quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dor e Decepção

Hoje faz trinta dias da cirurgia do ombro direito que fiz. Estou sentindo muita dor. Fui ao médico, ele me disse que daqui prá frente devo ficar sem a tipóia. Vou iniciar um programa intensivo de fisioterapia. Parece que minha recuperação total depende única e exclusivamente de mim e da minha persistência na fisoterapia.
Confesso que estou um tanto ao quanto desanimada. Sinto-me, hoje, infinitamente pior fisicamente do que me sentia antes da cirurgia. Segundo o médico é assim mesmo, o pós-cirúrgico é mais complicado do que a cirurgia em si, mas uma coisa é ouvir o médico dizer isso antes da cirurgia e outra bem diferente é experimentar, vivenciar o que foi dito.
Meu braço está "pesado", dolorido e não consigo fazer os mesmos movimentos que fazia antes da cirurgia, embora com dor.
Segundo o médico, somente a fisioterapia bem feita e o pós-operatório cuidadoso, da minha parte, é que resultará, daqui a três meses, mais ou menos, em recuperação total dos movimentos e ausência de dor.
Agora entendo o porquê de uma licença médica de três meses. Cheguei a pensar que poderia voltar a trabalhar com minha turma ainda neste ano, mas já me conformei, "joguei a toalha, entreguei prá Deus".
Resta-me fazer a fisioterapia conforme o indicado, dar tempo ao tempo e me recuperar bem para um retorno ao trabalho em 2011.
Em tempo, mesmo recém-operada e com o braço na tipóia, participei do primeiro dia do "Congresso de Alfabetização, Leitura e Produção de Texto".
Senti muita dor e desconforto o dia todo. Não consegui voltar no domingo, dia 24. Portanto, fiz somente a primeira parte, não dei conta de segunda. Um dó!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

De "molho"

Estou em casa, de licença médica desde o dia 27 de setembro. Fiz uma cirurgia no ombro direito, porque tive uma  ruptura de tendão, talvez provocada por movimentos repetitivos combinados com a degeneração natural dos tendões, em consequência da idade. Embora eu tenha 56 anos, segundo o médico que me operou, essa idade ainda não justifica uma degenação de tecido tão séria a ponto de romper, mas pode ter sido o meu caso.
Enfim, já fiz a cirurgia, estou em casa sofrendo as dores e o desconforto de ficar com o braço na tipóia 24h.
A recuperação é lenta e a fisioterapia, daqui a um mês, é que definirá o rumo da minha recuperação total de movimentos com o braço direito e a ausência de dor.
Enquanto isso, estou passando os dias como posso: fazendo o que dá para fazer só com a mão esquerda, tomando os remédios e os cuidados recomendados pelo médico, lendo "1822" do Laurentino
Gomes, lendo jornal, revista, ouvindo rádio, ( a CBN ) vendo televisão.
Sinto pena de não poder terminar o trabalho com a minha turma deste ano e...
Estou esperando, torcendo e fazendo campanha para a vitória do SERRA.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Velhos Problemas/Velhas Práticas

A PBH implantou na Rede a velha fórmula da "Recuperação Paralela" pinçada lá dos anos 80/90. Porém, sem a organização escolar que tínhamos à época.
Hoje, trabalho com uma turma de 28 alunos. Estes serão avaliados em três períodos distintos ao longo do ano letivo. Duas dessas etapas avaliativas já ocorreram. No momento estou para concluir a 2ª etapa. A semana das avaliações formais já aconteceu e, teoricamente, estamos em pleno processo da "Recuperação Paralela".
Essa "Recuperação" deve ser ministrada pela professora referencial da turma ao mesmo tempo em que o ano letivo e suas atividades programadas segue o seu curso.
Então, a coisa funciona mais ou menos assim: até o final do mês de setembro, devo recuperar os meus alunos que estão abaixo dos cinquenta por cento de aproveitamento pedagógico e, ao mesmo tempo, continuar com o trabalho previsto para o período, referente aos conteúdos de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Ciências. Ah! Já ia me esquecendo. Sou professora generalista, ou seja: embora habilitada em Letras, portanto ápta a trabalhar os conteúdos de "Língua Portuguesa", devo trabalhar tal e qual, os conteúdos específicos para o 6º Ano do Ensino Fundamental de: Matemática, Geografia, História e Ciências. E, fazer a "Recuperação" dos alunos abaixo da média nas avaliações ocorridas.
Minha rotina consiste em trabalhar das 7h às 11h30min com a turma, os conteúdos de ensino já citados e, sempre que for necessário, substituir as colegas faltosas no meu turno de trabalho, fato esse por demais corriqueiro. O diferente é a escola funcionar com todos os professores presentes.
A responsabilidade de substituir o colega faltoso, tira-me a oportunidade do cumprimento do plano de ação pedagógica com a turma para a qual fui designada a trabalhar todos os dias. Como as faltas dos colegas são frequentes, frequentemente, também, deixo de fazer o planejado para a minha turma, porque tenho que cobrir a falta de um colega. Com isso, fica inviabilizado todo e qualquer tipo de trabalho previamente e minamente organizado.
E os alunos da "Recuperação Paralela"? Continuam como dantes no setor de abrantes... E a propaganda oficial, o que mostra? Uma linda e plácida escola, com alunos felizes, estudando e recuperando tudo o que não conseguiram aprender durante o curso normal das aulas...
Me engana que eu gosto, tá?!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Formação Continuada

Fiz, hoje, minha inscrição para participar do " I Congresso Brasileiro de Alfabetização, Letramento, Leitura e Produção de Textos". O Congresso acontecerá nos dias 23 e 24 de outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Os palestrantes serão:
Ana Maria Kaufman - da Argentina;
Alessandra Latalisa (DOCA) - MG;
Fernando Capovilla - SP;
Geraldo de Almeida - PR;
Leda Maria Braga Tomitch - PR;
Lucília Panisset - MG;
Maria Cecília de Oliveira Micotti - SP;
Mariângela Stampa - RJ;
Roxane Rojo - SP;
Sandra Bozza - PR;
Sílvia Gasparian Colello - SP;
Simaia Sampaio - BH.
O destaque do Congresso é de Ana Maria Kaufman, por ser, acredito eu, a presença internacional.
Ela é da Argentina. Pobres de nós tupiniquins!
Na conferência de abertura haverá a abordagem do tema: alfabetização, distúrbios de aprendizagem ou equívocos de encaminhamentos metodológicos.
Professora há mais de trinta anos que sou, aposto nos "equívocos de encaminhamentos metodológicos". Ao término de uma pós-graduação em "Leitura e Produção de Textos" tive a oportunidade de fazer uma pesquisa de campo em cinco escolas da Rede de Ensino na qual atuo e pude constatar que os professores alfabetizadores atuais dominam teoricamente o que é ler/escrever, mas desconhecem ou não adotam qualquer metodologia de ensino que organize minimamente o processo ensino aprendizagem da leitura e da escrita em seus trabalhos diários.
Algumas se disseram até orgulhosas por não seguirem nenhum método de alfabetização dizendo que o método que seguem é o delas próprias, e/ou que fazem uma mistura de todos eles ao "bel prazer".
Desconfio de que, não por acaso, os alunos apresentem tantas defasagens nos seus processos de ler/escrever.
Enfim, vamos ao Congresso! E por conta própria. Isso é Brasil...











quarta-feira, 7 de julho de 2010

Explosão de sentimentos

O professor é provavelmente o único profissional que pede licença ao seu público-alvo para trabalhar. Ele está ali para cumprir um papel profissional, tem metas e objetivos a realizar, programa de ensino a desenvolver e, no entanto, todos os dias, precisa "pedir licença" aos alunos para fazer a aula planejada.
Os pais, nossos patrões, contratadores do nosso trabalho, entregam-nos os filhos e durante todo o ano letivo raramente aparecem espontaneamente para verificar se o nosso trabalho com e para os filhos deles está a contento. Nunca se interessam, não questionam e quando são convocados pela escola que já não sabe mais o que fazer com o filho/aluno que não quer estudar, que briga o tempo todo, que desacata a quem quer que seja,se satisfazem em passar para a escola a responsabilidade por aquele comportamento destemperado do filho, quando não dizem assim: "Oh! Dona. Pode bater nele, põe de castigo! Tira o recreio dele... Eu também não sei o que fazer com esse menino".
Como o professor não é psicólogo, não é assistente social, não é médico e muito menos mágico, fica o dito pelo não dito e o embate árduo, insano entre professor aluno se perpetua em sala de aula, todos os dias! Até quando?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cidade Educadora

No mês em curso tive a chance de fazer com minha turma três exclentes passeios: Museu de Ciências Naturais da PUC/MG, Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação de BH e Hospital Sara Kubsthcheck também na Capital Mineira.
Trata-se de um trabalho complementar aos estudos feitos em sala de aula e de inestimável valor.
Nos dois museus e no hospital tivemos um tratamento de primeira: monitores bem treinados e seguros; aulas ricas e práticas de temas tão variados quanto significativos dos estudos que vimos desenvolvendo em sala-de-aula.
Os alunos vibravam a cada descoberta, a cada apresentação dos objetos expostos.
No Sara, o tratamento foi o de choque. O tema da palestra "Prevenção de Acidentes" não poderia ser mais adequado a alunos de 11/12 anos, plenos de energia, vitalidade e falta de cuidado com o próprio corpo.
Por meio de um excelente material audio-visual , a palestrante apresentou aos alunos os dez principais eventos causadores de acidentes e lesões no cérebro e na coluna espinhal. Alternou explicações mais técnicas aos depoimentos dos pacientes do Sara, vítimas dos acidentes destacados na palestra.
Depoimentos fortes, graves, sinceros e convincentes.
Valeu! Recomendo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Inclusão

Toda escola pública e/ou particular, por força de Lei, não pode deixar de receber os alunos deficientes de qualquer natureza. Pelo que sei, o aluno com necessidades especiais da escola particular, participa normalmente das turmas regulares, mas conta com todo o suporte do qual necessita para participar eficazmente das aulas: fono, tradutor de libra ou braile, psicólogo, terapeuta, pediatra e o professor da turma, dentre outros aparatos necessários, ou melhor imprescindíveis ao bom desempenho pedagógico do aluno.
Na escola pública tal não acontece. Há dois anos contávamos com professores-estagiários que nos davam suporte, atendendo pessoalmente ao aluno deficiente. Isso nos dava tranquilidade para desenvolver o pedagógico desse aluno, pois sabíamos que o estagiário o atenderia particularmente, deixando-nos tranquilos para seguir com as orientações e atividades dos outros alunos.
No momento, nem esse suporte temos mais. Ou melhor, só contamos conosco mesmos.
Sou professora de uma aluna portadora da "Síndrome de Down". Ela tem 12 anos, faz parte do grupo desde os 6 anos de idade. Percebo que ela não interage com o grupo apesar da longa convivência. Mas, comporta-se em sala de aula como os colegas; já assimilou todo o ritual da rotina pedagógica de uma sala de aula: entrar em fila, encontrar o seu lugar, portar mochila com livros, cadernos, lápis e outros objetos; prestar atenção às orientações e explicações dadas; fazer trabalhos ora usando cadernos, ora textos xerocados, ora registros escritos dos assuntos abordados. Ela "faz" tudo como os outros, mas não demonstra nenhuma consciência do que faz. Seu registro é a partir de garatujas, não lê, não se interessa pelos assuntos discutidos em sala, não conversa com os colegas, no recreio permanece sempre isolada, mas sobe e desce, sem ajuda as escadas, vai até ao banheiro sozinha, reconhece todas as professoras e funcionários da escola pelos nomes, sabe o que fazem, qual é a função de cada um.
Não se interessa pelas histórias infantis contadas e/ou lidas em sala; gosta de dançar e de brincar de boneca. Identifica os nomes dos colegas, mas não os lê, ela reconhece boa parte desses nomes, porque  as fichas foram personalisadas, ou seja, além do nome escrito em letra grande e cursiva, cada aluno fez um trabalho de "enfeitar" o próprio nome; assim ela os reconhece pelo visual colorido e pelo desenho diferente em cada ficha. Essa tarefa foi dada a ela por mim, num rasgo de luz, pois sentia-me e sinto-me angustiada por não conseguir fazer quase nada por ela,  no aspecto pedagógico do ensino de conteúdo.
Minha escola será núcleo para o recebimento e o acompanhamento especializado e personalisado aos alunos portadores de deficiências, da região, porém fui informada de que o atendimento não se estenderá ao aluno com "Síndrome de Down". Explicaram-me, mas não entendi o por quê disso.
Enfim, seguiremos em frente, da melhor forma possível, porém conscientes de que "há algo de estranho na inclusão do aluno pobre às turmas regulares das escolas públicas".