É muito bom perceber o desenvolvimento social, emocional e intelectual dos alunos; talvez sejam esses os motivos que nos mantêm
lecionando em situações adversas, por vezes penosas e
extenuantes da sala-de-aula.Conforme relato no
post anterior, o último dia de aula do semestre
letivo com meus alunos foi reservado para as comemorações dos aniversários de todos da turma, nascidos entre
janeiro e
julho, de seus respectivos anos.
Na semana que antecedeu o dia 15 de
julho, organizamos a festa e
distribuímos tarefas para cada um da turma. Todos (inclusive eu) se
responsabilisaram por algo relativo a festa: enfeites, refrigerantes, copos, garfos, pratos e guardanapos, toalhas de mesa e
velinhas, convites às outras professoras da turma e à
direção/coordenação pedagógica da escola, som e CDs, bolos e
salgadinhos; cartões com mensagens aos
aniversariantes.
Tudo foi feito a tempo e a hora, sem nenhum furo, sem brigas, sem
censura a esse ou aquele, sem correria, sem
bagunça e com muita, muita alegria... São pré-adolescentes e adolescentes, é bom lembrar, portanto uma festa que durante mais de duas horas
transcorre nessa paz toda é digna de admiração! Fiquei orgulhosa deles e de mim mesma.
Porém, tudo que é bom dura pouco e a vida tem lá seus
percalços ou momentos ruins que precisam ser
vivenciados tanto quanto os bons. Chegou o momento das despedidas e eu não quis que eles descobrissem, somente no dia 03 de
agosto, que não voltaria para trabalhar com eles o restante do período
letivo; como já disse em outro momento, vou entrar de "Férias-
prêmio" de
agosto a
dezembro do ano em
curso.
Preferi eu mesma dar essa notícia aos meus alunos para evitar mal-entendidos do tipo: "tá vendo, vocês fazem tanta
bagunça que a professora não aguentou e nem voltou para dar aula
pra vocês; tirou licença de tão cansada que
tava, coitada! E outras "
coisitas mas" muito
comuns nas escolas, quando alguma explicação para determinado fato precisa ser dada, mas usa-se do
expediente de culpar o aluno pela
indisciplina reinante e
vitimisar a professora de "plantão".
Fiz uma carta aberta a turma dizendo-lhes que não voltaria no segundo semestre, que entraria de "Férias-
prêmio" e que esse é um
benefício legal, concedido aos professores com mais de dez anos de
efetivo exercício em sala-de-aula. Pedi-lhes que colaborassem com a professora que ficará no meu lugar, que continuassem responsáveis e estudiosos; que sentirei saudade deles e que contassem comigo, que mantivessem
contato... (Deixei meu endereço eletrônico no quadro-giz).
A surpresa foi geral. No semblante de cada um pude perceber: surpresa, surpresa e tristeza, surpresa, tristeza e frustração e até indiferença. Também fiquei triste e estou frustrada por não continuar o trabalho que comecei. Mas, não tive saída.
Como pretendo encerrar a minha carreira de professora, não quero deixar para trás um benefício a que tenho direito. Caso eu não retorne ao trabalho em 2010, já terei gozado desse benefício e estarei livre para pedir exoneração ou tentar uma outra saída que espero surja nesse tempo de afastamento da sala-de-aula.
Vou estudar, nesse período, a possibilidade de fazer convergir meus conhecimentos em educação, adquiridos ao longo do meu fazer pedagógico, em algo que possa ser útil a mim e aos estudante/familiares, que necessitem de um suporte pedagógico fora do ambiente, escola formal.