quarta-feira, 17 de junho de 2009

Economia de "palitos de fósforos"

Diz o dito popular : a "economia é a base da porcaria". Em tempos de escândalos e mais escândalos no Senado Federal por causa do mal uso do dinheiro público , saber da relação Senadores/funcionários da Câmara Alta do país 81 para 8.000... Uhum! Chega a doer só de pensar na economia que o poder público municipal anda fazendo na Educação atual.
Houve um tempo em BH que o cálculo do número de funcionários por escola (professores, coordenadores e auxiliares de serviço, por exemplo) era feito em função do número de turmas por turno.
Assim, se a escola tivesse até 16 turmas por turno teria o direito a ter em seu quadro de funcionários: um regente de classe para cada turma, dois professores para as aulas de Educação Física, dois professores para as aulas de Artes, um professor para aula de Literatura, dois professores, chamados eventuais, específicos para assumir as turmas dos professores faltosos do dia, um professor para ministrar as aulas de "Reforço Escolar" no contra turno, sendo possível mais de um, conforme a necessidade de cada escola, um orientador educacional, um supervisor pedagógico, o diretor e o vice, os funcionários da limpeza e da merenda escolar conforme o número de turmas da escola.
Cada escola contava ainda com outros serviços de apoio aos alunos tais como: gabinete dentário montado na escola para atender às necessidades primeiras dos alunos, bem como fazer o trabalho profilático em favor da saúde bucal deles; médico pediatra que fazia uma avaliação anual da saúde da meninada e encaminhava os casos mais graves para os tratamentos necessários, na rede hospitalar do município; serviço de acompanhamento psicológico, social e pedagógico aos professores, alunos e seus familiares. Esses profissionais se distribuíam em grupos e atendiam quinzenalmente às escolas municipais. Todos pertenciam ao quadro da educação municipal uns trabalhando diretamente em cada unidade escolar da Rede e outros atendendo a um grupo determinado de escolas, por região.
Mudanças ideológicas e partidárias na administração municipal determinaram a perda desses profissionais e da organização do quadro de funcionários por escola.
Em nome de "mais verbas para a educação, política sindical inclusive", tudo se perdeu... Da organização curricular à organização e autonomia das escolas para construir os seus "Projetos Políticos Pedagógicos".
Ah! Que saudade da Professora e Ex-secretária Municipal de Educação, Maria Lisboa.
Éramos felizes e não sabíamos.

domingo, 14 de junho de 2009

Conhecer o Brasil Via MPB

É sabido que música, ritmo, dança,movimento, conhecimento, novidade, prazer e pré-adolescência têm tudo a ver.
A meninada atual motiva-se facilmente por tudo o que vem configurado pela imagem, pelo som e pelo ritmo.
Pensando nisso, propus aos meus alunos estudarmos o Brasil, suas regiões e tudo o que os caracterizam, via MPB (Música popular brasileira).
A ideia é fazer o levantamento de letras musicadas que têm por temática o Brasil: seu povo, seus costumes, sua cultura, sua religiosidade, seus sofrimentos e seus sucessos, seus fracassos e suas glórias, ideologias e movimentos políticos; enfim, sentimentos do povo referenciados pelos autores das respectivas músicas/letras.
Estudar essas letras em sala e ao mesmo tempo cantar e dançar, conforme o ritmo de cada uma. Todos os ritmos e todas as letras são válidos; músicas do passado e músicas do presente; músicas de raiz e músicas representativas de cada tribo; não importa; o que conta mesmo é a temática: Brasil.
Portanto, os objetivos do trabalho são:
-caracterizar a vida político-social do país, via MPB;
-estudar a estrutura formal, rítmica e temática das letras musicadas disponíveis;
-aprender a cantar e a dançar as/os letras/ritmos estudados;
-apresentar em um festival de canto e de dança o resultado do estudo feito em sala de aula.
Estou ansiosa para dar início a esse trabalho. Penso que os alunos se envolverão muito com ele.
O futuro dirá!

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Inesperado da Sala de Aula

Estava eu fazendo uma aula expositiva e ao mesmo tempo lendo com os alunos o texto do Livro Didático de Ciência. Trabalhávamos a unidade sobre "Rochas e Solo". Líamos e conversávamos sobre um texto que dissertava a respeito da constituição da Terra, suas camadas _ crosta, manto e núcleo... Elementos constitutivos e caracterizadores de cada uma dessas camadas, etc, etc, etc...
A turma, para meu prazer, estava atenta e interessada no assunto.
De repente, um aluno pediu educadamente (fato inusitado) a palavra e perguntou:
_Professora, por que é que o seu pescoço, numa parte dele é vermelho e na outra, bem debaixo do queixo é branco?
Respondi ( na mesma toada da aula) que aquilo era resultado de mancha de sol e... Continuamos a falar sobre "Rochas e Solo".

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pode?!

Estamos na metade do ano letivo. Em julho, dia 16, encerraremos as atividades escolares do 1º semestre e teremos um recesso escolar no restante do mês. No dia 03 de agosto iniciaremos o 2º semestre letivo , que terá o seu término no dia 16 de dezembro do ano em curso.
Até o momento, nós professores da RME/BH não recebemos nenhuma atenção especial por parte de quem quer que seja da cúpula da administração municipal: nem do Prefeito, nem da Secretária de Educação, nem dos administradores regionais, nem dos acompanhantes pedagógicos das escolas. Nova administração, novo Prefeito, novas(?!) políticas educacionais e nós professores continuamos transparentes, invisíveis, inodoros e incolores para os administradores municipais, estaduais e federais.
Ninguém nos ouve, ninguém se interessa sobre como, quando e em quais circunstâncias desempenhamos o nosso trabalho ...
As mudanças administrativas, organizativas e/ou pedagógicas desabam sobre nós e o único direito que temos é o de desenvolvê-las sem questionar, mesmo que absurdas, insustentáveis e
inócuas, isso só para dizer o mínimo.
Senão, vejamos. Trabalho durante 4h30min, no turno da manhã, com uma turma do 3º Ano do 2º CiclO (antiga 5ª série). Sou habilitada em Letras e em Pedagogia, mas sou responsável por lecionar além de Língua Portuguesa (concernente à minha formação profissional) também os conteúdos de Matemática, Geografia, História e Ciência. Os alunos, além dessas, assistem com outras professoras as aulas de: Educação Física, Artes (Informática) e Literatura Infantil.
Até o ano passado a escola dispunha no seu quadro de professores, de dois profissionais para as eventuais (cotidianas) substituições daqueles faltosos. Isso garantia ao professor referencial e frequente (o meu caso) o chamado "Horário de Projeto". Ou seja, todos os dias, enquanto minha turma assistia aula com outra professora (Artes, Ed. Física, Literatura e Informática, uma hora por dia) eu poderia organizar, planejar e avaliar o trabalho a ser realizado com a turma.
Hoje, nova administração, isso não é mais possível. Transformaram-nos em professores eventuais (diários) também. Trabalho com os alunos as matérias da minha responsabilidade já citadas e quando (todos os dias) falta algum professor do turno, devo substituí-lo. Explicando melhor, se é o dia da turma ter aula de Educação Física e o professor dessa disciplina falta ou está substituindo a um outro que tenha faltado, minha turma não terá a aula de Educação Física, a menos que eu (professora não habilitada em Educação Física) me disponha a ministrar essa aula para eles. Claro está que quando a aula acontece nestas circunstâncias, ela se dá na base do improviso, sem planejamento, sem organização, sem nenhum outro objetivo a não ser "tapar buraco"! Pode?!
Outro absurdo, "café requentado de administrações anteriores à mal fadada "Escola Plural", é o retorno da aula de "Reforço Escolar". Não que isso seja desnecessário. Claro que é preciso o reforço escolar . Os alunos do final do 2º Ciclo apresentam enormes defasagens em Leitura/Escrita/Matemática, para ficar só nestas disciplinas e, portanto, precisam saná-las de alguma forma. Mas, _ pergunto eu_ concomitante ao horário normal do turno?! Claro que não! _ eu mesma respondo _ Esse trabalho só é concebível se realizado no contra-turno de estudo do aluno.
Todos entendem assim: professores, pais e alunos. Menos a direção da escola, a administração pedagógica municipal, a Secretaria Municipal de Educação, o Prefeito da Capital...
Pode?! Até quando?!...
Em tempo! A revista "Veja" de 10 de junho ,de 2009, apresenta em suas "Páginas Amarelas", uma excelente entrevista com o "Prêmio Nobel de Economia em 2.000", James Heckman. "O bom de educar desde cedo", tema da entrevista. Senti-me contemplada nos meus anseios e angústias quanto aos rumos da educação escolar no Brasil. Recomendo a leitura.
Vale a pena, também, a leitura, na mesma revista, do artigo do economista Cláudio de Moura Castro, quando discorre lindamente e com toda razão sobre "Educar é Contar Histórias".
Fico sempre encantada quando leio ou ouço alguém "de peso"(no caso os dois economistas citados) verbalizando exatamente o que sinto ou penso sobre "Educação Escolar". É um alivio, do tipo: ah, não estou só!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O5 DE JUNHO, DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Em 2002, o "Globo Rural", programa exibido aos domingos, 8h, pela TV Globo/Minas, apresentou um episódio especial sobre o "Rio São Francisco" e suas penúrias de degradação, mal uso, poluição e destruição geral.
O repórter e apresentador do programa, Nelson Araújo, fez o texto que apresentava as respectivas imagens do rio, na forma de poema. Achei tão interessante essa forma de mostrar o "São Francisco" no seu total abandono, que gravei o programa para trabalhar em sala-de-aula com meus alunos e fiz uma adptação do texto que ouvi. Segue abaixo o texto adaptado por mim, direto do programa assistido e citado acima.

PRECE DO RIO SÃO FRANCISCO
De Nelson Araújo

Adaptação: Ângela Matos

Sergipe, Alagoas, chego ao mar.
Pernambuco, Bahia, Minas, existo.
Em quatro de dezembro, de mil quinhentos e um
sou batizado "São Francisco"
pelos portugueses aqui chegados.
Os índios já me chamavam Opara, rio-mar...

Fiozinho de água, na Serra da Canastra nasci.
Regato de água cristalina,
quedas d'água...
Casca D'anta cachoeira maior,
pouso de um véu, rio murmurante,
largueza silenciosa...

Maior rio brasileiro.
O rio da unidade nacional.
O dobro do Rio Reno,
igual ao Danúbio e a mesma bacia do Colorado,
equivalente à área da França e de Portugal,
vazão maior que a do Nilo!

Pessoas se estabelecendo nas margens,
o povo do São Francisco...
Pastos, gado, peixes, alimentos.
O panorama de Sertão mudou:
de cinza ficou verde.
O semi-árido deu frutas!

Represadas águas, energia elétrica...
Lamento os maltratos!
Alteração dos hábitos naturais,
artérias entupidas ou dilatadas,
abastecimento minguado.

Mesmo assim na natureza dou show!
Quênios, vales, precipitações de cachoeiras,
pedraria, verde, cerrado, bichos, gente, verde,
mistério, lendas, carrancas, amores, músicas,
catedral na gruta, oração.

Chão rachado,
drenos, desmatamentos, leito seco...
Morte dos afluentes.

Movimento dos "sem água".
Presságio ruim.
Arrepios só de pensar no futuro próximo.

Não guardo mágoas.
Compreendo, perdoo e espero mudanças.
Quero continuar levando alimentos, beleza,
leveza, alegria, vida!

Tornei-me Francisco
e, por isso sei
"que é dando que se recebe"...

Amém!

sábado, 23 de maio de 2009

Aula de Didática da Literatura

Fui, com meu marido, assistir a uma palestra e ao lançamento do livro "O Menino que Vendia Palavras", do escritor Inácio de Loyola Brandão. Saí de lá bastante reconfortada e muito feliz com minha profissão.
Tomei conhecimento do evento pelo rádio "Rádio CBN", da qual sou ouvinte assídua. Estava no carro, ia para casa após o trabalho, ouvia rádio, era uma entrevista já iniciada, quando entrei no carro. Uma voz firme, segura e suave chamou-me a atenção; depois fixei-me na temática da entrevista. Percebi que o entrevistado falava sobre leitura, escola, professora, literatura e de um jeito que demonstrava domínio sobre o que discorria. Comentei com meu marido: "esse aí sabe do que está falando".
O entrevistado lembrava, provocado pela entrevistadora, dos ótimos conselhos que recebera de suas duas professoras primárias "Rute" e "Lourdes". Tais conselhos, segundo o entrevistado, serviram-lhe e servem até hoje, como "dicas" ou "técnicas" do bem redigir: "o final do texto deve surpreender o leitor"; "escreva pouco, pois terá a chance de errar menos"; "anote fatos e acontecimentos interessantes presenciados em um determinado percurso para reescrevê-los em sala de aula _ pedia-lhe uma das professoras. "Invente histórias sobre cenas ou gravuras observadas, mas não descreva simplesmente o que vê, crie algo a respeito.
No instante final da entrevista o entrevistado relatou um trabalho com literatura presenciado por ele em Teresina. Escola pública, crianças carentes, filhas de traficantes, bairro violento, comunidade violenta... No entanto, nem os pais queriam aquela vida para seus filhos e nem os filhos queriam reproduzir a vida dos pais. E a escola, mediada pela literatura apresenta a essas crianças um mundo possível fora das drogas e da violência. Falou ainda, na tal entrevista, do modo pelo qual a sociedade brasileira vê e trata os professores hoje. Com total desprezo, descaso, desimportância e falta de valor; tão diferente de tempos atrás!
Ao final da entrevista, a repórter falou do evento (lançamento do livro e o nome do entrevistado) Aí não tive dúvida! Quis participar. Nos inscrevemos, meu marido e eu, e à noite, lá fomos nós...
Duas horas, mais ou menos, de puro prazer e encantamento. Ouvimos um pouco de tudo, com muita graça e humor. Verdadeira aula de como produzir literatura seja ela conto, crônica, romance ou poesia. Técnicas das quais o autor se utiliza para produzir sua obra. Tudo generosamente compartilhado com os participantes do evento.
Senti-me encorajada como professora de Língua Portuguesa, pois boa parte da fala do escritor a respeito do que aprendeu com os professores enquanto foi aluno, eu tenho o orgulho de dizer que desenvolvo com meus alunos durante as aulas: leio muito com eles e para eles; incentivo-os, o tempo todo, a ler e a escrever; discutimos as obras em sala, relacionamos o que é lido ao dia-a-dia de cada um, nos emocionamos e rimos e sofremos e gostamos ou não dos textos que lemos, mas sobretudo lemos.
Saí da palestra mais animada ainda com a mini-biblioteca que mantenho em sala de aula, com os registros feitos por meus alunos, dos livros que leem; com o trabalho de leitura/escrita que venho desenvolvendo com eles. Enfim, agora só quero dizer:
_ Obrigada, professor, escritor Inácio de Loyola Brandão.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Cumprir o estabelecido

Desde o início do ano letivo, no primeiro contato com os pais dos meus alunos, combinamos os dias e os horários da semana em que poderia recebê-los, para quaisquer necessidades e/ou conversas, referentes aos filhos deles. Entreguei-lhes os horários em que estaria disponível em cada dia da semana. Tudo combinado, acordado, consensuado e sem nenhum questionamento. Só que os pais não cumprem esse acordo! E a escola permite o não cumprimento...
Então, em nome dessa mania brasileira de querer dar um "jeitinho" prá tudo e de não valorizar o cumprimento de regras, acordos, leis, etc, tudo pode acontecer...
Só neste ano letivo, tive vários embates com as mães de alguns alunos, que descumprindo o que fora acertado em reunião, procuraram-me durante o horário em que dava aulas e, na porta da sala, pediram-me explicações, para as quais necessitaria de, no mínimo, 1h de conversa ou mais.
Como já disse, a escola permite, não faz funcionar os horários estampados na portaria, os pais insistem, mesmo sabendo que estão fora do horário adequado e o professor se vê de repente, sozinho, frente a frente a pais muitas vezes enfurecidos e querendo tirar satisfações de fatos, para os quais detêm a versão do filho e a predeterminação de dar crédito a ele...
Encerrei mal a semana passada porque cedi à pressão de uma mãe que chegou à escola às 11h, querendo conversar comigo sobre o filho. Quando retornei à sala, 10min depois, encontrei-a em pé-de-guerra; bolinhas de papel voavam para todos os lados, ninguém permanecera fazendo a atividade de Língua Portuguesa interrompida por eles no momento em que pus os pés fora da sala.
Fiquei brava, briguei, cobrei deles responsabilidade para com o término do exercício que os deixara fazendo; só dispensei a turma, 10min após o sinal de término das aulas daquele dia e após a entrega da atividade realizada por eles.
Iniciei mal esta semana! Como consequência dos fatos narrados anteriormente, uma das mães não gostou do "castigo" dado à filha, achando injusto que ela pagasse pelo que não fizera (opinião da mãe).
Mantive minha posição quanto ao castigo à turma, "bati-boca" com essa mãe na porta da sala-de-aula, na presença de todos os alunos e de alguns outros funcionários da escola.
Erramos todos. Eu por ter me envolvido numa discussão inútil e feia, a mãe por ter me procurado fora do horário combinado e a escola, que mais uma vez, não controlou a entrada dos pais...
Um desgaste só! Até quando?!