sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pode?!

Hoje recebi pela manhã um telefonema da vice-diretora da escola onde trabalho. Ela queria saber se eu estava me comunicando com os meus alunos pelo MSN e colocando-os contra a professora que está me substituindo. Estou em licença médica, por causa de uma cirurgia no ombro, que fiz em final de setembro.
Confesso que enquanto a ouvia, não acreditava no que estava ouvindo!
Sou professora na escola há 16 anos. Há trinta e quatro trabalho na RME;fui supervisora pedagógica por 17 anos, diretora de escola por 4 anos e, nos últimos 16 anos sou professora de alunos pré-adolescentes. Só trabalho com essa faixa etária e, por isso, já me considero uma especialista  em pré-adolescentes. Eles são, no geral, inquietos , espertos, questionadores; gostam de estudar, mas não aceitam qualquer trabalho; testam os professores, mas apreciam a disciplina objetiva e o professor que tem manejo de classe.
Não gostam e não aceitam ser injustiçados por atos cometidos em sala de aula, o que exige do professor atenção permanente às atitudes de todos. Assim, quando são chamados a atenção com veemência pelo professor, entendem e não se sentem ofendidos.
Caso contrário, "o bicho pega".
Pelo que eu entendi, é o que vem acontecendo com minha turma.
E a direção administrativa e pedagógica da  escola não só não está sabendo lidar com a situação, como acha que eu, em casa e em difícil e dolorosa recuperação de uma cirurgia de reconstituição de tendão, vou me dar à falta de ética profissional de entrar em contato com meus alunos, por qualquer meio de comunicação que seja, para insuflá-los contra a professora que está me substituindo...
Pode uma coisa dessa?!
Nessa altura do campeonato e da minha vida profissional...
Eu mereço!!!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dor e Decepção

Hoje faz trinta dias da cirurgia do ombro direito que fiz. Estou sentindo muita dor. Fui ao médico, ele me disse que daqui prá frente devo ficar sem a tipóia. Vou iniciar um programa intensivo de fisioterapia. Parece que minha recuperação total depende única e exclusivamente de mim e da minha persistência na fisoterapia.
Confesso que estou um tanto ao quanto desanimada. Sinto-me, hoje, infinitamente pior fisicamente do que me sentia antes da cirurgia. Segundo o médico é assim mesmo, o pós-cirúrgico é mais complicado do que a cirurgia em si, mas uma coisa é ouvir o médico dizer isso antes da cirurgia e outra bem diferente é experimentar, vivenciar o que foi dito.
Meu braço está "pesado", dolorido e não consigo fazer os mesmos movimentos que fazia antes da cirurgia, embora com dor.
Segundo o médico, somente a fisioterapia bem feita e o pós-operatório cuidadoso, da minha parte, é que resultará, daqui a três meses, mais ou menos, em recuperação total dos movimentos e ausência de dor.
Agora entendo o porquê de uma licença médica de três meses. Cheguei a pensar que poderia voltar a trabalhar com minha turma ainda neste ano, mas já me conformei, "joguei a toalha, entreguei prá Deus".
Resta-me fazer a fisioterapia conforme o indicado, dar tempo ao tempo e me recuperar bem para um retorno ao trabalho em 2011.
Em tempo, mesmo recém-operada e com o braço na tipóia, participei do primeiro dia do "Congresso de Alfabetização, Leitura e Produção de Texto".
Senti muita dor e desconforto o dia todo. Não consegui voltar no domingo, dia 24. Portanto, fiz somente a primeira parte, não dei conta de segunda. Um dó!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

De "molho"

Estou em casa, de licença médica desde o dia 27 de setembro. Fiz uma cirurgia no ombro direito, porque tive uma  ruptura de tendão, talvez provocada por movimentos repetitivos combinados com a degeneração natural dos tendões, em consequência da idade. Embora eu tenha 56 anos, segundo o médico que me operou, essa idade ainda não justifica uma degenação de tecido tão séria a ponto de romper, mas pode ter sido o meu caso.
Enfim, já fiz a cirurgia, estou em casa sofrendo as dores e o desconforto de ficar com o braço na tipóia 24h.
A recuperação é lenta e a fisioterapia, daqui a um mês, é que definirá o rumo da minha recuperação total de movimentos com o braço direito e a ausência de dor.
Enquanto isso, estou passando os dias como posso: fazendo o que dá para fazer só com a mão esquerda, tomando os remédios e os cuidados recomendados pelo médico, lendo "1822" do Laurentino
Gomes, lendo jornal, revista, ouvindo rádio, ( a CBN ) vendo televisão.
Sinto pena de não poder terminar o trabalho com a minha turma deste ano e...
Estou esperando, torcendo e fazendo campanha para a vitória do SERRA.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Velhos Problemas/Velhas Práticas

A PBH implantou na Rede a velha fórmula da "Recuperação Paralela" pinçada lá dos anos 80/90. Porém, sem a organização escolar que tínhamos à época.
Hoje, trabalho com uma turma de 28 alunos. Estes serão avaliados em três períodos distintos ao longo do ano letivo. Duas dessas etapas avaliativas já ocorreram. No momento estou para concluir a 2ª etapa. A semana das avaliações formais já aconteceu e, teoricamente, estamos em pleno processo da "Recuperação Paralela".
Essa "Recuperação" deve ser ministrada pela professora referencial da turma ao mesmo tempo em que o ano letivo e suas atividades programadas segue o seu curso.
Então, a coisa funciona mais ou menos assim: até o final do mês de setembro, devo recuperar os meus alunos que estão abaixo dos cinquenta por cento de aproveitamento pedagógico e, ao mesmo tempo, continuar com o trabalho previsto para o período, referente aos conteúdos de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Ciências. Ah! Já ia me esquecendo. Sou professora generalista, ou seja: embora habilitada em Letras, portanto ápta a trabalhar os conteúdos de "Língua Portuguesa", devo trabalhar tal e qual, os conteúdos específicos para o 6º Ano do Ensino Fundamental de: Matemática, Geografia, História e Ciências. E, fazer a "Recuperação" dos alunos abaixo da média nas avaliações ocorridas.
Minha rotina consiste em trabalhar das 7h às 11h30min com a turma, os conteúdos de ensino já citados e, sempre que for necessário, substituir as colegas faltosas no meu turno de trabalho, fato esse por demais corriqueiro. O diferente é a escola funcionar com todos os professores presentes.
A responsabilidade de substituir o colega faltoso, tira-me a oportunidade do cumprimento do plano de ação pedagógica com a turma para a qual fui designada a trabalhar todos os dias. Como as faltas dos colegas são frequentes, frequentemente, também, deixo de fazer o planejado para a minha turma, porque tenho que cobrir a falta de um colega. Com isso, fica inviabilizado todo e qualquer tipo de trabalho previamente e minamente organizado.
E os alunos da "Recuperação Paralela"? Continuam como dantes no setor de abrantes... E a propaganda oficial, o que mostra? Uma linda e plácida escola, com alunos felizes, estudando e recuperando tudo o que não conseguiram aprender durante o curso normal das aulas...
Me engana que eu gosto, tá?!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Formação Continuada

Fiz, hoje, minha inscrição para participar do " I Congresso Brasileiro de Alfabetização, Letramento, Leitura e Produção de Textos". O Congresso acontecerá nos dias 23 e 24 de outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Os palestrantes serão:
Ana Maria Kaufman - da Argentina;
Alessandra Latalisa (DOCA) - MG;
Fernando Capovilla - SP;
Geraldo de Almeida - PR;
Leda Maria Braga Tomitch - PR;
Lucília Panisset - MG;
Maria Cecília de Oliveira Micotti - SP;
Mariângela Stampa - RJ;
Roxane Rojo - SP;
Sandra Bozza - PR;
Sílvia Gasparian Colello - SP;
Simaia Sampaio - BH.
O destaque do Congresso é de Ana Maria Kaufman, por ser, acredito eu, a presença internacional.
Ela é da Argentina. Pobres de nós tupiniquins!
Na conferência de abertura haverá a abordagem do tema: alfabetização, distúrbios de aprendizagem ou equívocos de encaminhamentos metodológicos.
Professora há mais de trinta anos que sou, aposto nos "equívocos de encaminhamentos metodológicos". Ao término de uma pós-graduação em "Leitura e Produção de Textos" tive a oportunidade de fazer uma pesquisa de campo em cinco escolas da Rede de Ensino na qual atuo e pude constatar que os professores alfabetizadores atuais dominam teoricamente o que é ler/escrever, mas desconhecem ou não adotam qualquer metodologia de ensino que organize minimamente o processo ensino aprendizagem da leitura e da escrita em seus trabalhos diários.
Algumas se disseram até orgulhosas por não seguirem nenhum método de alfabetização dizendo que o método que seguem é o delas próprias, e/ou que fazem uma mistura de todos eles ao "bel prazer".
Desconfio de que, não por acaso, os alunos apresentem tantas defasagens nos seus processos de ler/escrever.
Enfim, vamos ao Congresso! E por conta própria. Isso é Brasil...











quarta-feira, 7 de julho de 2010

Explosão de sentimentos

O professor é provavelmente o único profissional que pede licença ao seu público-alvo para trabalhar. Ele está ali para cumprir um papel profissional, tem metas e objetivos a realizar, programa de ensino a desenvolver e, no entanto, todos os dias, precisa "pedir licença" aos alunos para fazer a aula planejada.
Os pais, nossos patrões, contratadores do nosso trabalho, entregam-nos os filhos e durante todo o ano letivo raramente aparecem espontaneamente para verificar se o nosso trabalho com e para os filhos deles está a contento. Nunca se interessam, não questionam e quando são convocados pela escola que já não sabe mais o que fazer com o filho/aluno que não quer estudar, que briga o tempo todo, que desacata a quem quer que seja,se satisfazem em passar para a escola a responsabilidade por aquele comportamento destemperado do filho, quando não dizem assim: "Oh! Dona. Pode bater nele, põe de castigo! Tira o recreio dele... Eu também não sei o que fazer com esse menino".
Como o professor não é psicólogo, não é assistente social, não é médico e muito menos mágico, fica o dito pelo não dito e o embate árduo, insano entre professor aluno se perpetua em sala de aula, todos os dias! Até quando?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cidade Educadora

No mês em curso tive a chance de fazer com minha turma três exclentes passeios: Museu de Ciências Naturais da PUC/MG, Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação de BH e Hospital Sara Kubsthcheck também na Capital Mineira.
Trata-se de um trabalho complementar aos estudos feitos em sala de aula e de inestimável valor.
Nos dois museus e no hospital tivemos um tratamento de primeira: monitores bem treinados e seguros; aulas ricas e práticas de temas tão variados quanto significativos dos estudos que vimos desenvolvendo em sala-de-aula.
Os alunos vibravam a cada descoberta, a cada apresentação dos objetos expostos.
No Sara, o tratamento foi o de choque. O tema da palestra "Prevenção de Acidentes" não poderia ser mais adequado a alunos de 11/12 anos, plenos de energia, vitalidade e falta de cuidado com o próprio corpo.
Por meio de um excelente material audio-visual , a palestrante apresentou aos alunos os dez principais eventos causadores de acidentes e lesões no cérebro e na coluna espinhal. Alternou explicações mais técnicas aos depoimentos dos pacientes do Sara, vítimas dos acidentes destacados na palestra.
Depoimentos fortes, graves, sinceros e convincentes.
Valeu! Recomendo.