tempo perdemos a partir das "baboseiras" teóricas pouco apreendidas por muitos professores, mas colocadas em prática, do "Construtivismo". Praga que acabou com o ensino organizado, sequenciado, baseado em métodos bem fundamentados, tanto da Leitura e da Escrita, quanto da Matemática fundamental. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Disciplinar ou deixar prá lá?

Há 40 anos milito diretamente na educação. Sou do time que arregaça as mangas e faz. Todos os dias, ainda hoje, lido com pré-adolescentes, em sala de aula.
Um dos maiores dilemas do professor sempre foi o manejo de classe; a disciplina da turma; o o que fazer para manter os alunos ligados na aula; com vontade de estudar; focados, enfim, atentos.
Às vezes dá vontade de desistir; deixar prá lá... "Quer estudar, estuda; não quer não, então não estude"... Mas como perder o controle se em um mesmo grupo há os alunos super interessados, estudiosos, comprometidos. Como ignorar a imaturidade desse, a agressividade daquele, a preguiça do outro, a falta de educação e de respeito destes?
Sou daquelas que sai de casa para trabalhar; com objetivos bem definidos; com atividades organizadas e não gosto de deixar prá lá. Sei o que devo fazer em sala e o que os alunos precisam, relacionado ao estudo do ano escolar, no qual atuo ( o 6º ano).
No entanto, para conseguir levar a bom termo o trabalho planejado faz-se necessário muito empenho, muita energia e segurança no manejo de classe. Determinados alunos, os mais dispersos, os menos comprometidos, os mais rebeldes precisam ser tratados com firmeza, muitas vezes são admoestados e nem sempre aceitam a chamada de atenção...
Hoje mesmo, alguns de meus alunos comentaram que um deles disse "ter pedido ao primo traficante para matar a professora porque ela (eu) o havia xingado. Como assim?! Fiquei surpresa e perplexa ao mesmo tempo. Descobri que eles não entendem a chamada de atenção como um cuidado, como uma preocupação da professora para com o desempenho escolar deles. Como não têm limites, desconhecem o tratamento gentil aos mais velhos, aos pais, aos professores, não aceitam, portanto qualquer forma de reprimenda. Encaram-na como se estivessem sendo agredidos pela professora e a solução é: "Vou pedir meu primo traficante para matar a professora".
Que triste encerrar a minha carreira dessa forma; morta porque quis o bem do aluno; preocupou-se com ele; fez de tudo para que ele participasse da aula com interesse, qualidade e foco, que resulta em aprendizagem.

domingo, 11 de setembro de 2011

Nossas Perdas no Governo de Esquerda

Leio no "O TEMPO" de ontem a seguinte manchete: "Reajuste de até 24% a servidores é aprovado". No corpo da matéria está dito, dentre outras coisas, que o reajuste do professor do ensino fundamental e médio, cujo salário base atual é de R$1.500,00, passará a ser de R$1.800,00 pagos em quatro parcelas sendo a última a ser paga em novembro de 2.012.
Fiquei pensando cá com os meus botões e com minhas lembranças de professora atuante na Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte, desde o ano de 1976.
O período de 70 a 90, duas décadas portanto, foi marcado pelos movimentos grevistas país afora, particularmente no setor público e mais específico ainda no setor da educação. Diziam-nos os nossos brilhantes líderes sindicais, o Senhor Luiz Dulce, um deles, de que deveríamos parar pela " democratização e melhoria do ensino público; pela melhoria dos nossos salários; pela melhoria das nossas condições de trabalho". Essas foram bandeiras constantes das inúmeras e longuíssimas greves do período. Na opinião do Sindicato, os governos à época eram de "direita" e, portanto, não se interessavam pela melhoria da educação pública, porque tinham o interesse de que o "povão" permanecesse ignorante e assim continuar sendo manipulado e blá, blá, blá...
Pois bem, na administração municipal pré -PT conseguimos, a partir dos movimentos grevistas: equiparação salarial, ou isonomia salarial entre os professores e profissionais da educação habilitados (havia uma diferença salarial enorme entre aqueles que atuavam no ensino fundamental 1ª a 4ª séries e os que atuavam de 5ª a 8ª e no ensino médio); reajuste salarial com referência no valor do salário mínimo; o cálculo passou a ser com base no valor de seis salários mínimos para os professores e outros profissionais graduados do ensino fundamental e médio; (se o cálculo do nosso salário ainda fosse conforme a referência citada acima estaríamos agora com um salário base de no mínimo R$3.000,00).
No pré-PT, as escolas municipais contavam ainda com total autonomia de gestão pedagógica e administrativa pois, bastava que a escola apresentasse à Secretaria Municipal de Educação o seu "Projeto Político Pedagógico" para, se aprovado, desenvolver as atividades propostas com o total apoio da Secretaria - apoio financeiro, logístico, material e profissional - . As escolas contavam também com a presença efetiva de outros profissionais, tais como: psicólogos, orientadores educacionais, supervisores pedagógicos, assistentes sociais, médicos pediatras, dentistas, profissionais que davam apoios específicos para as atividades das bibliotecas das escolas e para as aulas de Artes e de Educação Física.
Tudo isso se foi na administração petista. Para nos desvincularmos do cálculo salarial com base nos seis salários mínimos "ganhamos" de cara 200% de aumento na administração Patrus. A partir daí, nenhum aumento real de salário até o presente momento. Pelo contrário, só tivemos perdas. De salário, de autonomia na organização pedagógica e administrativa ,(Período Escola Plural) de auto-estima; de identidade; de reconhecimento do nosso valor.
Hoje, convivemos com a "Escola Integrada" que tirou o restinho do que tínhamos de recursos e de espaço dentro da própria escola. Laboratório de Informática, Biblioteca, Quadra de Esportes... Tudo isso é da escola integrada. Não mais temos tempo, fora da sala de aula, para planejar e organizar o nosso trabalho, porque existem professoras por conta da "Intervenção Pedagógica" aos alunos com defasagem de conteúdos e essas professoras não entram no rodízio da substituição dos professores que faltam ao trabalho por motivos vários e com frequência. Portanto, nos tornamos, além de professoras da turma, professoras substitutas. Aliás, as professoras de "Intervenção Pedagógica" recebem pronto todo o material e todas as aulas a serem repassadas aos alunos atendidos por elas e, uma vez por semana, saem da escola para encontros, cursos e planejamentos aos quais, nós professoras referenciais das turmas do ensino regular, não temos acesso. Nos tornamos também funcionárias da burocracia da escola. Após a organização, a aplicação e a correção, mesmo sem tempo previsto para tal, das provas trimestrais formais e exigidas pela Prefeitura, somos nós que lançamos essas notas no Sistema da INTRANET/PBH. Pode?!
E o salário, oh! Metade do que deveria ser. Pior, a ser completado só em novembro de 2012! Ah! Tem mais. Os aposentados não terão direito à paridade salarial com os ativos. Algo que já estava assegurado por Lei.

domingo, 28 de agosto de 2011

Escola Pública X Escola Particular

O Editorial da Folha de hoje, intitulado "Tempo Perdido", ressalta o resultado a que chegou uma pesquisa em 250 escolas brasileiras, públicas e particulares, realizada pelo movimento "Todos pela Educação". Comenta a "Folha" que a prova ABC avaliou 6.000 alunos que concluíram o 3º ano, (antiga 2ª
série do Ensino Fundamental) em todas as capitais do país. Destaca que "pesquisa sobre nível de alunos no ensino básico mostra desigualdade alarmante entre escolas públicas e particulares.
Segundo o editorial, dos conteúdos avaliados: cálculo de troco, diferença entre triângulo e retângulo, identificação do tema de um texto simples, leitura das horas em relógio de ponteiro, dentre outros, a distância entre os resultados dos alunos das escolas públicas em relação aos alunos das escolas particulares é enorme. Segue-se o texto com a exposição comparativa entre os resultados dos dois sistemas de ensino.
Como era de se esperar, os alunos das escolas públicas saíram-se mal em todas as questões avaliadas e numa diferença acentuada. Por qual motivo? É a pergunta imediata.
Tenho para mim que, com certeza, não entra como variável a inteligência. Ambos os grupos são dotados de tal característica. O que se pode levantar, então, como hipóteses para esse problema?
Preparo dos professores? Lembrando que o teste foi aplicado em todas as capitais brasileiras, suponho que tanto professores das escolas particulares quanto os professores da escola pública passaram pelo mesmo processo de formação, as universidades e faculdades das respectivas capitais; passaram ainda, por concursos, ao serem admitidos para o trabalho nas escolas.
Vamos pensar nos alunos: os das escolas particulares são admitidos mediante teste de seleção; os das escolas públicas, não. Ao selecionar o aluno, via teste, a escola particular consegue uma certa homogeinização das turmas quanto ao conhecimento prévio necessário ao acompanhamento das aulas segundo o ano de estudo. Na escola pública existe essa seleção, porém após matrícula e, há ainda a crença de que as turmas devem ser heterogêneas, pois isso impede a formação de turmas fracas, médias e fortes numa mesma escola evitando-se, dessa forma, a discriminação do aluno fraco, ou com defasagem conteúdo/ano de estudo.
Quanto a organização pedagógica das escolas: acredito que há um compromisso maior, nessa organização, da escola particular; a escola pública experimenta mais as metodologias de ensino em voga e, de certa forma, torna-se um "laboratório" para o ensino privado. O que da certo no ensino público o ensino privado adota, assimila, atualiza e adapta aos recursos e estrutura física e material das suas escolas.
As famílias das escolas particulares participam, embora não tanto quanto deviam, mais da vida escolar do filho, cobra mais da escola e do filho os resultados esperados, antes que se chegue ao estado do não-aprendizado.
Na escola pública há ausência das famílias na vida escolar dos filhos, ausência de motivação de boa parte dos alunos para cumprir o papel de aluno efetivo, ausência de organização pedagógica - várias ideias a respeito do ensino/aprendizagem circulam entre os professores vindas de todos os lados: das faculdades, das secretarias de educação, dos cursos de treinamentos em serviço, mas poucas são adotadas e trabalhadas com persistência por um dado período até se ter certeza se valem a pena ou não. Fica-se no ensaio-e-erro, ou no "empurrar com a barriga", ou pior ainda, no tomar decisões pedagógicas sem convicção, ao bel prazer da política pública da instituição mantenedora da escola: secretarias estaduais ou municipais de educação. Ora é uma ideologia que está em vigor, ora outra e ninguém se entende...
Há alguma dúvida do porquê do resultado da pesquisa? E isso é só uma pincelada do que pode fazer a diferença entre os dois sistemas educacionais do país -  o público e o privado.