domingo, 27 de setembro de 2009

Vale a Leitura Atenta

Há muito que me preocupo com a nossa falta de identidade educacional. Desde o Brasil Colônia que o  nosso modelo educacional não nos pertence; seguimos sempre os ideais e os métodos educacionais dos outros e, pior ainda, com no mínimo 50 anos de atraso.
Jesuítas portugueses, americanos em diversos momentos históricos, franceses, espanhóis e até argentinos (vide Emília Ferreiro) foram e ainda são nossos mentores educacionais. Jamais fomos capazes de organizar o "Sistema Educacional Brasileiro" conforme nossa cultura e nossas necessidades sociais. E aí deu no que deu! Em matéria de Educação Escolar Formal (pública ou privada) estamos nos últimos lugares do ranking. Perdemos pra todo o mundo!
Digo tudo isso para recomendar a leitura de uma reportagem da "Veja" dessa semana (30/09/09) que se intitula "Um triste cenário do ensino no Brasil", página 132.
O texto da reportagem faz comentários a respeito do trabalho de pesquisa do professor doutor em economia pela Universidade de Chicago, o Sr. Martin Carnoy, de 71 anos.
Segundo a revista , o professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, veio ao Brasil em 2008 para coordenar um estudo cujo objetivo maior era o de entender, sob o ponto de vista da sala de aula, algumas das razões do mau ensino brasileiro. Dentre as várias constatações, óbvias para mim há muitos anos, feitas pelos pesquisadores, a respeito da realidade das salas de aula brasileiras, quero destacar:
  • as escolas brasileiras, públicas e particulares, não oferecem grandes desafios intelectuais aos estudantes;
  • há predominância do improviso, por parte dos professores e minutos preciosos de aula se esvaem com a indisciplina e a quantidade absurda de trabalho em grupo sem nenhum objetivo de aprendizagem controlável  tanto pelos mestres quanto pelos alunos;
  • falta ao Brasil entender o básico: os professores devem ser bem treinados para ensinar;
  • o construtivismo, que é hoje aplicado em escolas brasileiras, está tão distante do conceito original de Jean Piaget, que não dá para dizer se se está diante dessa teoria;
  • falta um olhar mais científico e apurado sobre o que diz respeito à sala de aula;
  • há um excesso de ideologia nas salas de aula e há falta de bons professores;
  • a chave para o bom ensino é atrair para a carreira de professor aqueles que foram os melhores estudantes, cérebros brilhantes, ensino brilhante mediante salário motivador;
  • os professores brasileiros precisam ser inspecionados e prestar contas do seu trabalho, visto que atualmente, cada um faz o que quer e ensina "aquilo que lhe dá na telha".
Termina a reportagem com a afirmação de que os brasileiros começam a colocar a educação como uma de suas prioridades.
Isso é bom desde que as políticas educacionais levem em conta o nivelamento do aprendizado dos alunos brasileiros aos  melhores no ranking das avaliações internas e externas e não aos piores resultados, como acontece ainda hoje.

Leiam o texto na sua íntegra, vale a pena!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Produção de Material Didático

Sigo nas minhas "Férias-prêmio" e na produção de material didático. Tenho me sentido bem e satisfeita com o material já produzido. Tudo me interessa e trabalho como se estivesse diante de uma turma. Prevejo a reação dos alunos, imagino suas possíveis dificuldades e desafios a cada um dos trabalhos pensados para serem postos em prática com eles o ano que vem.
Fico pensando ainda de como é importante ter tempo para a construção e a elaboração de aulas, atividades e trabalhos concernentes. É tão óbvio isso! Por que, então, continua sendo privilégio somente dos professores titulares das universidades públicas e de algumas escolas do sistema privado de ensino?
Vá saber! Coisas do Brasil...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Memória de infância

Sou do tempo em que o governo já mandava livro didático para as escolas públicas. Estudei até a antiga 4ª série primária em um grupo escolar (era assim que se chamava) público e lá aprendi as primeiras letras. Lí a Cartilha de "Lili, Lalau e o Lobo" na primeira série. Lembro-me das histórias lidas em voz alta por minha professora da 2ª série e, dentre elas, uma que nunca mais esqueci foi a história do "Patinho Feio". Ficava muito brava com meus colegas que preferiam conversar a ouvir as histórias lidas ou contadas pelas professoras.
Quando cursava a quarta série primária entrei em contato com um poema que me invadiu a alma desde a primeira vez que o li. Fiz dele, quase que inconscientemente, um lema de vida. Pelas séries de estudo seguintes, num livro ou outro de Português, aparecia o poema entre tantos e novamente eu me encantava com ele como  da primeira vez . O título era sempre o mesmo (como não poderia deixar de ser) "Ode" de Ricardo Reis e... a seguir... os seguintes versos:
"PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada
           Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
           No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
           Brilha, porque alta vive".
Apesar do arrebatamento que o poema sempre me causou , nunca procurei saber a respeito do seu autor: Ricardo Reis. Só muito mais tarde, já cursando Letras, entrei em contato com a obra do grande "Fernando Pessoa" e tomei conhecimento dos seus heterônimos e de que Ricardo Reis era um deles.
Desde então fiquei mais orgulhosa ainda da minha sensibilidade de menina...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Acerte na escolha

 "Quem avança confiante na direção de seus sonhos e se empenha em viver a vida que imaginou para si, encontra um sucesso inesperado em seu dia-a-dia".

Henry D. Thoreau

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estou aqui

Não sumi, não! Estou aqui de "Férias-prêmio". De "bobêra", também. Não vou viajar... Tenho lido jornais, revistas, ouvido os noticiários do rádio, ouço basicamente a rádio CBN, tenho visto TV, feito musculação e estou produzindo material didático para quando eu voltar à lida, se voltar.
Beijos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Prazer e Frustração

É muito bom perceber o desenvolvimento social, emocional e intelectual dos alunos; talvez sejam esses os motivos que nos mantêm lecionando em situações adversas, por vezes penosas e extenuantes da sala-de-aula.
Conforme relato no post anterior, o último dia de aula do semestre letivo com meus alunos foi reservado para as comemorações dos aniversários de todos da turma, nascidos entre janeiro e julho, de seus respectivos anos.
Na semana que antecedeu o dia 15 de julho, organizamos a festa e distribuímos tarefas para cada um da turma. Todos (inclusive eu) se responsabilisaram por algo relativo a festa: enfeites, refrigerantes, copos, garfos, pratos e guardanapos, toalhas de mesa e velinhas, convites às outras professoras da turma e à direção/coordenação pedagógica da escola, som e CDs, bolos e salgadinhos; cartões com mensagens aos aniversariantes.
Tudo foi feito a tempo e a hora, sem nenhum furo, sem brigas, sem censura a esse ou aquele, sem correria, sem bagunça e com muita, muita alegria... São pré-adolescentes e adolescentes, é bom lembrar, portanto uma festa que durante mais de duas horas transcorre nessa paz toda é digna de admiração! Fiquei orgulhosa deles e de mim mesma.
Porém, tudo que é bom dura pouco e a vida tem lá seus percalços ou momentos ruins que precisam ser vivenciados tanto quanto os bons. Chegou o momento das despedidas e eu não quis que eles descobrissem, somente no dia 03 de agosto, que não voltaria para trabalhar com eles o restante do período letivo; como já disse em outro momento, vou entrar de "Férias-prêmio" de agosto a dezembro do ano em curso.
Preferi eu mesma dar essa notícia aos meus alunos para evitar mal-entendidos do tipo: "tá vendo, vocês fazem tanta bagunça que a professora não aguentou e nem voltou para dar aula pra vocês; tirou licença de tão cansada que tava, coitada! E outras "coisitas mas" muito comuns nas escolas, quando alguma explicação para determinado fato precisa ser dada, mas usa-se do expediente de culpar o aluno pela indisciplina reinante e vitimisar a professora de "plantão".
Fiz uma carta aberta a turma dizendo-lhes que não voltaria no segundo semestre, que entraria de "Férias-prêmio" e que esse é um benefício legal, concedido aos professores com mais de dez anos de efetivo exercício em sala-de-aula. Pedi-lhes que colaborassem com a professora que ficará no meu lugar, que continuassem responsáveis e estudiosos; que sentirei saudade deles e que contassem comigo, que mantivessem contato... (Deixei meu endereço eletrônico no quadro-giz).
A surpresa foi geral. No semblante de cada um pude perceber: surpresa, surpresa e tristeza, surpresa, tristeza e frustração e até indiferença. Também fiquei triste e estou frustrada por não continuar o trabalho que comecei. Mas, não tive saída.
Como pretendo encerrar a minha carreira de professora, não quero deixar para trás um benefício a que tenho direito. Caso eu não retorne ao trabalho em 2010, já terei gozado desse benefício e estarei livre para pedir exoneração ou tentar uma outra saída que espero surja nesse tempo de afastamento da sala-de-aula.
Vou estudar, nesse período, a possibilidade de fazer convergir meus conhecimentos em educação, adquiridos ao longo do meu fazer pedagógico, em algo que possa ser útil a mim e aos estudante/familiares, que necessitem de um suporte pedagógico fora do ambiente, escola formal.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Indo Embora

Estou indo embora. Amanhã será o último dia de aula da turma e o último contato meu com ela. Entro em recesso escolar e a partir do dia 03 de agosto, de Férias-prêmio. Originalmente essa modalidade de lincença remunerada é concedida ao professor municipal (não sei se o estadual e o federal, também) com mais de dez anos de efetivo exercício do magistério, para fins de estudo e/ou atualização.
Ainda não tenho definido o que fazer nestes seis meses que virão. Talvez estudar, talvez investir na produção de material didático, talvez passear, viajar, descansar e até mesmo pensar na possibilidade de deixar de vez o magistério...
Meus alunos ainda não sabem desses meus planos. Confesso sentir um certo constrangimento de interromper o meu trabalho na metade do ano letivo; porém sinto que devo fazê-lo agora. Não só porque me é permitido fazê-lo, mas também porque estou em dúvida se continuo ou não trabalhando como professora do ensino fundamental.
Amanhã, último dia letivo do 1º semestre, faremos uma festa para comemorar os aniversários dos alunos que nasceram entre janeiro e julho. Espero, então, contar a eles sobre minha decisão de não retornar para os trabalhos do 2º semestre letivo de 2009.