segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

De volta ao começo

Dia primeiro de fevereiro de 2.010 estarei novamente atuando profissionalmente. Fiquei durante seis meses em casa, gozando um período de férias-prêmio e retorno ao meu trabalho em fevereiro.
Estou preocupada, mas ao mesmo tempo desejando esse retorno. Quero conhecer,desde já, meus novos alunos. Pretendo fazer um excelente trabalho com eles; quero inovar, fazer diferente.
Penso estimulá-los a participar ativamente das aulas e buscar, a partir das necessidades deles, os melhores projetos de estudo para o ano de 2.010.
Vamos lá!
Em tempo: Ainda não defini se vou atuar no "Projeto Aceleração de Estudos", parceria da PBH com a "Fundação Roberto Marinho".
Tudo está dependendo de eu conseguir organizar uma turma de pais dos alunos da escola que não terminaram o ensino fundamental. Caso consiga, então trabalharei com eles à noite e pela manhã com meus alunos do ensino matutino, meu turno de lotação na Escola.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Projeto Aceleração de Estudos II

Ainda não consegui me encaixar no Projeto Aceleração de Estudos da PBH/FRM.
O que competia à Fundação Roberto Marinho, 1ª etapa, já foi realizado dentro do programado, mas a parte da Prefeitura de Belo Horizonte (SMED) ainda está capengando, principalmente na organização das turmas do projeto.
Os alunos estão sendo convocados, para que se organizem em turmas de no mínimo 20 e no máximo 35 alunos.
Até onde sei, 90 turmas já estão funcionando e fazendo a etapa chamada de "Integração", para, em fevereiro, iniciarem-se as teleaulas, ou seja, os estudos propriamente ditos.
Enquanto isso, alunos continuam sendo convocados... Soube de professores percorrendo, pessoalmente as comunidades, para listarem seus alunos!
Não consigo entender o por quê desses alunos não serem convocados diretamente pela Prefeitura,via Televisão, propaganda no rádio ou algo similar.Por que recorrer a carta e/ou lista feita de porta-em-porta, em pleno século XXI?!
Pudores ideológicos? Será?!
A Prefeitura Socialista tem vergonha de assumir abertamente a parceria que fez com a iniciativa privada, no campo da Educação? Será que é porque está associada a um Projeto que deu certo e que não surgiu da cabeça dos grandes pensadores progressistas de plantão no ensino público?
Será que é por isso que tudo vem sendo feito sem muita divulgação?!
Se for, pobres dos alunos, público-alvo da iniciativa. Talvez percam a oportunidade de resolver de vez  o problema que têm da não completude do ensino fundamental, o que lhes impede  prosseguir nos estudos, fazer um curso técnico-profissionalizante, ou mesmo o ensino médio e o superior. E tudo isso, por falta de informação e por pudores ideológicos fora de moda...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Projeto Aceleração de Estudos

Conforme o prometido, fiquei de dar notícias a respeito do "Curso de Formação de Professores",  advindo da parceria PBH/Fundação Roberto Marinho, denominado "Projeto de Aceleração de Estudos".
Esse Projeto está direcionado a todas as pessoas que, por um motivo ou outro, ainda não concluíram seus estudos e, portanto, não possuem o certificado referente à conclusão do "Ensino Fundamental" e/ou "Ensino Médio". Participam do projeto todos os que atendem às condições descritas anteriormente, e que têm idade superior a 15 anos.
Interessei-me pelo Projeto, como professora da Rede Municipal que sou. Por isso, fiz minha inscrição.
Foi uma experiência espetacular!
A Equipe de professores/educadores da Fundação Roberto Marinho conseguiu, a meu ver, dar forma e tornar possíveis e factíveis as teorias educacionais em voga, bem como as propostas e concepções de ensino/aprendizagens, oriundas dos "Parâmetros Curriculares Nacionais".
Há uma metodologia de trabalho  bem delineada, centrada no aluno -  sujeito do seu processo de estudo - mediada pelo professor e equipe pedagógica da Fundação.
Os recursos pedagógicos vêm dos textos extraídos das diversas literaturas  disponíveis e perfeitamente adaptados à linguagem televisiva, dentre outros recursos conhecidos pelos professores.
Diariamente, a rotina de sala de aula se desenvolve a partir da "Roda de Conversas", com equipes de trabalhos (alunos do projeto) previamente definidas, nas suas funções específicas tais como: coordenação, socialização, síntese e avaliação das atividades de estudos realizadas e a se realizarem.
Após a apresentação, pelas equipes, da pauta de trabalho do dia, inicia-se a apresentação da "Teleaula".
O conteúdo do dia é apresentado em 15 minutos de vídeo, que todos assistem: alunos e professor. Acontece, então, uma atividade denominada "Alfabetização do olhar - Leitura da imagem.
A seguir, as atividades se desenvolvem com o suporte do livro didático do aluno e atividades afins.
Já estão previstas também as diversas modalidades e finalidades das avaliações dos trabalhos e do desempenho pedagógico dos alunos, bem como as atividades extra-curriculares incluindo-se, aí: excursões, seminários, cinema, vídeos, feiras culturais e exposição das inúmeras produções dos alunos.
O Projeto "Aceleração de Estudos", constitui-se de um  trabalho planejado, com tempo previsto para iniciar, se desenvolver e terminar. Há objetivos, metas, processos e produtos a serem alcançados!!!
Isso é tão óbvio, que quem não é do meio educacional, principalmente do ensino público, deve estar pensando: mas, qual é a novidade? Todo trabalho, principalmente aquele que se refere ao ensino/aprendizagem, já não é assim? Planejado? Organizado? Processual? Com resultados a serem cobrados/alcançados ao final?...
Infelizmente, não!
Há muito  tempo   estamos a  deriva, na  Rede Municipal de Ensino de BH. Precisamente, desde 1995, ano do advento da "Escola Plural".
Não por acaso temos uma clientela enorme, que deverá participar do projeto  "Aceleração de Estudos", ora em implantação na Rede.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Novos Ares

Fiz minha inscrição, na Rede Municipal de Ensino, para participar de um projeto de educação de adolescentes, (15 a 19 anos) que ainda não concluíram o ensino fundamental. É uma parceria da Prefeitura de Belo Horizonte com a Fundação Roberto Marinho.
Por enquanto, essas são as únicas informações, de que disponho, a respeito .
Devo passar por um  treinamento sobre as metas, o funcionamento e os objetivos dos trabalhos, na semana que vem,  do dia três ao dia seis de novembro, no período de 13h às 22h.
Estou curiosa para saber  como serão esses trabalhos e  como serão conduzidos;  animada também com a nova perspectiva de atuação profissional. Acho que é a primeira vez, nestes 34 anos de Rede Municipal, que presencio a iniciativa privada atuando com o poder público em prol da educação. Novos ares, que sejam bons ventos e que deem bons frutos. Estou animada.
Mudando de "alhos pra bugalhos", li no jornal "OTEMPO" do dia 28/10/09, uma notinha com o seguinte conteúdo:
"Educação
Livros no lixo
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo determinou o afastamento de diretora e da vice-diretora da escola Eugênia Vilhena de Morais, em Ribeirão Preto. Ao lado da escola foram encontrados cerca de 1.500 livros didáticos, alguns embalados, em caçamba de lixo".
Ih!!! Se a moda pega... Se o Congresso resolvesse levar em frente a CPI do livro didático... E as Universidade Brasileiras, principalmente as públicas, o que teriam de responsabilidade a respeito do uso dos livros didáticos, pelos professores, nas escolas? E a equipe de "doutos" que seleciona e classifica os livros, que só então são "escolhidos" pelos professores, o que teria a dizer? Por que os livros "cinco estrelas" estão sempre além da capacidade do público-alvo ao qual se destinam? Por que os professores, sempre que podem, escolhem os chamados livros "sem estrelas", da lista?
Estas e outras questões dariam uma bela investigação e abririam a "caixa preta" dos livros didáticos brasileiros.
Fica a sugestão de quem já fez muito "bazar da pechincha" na escola, para garantir aos alunos, pelo menos os livros didáticos de Português e de Matemática; num tempo em que os professores escolhiam diretamente das editoras, os livros mais adequados ao nível de conhecimento de seus alunos.
Darei notícias do treinamento da RME, do qual participarei.
Até mais...
Ângela Matos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

12 de outubro

Doze de outubro, dia das crianças! É também conhecido entre nós professores como sendo "'O Dia do Saco Cheio". Alunos de "saco cheio" dos professores e da escola, e vice-versa.
Poderia ser o "Dia do congraçamento"; o "Dia de Passar a Relação Professor/Aluno a Limpo", ou simplesmente o "Dia de Ser Criança"; o "Dia de Brincar", que é a coisa que criança mais gosta de fazer e sabe fazer bem feito.Se nenhum adulto atrapalhar, ela brinca até sozinha...
Mas o "Dia das Crianças"  e  três dias depois,  o "Dia dos Professores", transformaram-se, sintomaticamente, na "Semana das Escolas Vazias".
Vazias de alunos, vazias de professores; e ambos torcendo, e como, para que a semana, não só chegue depressa, mas que, de preferência, dure para sempre!
Que pena!
 Há algo de muito errado no reino da Educação...
Quem se habilita a descobrir o que é?
 Isso daria uma bela pesquisa de campo, não?!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Matriz Curricular da Língua Portuguesa

Andei lendo nesses dias de "Férias-prêmio", um material disponível no portal do MEC, sobre as avaliações que vêm sendo feitas pelo governo, do desempenho escolar dos alunos das escolas públicas e privadas, do nosso país.
Segundo  considerações dos mentores do SAEB ,(Sistema de Avaliação do Ensino Brasileiro) as avaliações do desempenho escolar do alunado brasileiro, concebidas e levadas a efeito periodicamente nos últimos anos, têm por base uma "Matriz Curricular" que leva em conta duas dimensões: o objeto do conhecimento (Língua Portuguesa e as Linguagens Matemáticas) e as competências referentes a ambas.
Quanto à Língua Portuguesa, destaco as competências e as habilidades  avaliadas no 5º ano de escolaridade do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio.
Os quesitos da avaliação em Língua Portuguesa distribuem-se em seis tópicos e  em cada um deles, seguindo uma ordem crescente de aprofundamento, as habilidades concernentes.
Assim, tem-se:
Tópico I - Procedimentos de Leitura
1- Localizar informações explícitas em um texto dado.
2- Inferir o sentido de palavras ou expressões nos textos lidos.
3- Inferir a informação implícita em texto lido.
4- Identificar o tema de um texto lido.
5- Distinguir fatos de opiniões relativas aos textos lidos.
Tópico II- Implicações do Suporte, Gêneros e/ou Enunciados na Compreensão de Textos
1- Interpretar textos com o auxílio de material gráfico diverso (propaganda, quadrinhos, fotos,etc).
2- Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.
Tópico III - Relação entre textos
1- Reconhecer as diferentes formas de tratar uma informação.
2- Comparar textos do mesmo tema.
3- Perceber como o texto foi produzido; as circunstâncias dessa produção e como será recebido.
4- Reconhecer posições distintas sobre um mesmo fato.
Tópico IV - Coerência e Coesão no Processamento do Texto
1- Estabelecer relações entre partes do texto; identificar repetições e substituições que permitem a    
    continuidade do texto.
2- Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa.
3- Estabelecer a relação causa/consequência entre  partes e  elemento do texto.
4- Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
5- Identificar a tese de um texto.
6- Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la.
7- Diferenciar as partes principais e as secundárias de um texto.
Tópico V- Relações entre Recursos Expressivos e Efeitos de Sentido
1- Identificar efeitos de ironia e humor em textos variados.
2- Identificar efeitos de sentido decorrentes da escolha de uma determinada palavra ou expressão.
3- Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos.
Tópico VI- Variação Linguística
1- Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.
Há ainda no material pesquisado comentários pertinentes a cada descritor e/ou conteúdos/habilidades necessárias a qualquer leitor/escritor proficiente da Língua, no caso, a Língua Portuguesa.
Porém, enquanto lia e concordava com o que lia pensava na dificuldade que é para um professor colocar em prática tudo o que a teoria  recomenda, mesmo que pertinente.
A meu ver, o maior problema do ensino/aprendizagem atual é a falta de interesse do aluno pelo estudo em si.
Estudar um texto, desconstruindo-o para entender por completo como se deu a sua construção e toda a sua estrutura, requer do aluno não só a vontade de estudar, mas esforço, concentração, foco, persistência, domínio do corpo e trabalho físico e mental.
Esses elementos geralmente são encontrados nos alunos com certa estrutura emocional e social, bem como naqueles que trazem o "bichinho" do gosto pelo estudo na genética.
Oportunamente, faremos comentários a respeito da "Matriz Curricular de Matemática".

domingo, 27 de setembro de 2009

Vale a Leitura Atenta

Há muito que me preocupo com a nossa falta de identidade educacional. Desde o Brasil Colônia que o  nosso modelo educacional não nos pertence; seguimos sempre os ideais e os métodos educacionais dos outros e, pior ainda, com no mínimo 50 anos de atraso.
Jesuítas portugueses, americanos em diversos momentos históricos, franceses, espanhóis e até argentinos (vide Emília Ferreiro) foram e ainda são nossos mentores educacionais. Jamais fomos capazes de organizar o "Sistema Educacional Brasileiro" conforme nossa cultura e nossas necessidades sociais. E aí deu no que deu! Em matéria de Educação Escolar Formal (pública ou privada) estamos nos últimos lugares do ranking. Perdemos pra todo o mundo!
Digo tudo isso para recomendar a leitura de uma reportagem da "Veja" dessa semana (30/09/09) que se intitula "Um triste cenário do ensino no Brasil", página 132.
O texto da reportagem faz comentários a respeito do trabalho de pesquisa do professor doutor em economia pela Universidade de Chicago, o Sr. Martin Carnoy, de 71 anos.
Segundo a revista , o professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, veio ao Brasil em 2008 para coordenar um estudo cujo objetivo maior era o de entender, sob o ponto de vista da sala de aula, algumas das razões do mau ensino brasileiro. Dentre as várias constatações, óbvias para mim há muitos anos, feitas pelos pesquisadores, a respeito da realidade das salas de aula brasileiras, quero destacar:
  • as escolas brasileiras, públicas e particulares, não oferecem grandes desafios intelectuais aos estudantes;
  • há predominância do improviso, por parte dos professores e minutos preciosos de aula se esvaem com a indisciplina e a quantidade absurda de trabalho em grupo sem nenhum objetivo de aprendizagem controlável  tanto pelos mestres quanto pelos alunos;
  • falta ao Brasil entender o básico: os professores devem ser bem treinados para ensinar;
  • o construtivismo, que é hoje aplicado em escolas brasileiras, está tão distante do conceito original de Jean Piaget, que não dá para dizer se se está diante dessa teoria;
  • falta um olhar mais científico e apurado sobre o que diz respeito à sala de aula;
  • há um excesso de ideologia nas salas de aula e há falta de bons professores;
  • a chave para o bom ensino é atrair para a carreira de professor aqueles que foram os melhores estudantes, cérebros brilhantes, ensino brilhante mediante salário motivador;
  • os professores brasileiros precisam ser inspecionados e prestar contas do seu trabalho, visto que atualmente, cada um faz o que quer e ensina "aquilo que lhe dá na telha".
Termina a reportagem com a afirmação de que os brasileiros começam a colocar a educação como uma de suas prioridades.
Isso é bom desde que as políticas educacionais levem em conta o nivelamento do aprendizado dos alunos brasileiros aos  melhores no ranking das avaliações internas e externas e não aos piores resultados, como acontece ainda hoje.

Leiam o texto na sua íntegra, vale a pena!