domingo, 14 de junho de 2009

Conhecer o Brasil Via MPB

É sabido que música, ritmo, dança,movimento, conhecimento, novidade, prazer e pré-adolescência têm tudo a ver.
A meninada atual motiva-se facilmente por tudo o que vem configurado pela imagem, pelo som e pelo ritmo.
Pensando nisso, propus aos meus alunos estudarmos o Brasil, suas regiões e tudo o que os caracterizam, via MPB (Música popular brasileira).
A ideia é fazer o levantamento de letras musicadas que têm por temática o Brasil: seu povo, seus costumes, sua cultura, sua religiosidade, seus sofrimentos e seus sucessos, seus fracassos e suas glórias, ideologias e movimentos políticos; enfim, sentimentos do povo referenciados pelos autores das respectivas músicas/letras.
Estudar essas letras em sala e ao mesmo tempo cantar e dançar, conforme o ritmo de cada uma. Todos os ritmos e todas as letras são válidos; músicas do passado e músicas do presente; músicas de raiz e músicas representativas de cada tribo; não importa; o que conta mesmo é a temática: Brasil.
Portanto, os objetivos do trabalho são:
-caracterizar a vida político-social do país, via MPB;
-estudar a estrutura formal, rítmica e temática das letras musicadas disponíveis;
-aprender a cantar e a dançar as/os letras/ritmos estudados;
-apresentar em um festival de canto e de dança o resultado do estudo feito em sala de aula.
Estou ansiosa para dar início a esse trabalho. Penso que os alunos se envolverão muito com ele.
O futuro dirá!

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Inesperado da Sala de Aula

Estava eu fazendo uma aula expositiva e ao mesmo tempo lendo com os alunos o texto do Livro Didático de Ciência. Trabalhávamos a unidade sobre "Rochas e Solo". Líamos e conversávamos sobre um texto que dissertava a respeito da constituição da Terra, suas camadas _ crosta, manto e núcleo... Elementos constitutivos e caracterizadores de cada uma dessas camadas, etc, etc, etc...
A turma, para meu prazer, estava atenta e interessada no assunto.
De repente, um aluno pediu educadamente (fato inusitado) a palavra e perguntou:
_Professora, por que é que o seu pescoço, numa parte dele é vermelho e na outra, bem debaixo do queixo é branco?
Respondi ( na mesma toada da aula) que aquilo era resultado de mancha de sol e... Continuamos a falar sobre "Rochas e Solo".

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pode?!

Estamos na metade do ano letivo. Em julho, dia 16, encerraremos as atividades escolares do 1º semestre e teremos um recesso escolar no restante do mês. No dia 03 de agosto iniciaremos o 2º semestre letivo , que terá o seu término no dia 16 de dezembro do ano em curso.
Até o momento, nós professores da RME/BH não recebemos nenhuma atenção especial por parte de quem quer que seja da cúpula da administração municipal: nem do Prefeito, nem da Secretária de Educação, nem dos administradores regionais, nem dos acompanhantes pedagógicos das escolas. Nova administração, novo Prefeito, novas(?!) políticas educacionais e nós professores continuamos transparentes, invisíveis, inodoros e incolores para os administradores municipais, estaduais e federais.
Ninguém nos ouve, ninguém se interessa sobre como, quando e em quais circunstâncias desempenhamos o nosso trabalho ...
As mudanças administrativas, organizativas e/ou pedagógicas desabam sobre nós e o único direito que temos é o de desenvolvê-las sem questionar, mesmo que absurdas, insustentáveis e
inócuas, isso só para dizer o mínimo.
Senão, vejamos. Trabalho durante 4h30min, no turno da manhã, com uma turma do 3º Ano do 2º CiclO (antiga 5ª série). Sou habilitada em Letras e em Pedagogia, mas sou responsável por lecionar além de Língua Portuguesa (concernente à minha formação profissional) também os conteúdos de Matemática, Geografia, História e Ciência. Os alunos, além dessas, assistem com outras professoras as aulas de: Educação Física, Artes (Informática) e Literatura Infantil.
Até o ano passado a escola dispunha no seu quadro de professores, de dois profissionais para as eventuais (cotidianas) substituições daqueles faltosos. Isso garantia ao professor referencial e frequente (o meu caso) o chamado "Horário de Projeto". Ou seja, todos os dias, enquanto minha turma assistia aula com outra professora (Artes, Ed. Física, Literatura e Informática, uma hora por dia) eu poderia organizar, planejar e avaliar o trabalho a ser realizado com a turma.
Hoje, nova administração, isso não é mais possível. Transformaram-nos em professores eventuais (diários) também. Trabalho com os alunos as matérias da minha responsabilidade já citadas e quando (todos os dias) falta algum professor do turno, devo substituí-lo. Explicando melhor, se é o dia da turma ter aula de Educação Física e o professor dessa disciplina falta ou está substituindo a um outro que tenha faltado, minha turma não terá a aula de Educação Física, a menos que eu (professora não habilitada em Educação Física) me disponha a ministrar essa aula para eles. Claro está que quando a aula acontece nestas circunstâncias, ela se dá na base do improviso, sem planejamento, sem organização, sem nenhum outro objetivo a não ser "tapar buraco"! Pode?!
Outro absurdo, "café requentado de administrações anteriores à mal fadada "Escola Plural", é o retorno da aula de "Reforço Escolar". Não que isso seja desnecessário. Claro que é preciso o reforço escolar . Os alunos do final do 2º Ciclo apresentam enormes defasagens em Leitura/Escrita/Matemática, para ficar só nestas disciplinas e, portanto, precisam saná-las de alguma forma. Mas, _ pergunto eu_ concomitante ao horário normal do turno?! Claro que não! _ eu mesma respondo _ Esse trabalho só é concebível se realizado no contra-turno de estudo do aluno.
Todos entendem assim: professores, pais e alunos. Menos a direção da escola, a administração pedagógica municipal, a Secretaria Municipal de Educação, o Prefeito da Capital...
Pode?! Até quando?!...
Em tempo! A revista "Veja" de 10 de junho ,de 2009, apresenta em suas "Páginas Amarelas", uma excelente entrevista com o "Prêmio Nobel de Economia em 2.000", James Heckman. "O bom de educar desde cedo", tema da entrevista. Senti-me contemplada nos meus anseios e angústias quanto aos rumos da educação escolar no Brasil. Recomendo a leitura.
Vale a pena, também, a leitura, na mesma revista, do artigo do economista Cláudio de Moura Castro, quando discorre lindamente e com toda razão sobre "Educar é Contar Histórias".
Fico sempre encantada quando leio ou ouço alguém "de peso"(no caso os dois economistas citados) verbalizando exatamente o que sinto ou penso sobre "Educação Escolar". É um alivio, do tipo: ah, não estou só!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O5 DE JUNHO, DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Em 2002, o "Globo Rural", programa exibido aos domingos, 8h, pela TV Globo/Minas, apresentou um episódio especial sobre o "Rio São Francisco" e suas penúrias de degradação, mal uso, poluição e destruição geral.
O repórter e apresentador do programa, Nelson Araújo, fez o texto que apresentava as respectivas imagens do rio, na forma de poema. Achei tão interessante essa forma de mostrar o "São Francisco" no seu total abandono, que gravei o programa para trabalhar em sala-de-aula com meus alunos e fiz uma adptação do texto que ouvi. Segue abaixo o texto adaptado por mim, direto do programa assistido e citado acima.

PRECE DO RIO SÃO FRANCISCO
De Nelson Araújo

Adaptação: Ângela Matos

Sergipe, Alagoas, chego ao mar.
Pernambuco, Bahia, Minas, existo.
Em quatro de dezembro, de mil quinhentos e um
sou batizado "São Francisco"
pelos portugueses aqui chegados.
Os índios já me chamavam Opara, rio-mar...

Fiozinho de água, na Serra da Canastra nasci.
Regato de água cristalina,
quedas d'água...
Casca D'anta cachoeira maior,
pouso de um véu, rio murmurante,
largueza silenciosa...

Maior rio brasileiro.
O rio da unidade nacional.
O dobro do Rio Reno,
igual ao Danúbio e a mesma bacia do Colorado,
equivalente à área da França e de Portugal,
vazão maior que a do Nilo!

Pessoas se estabelecendo nas margens,
o povo do São Francisco...
Pastos, gado, peixes, alimentos.
O panorama de Sertão mudou:
de cinza ficou verde.
O semi-árido deu frutas!

Represadas águas, energia elétrica...
Lamento os maltratos!
Alteração dos hábitos naturais,
artérias entupidas ou dilatadas,
abastecimento minguado.

Mesmo assim na natureza dou show!
Quênios, vales, precipitações de cachoeiras,
pedraria, verde, cerrado, bichos, gente, verde,
mistério, lendas, carrancas, amores, músicas,
catedral na gruta, oração.

Chão rachado,
drenos, desmatamentos, leito seco...
Morte dos afluentes.

Movimento dos "sem água".
Presságio ruim.
Arrepios só de pensar no futuro próximo.

Não guardo mágoas.
Compreendo, perdoo e espero mudanças.
Quero continuar levando alimentos, beleza,
leveza, alegria, vida!

Tornei-me Francisco
e, por isso sei
"que é dando que se recebe"...

Amém!

sábado, 23 de maio de 2009

Aula de Didática da Literatura

Fui, com meu marido, assistir a uma palestra e ao lançamento do livro "O Menino que Vendia Palavras", do escritor Inácio de Loyola Brandão. Saí de lá bastante reconfortada e muito feliz com minha profissão.
Tomei conhecimento do evento pelo rádio "Rádio CBN", da qual sou ouvinte assídua. Estava no carro, ia para casa após o trabalho, ouvia rádio, era uma entrevista já iniciada, quando entrei no carro. Uma voz firme, segura e suave chamou-me a atenção; depois fixei-me na temática da entrevista. Percebi que o entrevistado falava sobre leitura, escola, professora, literatura e de um jeito que demonstrava domínio sobre o que discorria. Comentei com meu marido: "esse aí sabe do que está falando".
O entrevistado lembrava, provocado pela entrevistadora, dos ótimos conselhos que recebera de suas duas professoras primárias "Rute" e "Lourdes". Tais conselhos, segundo o entrevistado, serviram-lhe e servem até hoje, como "dicas" ou "técnicas" do bem redigir: "o final do texto deve surpreender o leitor"; "escreva pouco, pois terá a chance de errar menos"; "anote fatos e acontecimentos interessantes presenciados em um determinado percurso para reescrevê-los em sala de aula _ pedia-lhe uma das professoras. "Invente histórias sobre cenas ou gravuras observadas, mas não descreva simplesmente o que vê, crie algo a respeito.
No instante final da entrevista o entrevistado relatou um trabalho com literatura presenciado por ele em Teresina. Escola pública, crianças carentes, filhas de traficantes, bairro violento, comunidade violenta... No entanto, nem os pais queriam aquela vida para seus filhos e nem os filhos queriam reproduzir a vida dos pais. E a escola, mediada pela literatura apresenta a essas crianças um mundo possível fora das drogas e da violência. Falou ainda, na tal entrevista, do modo pelo qual a sociedade brasileira vê e trata os professores hoje. Com total desprezo, descaso, desimportância e falta de valor; tão diferente de tempos atrás!
Ao final da entrevista, a repórter falou do evento (lançamento do livro e o nome do entrevistado) Aí não tive dúvida! Quis participar. Nos inscrevemos, meu marido e eu, e à noite, lá fomos nós...
Duas horas, mais ou menos, de puro prazer e encantamento. Ouvimos um pouco de tudo, com muita graça e humor. Verdadeira aula de como produzir literatura seja ela conto, crônica, romance ou poesia. Técnicas das quais o autor se utiliza para produzir sua obra. Tudo generosamente compartilhado com os participantes do evento.
Senti-me encorajada como professora de Língua Portuguesa, pois boa parte da fala do escritor a respeito do que aprendeu com os professores enquanto foi aluno, eu tenho o orgulho de dizer que desenvolvo com meus alunos durante as aulas: leio muito com eles e para eles; incentivo-os, o tempo todo, a ler e a escrever; discutimos as obras em sala, relacionamos o que é lido ao dia-a-dia de cada um, nos emocionamos e rimos e sofremos e gostamos ou não dos textos que lemos, mas sobretudo lemos.
Saí da palestra mais animada ainda com a mini-biblioteca que mantenho em sala de aula, com os registros feitos por meus alunos, dos livros que leem; com o trabalho de leitura/escrita que venho desenvolvendo com eles. Enfim, agora só quero dizer:
_ Obrigada, professor, escritor Inácio de Loyola Brandão.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Cumprir o estabelecido

Desde o início do ano letivo, no primeiro contato com os pais dos meus alunos, combinamos os dias e os horários da semana em que poderia recebê-los, para quaisquer necessidades e/ou conversas, referentes aos filhos deles. Entreguei-lhes os horários em que estaria disponível em cada dia da semana. Tudo combinado, acordado, consensuado e sem nenhum questionamento. Só que os pais não cumprem esse acordo! E a escola permite o não cumprimento...
Então, em nome dessa mania brasileira de querer dar um "jeitinho" prá tudo e de não valorizar o cumprimento de regras, acordos, leis, etc, tudo pode acontecer...
Só neste ano letivo, tive vários embates com as mães de alguns alunos, que descumprindo o que fora acertado em reunião, procuraram-me durante o horário em que dava aulas e, na porta da sala, pediram-me explicações, para as quais necessitaria de, no mínimo, 1h de conversa ou mais.
Como já disse, a escola permite, não faz funcionar os horários estampados na portaria, os pais insistem, mesmo sabendo que estão fora do horário adequado e o professor se vê de repente, sozinho, frente a frente a pais muitas vezes enfurecidos e querendo tirar satisfações de fatos, para os quais detêm a versão do filho e a predeterminação de dar crédito a ele...
Encerrei mal a semana passada porque cedi à pressão de uma mãe que chegou à escola às 11h, querendo conversar comigo sobre o filho. Quando retornei à sala, 10min depois, encontrei-a em pé-de-guerra; bolinhas de papel voavam para todos os lados, ninguém permanecera fazendo a atividade de Língua Portuguesa interrompida por eles no momento em que pus os pés fora da sala.
Fiquei brava, briguei, cobrei deles responsabilidade para com o término do exercício que os deixara fazendo; só dispensei a turma, 10min após o sinal de término das aulas daquele dia e após a entrega da atividade realizada por eles.
Iniciei mal esta semana! Como consequência dos fatos narrados anteriormente, uma das mães não gostou do "castigo" dado à filha, achando injusto que ela pagasse pelo que não fizera (opinião da mãe).
Mantive minha posição quanto ao castigo à turma, "bati-boca" com essa mãe na porta da sala-de-aula, na presença de todos os alunos e de alguns outros funcionários da escola.
Erramos todos. Eu por ter me envolvido numa discussão inútil e feia, a mãe por ter me procurado fora do horário combinado e a escola, que mais uma vez, não controlou a entrada dos pais...
Um desgaste só! Até quando?!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quando menos vale mais

Já disse nesse espaço, por várias vezes, que pertenço à RME de BH, desde 1976. Entrei por concurso, como professora do ensino fundamental e no ano seguinte fui "Enquadrada" como Supervisora Pedagógica. Estive nessa função até 1999 e no período de 91 a 94 fui diretora da escola, cargo ocupado por eleição direta.

Portanto, tenho uma longa experiência como funcionária da educação municipal; passei por várias administrações e, consequentemente, adaptei-me às diversas políticas educacionais da "RME".

Dos meus primeiros anos de professora municipal, até os dias atuais, lidei com alunos oriundos das famílias de baixa renda, moradores da periferia da cidade; alguns contando com o total apoio familiar, outros nem tanto e outros mais, de jeito nenhum!

Sendo assim, em qualquer época, de bonança ou de crise, de bolsa família ou não, entra ano, sai ano e as turmas apresentam um perfil econômico, social e psicológico, muito semelhante.

Grosso modo, uma turma constitui-se de mais ou menos 10% de alunos de baixo rendimento escolar, outros 10% com alto rendimento e um grupo intermediário, em torno de 80% deles, de rendimento regular, esperado.

Nesse perfil, destacam-se alunos muito motivados a estudar, alunos apáticos em relação aos estudos e alunos dependentes de estímulos familiares e da própria escola, para alcançar um bom rendimento escolar. Geralmente alcançam, quando há interesse real tanto de professores quanto de pais.

No grupo dos alunos apáticos, percebemos diversos problemas extra-pedagógicos que interferem na sua qualidade de estudo e de rendimento; vão desde queixas constantes de "dor de dente; dor de barriga; sonolência; apatia e/ou hiperatividade, a abandono familiar, uso de droga, violências várias,etc

Estou realçando tudo isso para dizer que nós professores trabalhamos sob as condições citadas acima e isso nos dá crédito, pois detemos conhecimentos da rotina escolar do aluno e do acompanhamento que recebem de seus familiares, que outros profissionais da educação, mas fora da sala de aula não detêm.
No entanto, nada disso importa aos "políticos de plantão", quando resolvem fazer mais uma "Reforma do Ensino".

Há 15 anos, a "Escola Plural" chegou para nós da "Rede"na forma de " pacote-que- nivelava- todas- as- escolas-municipais-por-baixo". O ensino fundamental (1ª a 8ª série) enquadrou-se primeiro à tal fórmula e o ensino médio (hoje de responsabilidade do Estado) sofreu depois e continua sofrendo, as consequências desse projeto de escola maluco e irresponsável.

Até 1994, todas as escolas municipais contavam com diversos serviços extra-pedagógicos, oferecidos aos alunos que deles necessitavam.
Cada escola, por exemplo, contava com o "professor recuperador" e este trabalhava, extra-turno, as defasagens de aprendizagens daqueles alunos que evidenciavam um ritmo de aprendizagem diferenciado, para menos, dos demais. Pois bem, esse serviço foi simplesmente desmontado, com o advento da "Escola Plural".

Hoje, 15 anos depois, a nova administração da Prefeitura oferece com "pompas e circunstâncias" e, mais uma vez, sem ouvir os professores, o serviço de "Reforço Escolar"...

Na escola onde trabalho , esse serviço acontece no mesmo turno de estudo do aluno. Ou seja, o aluno vai à escola para assistir aulas de "Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Ciências, Artes e Educação Física". E é deslocado da sua turma de origem, para fazer "aulas de reforço escolar"! Pode, uma coisa dessas?!

"É A TREVA", como diz a personagem adolescente de uma novela atual...
Se não, vejamos. Sou professora de uma turma de 25 alunos do final do 2º Ciclo, (antiga 5ª série). Desse grupo, 10 alunos apresentam sérias defasagens de conhecimentos em Língua Portuguesa e em Matemática, para ficar nessas duas disciplinas de ensino. A partir da dinâmica de "Reforço Escolar" em curso, não sei mais o que fazer quanto ao ensino a ser ministrado a esses alunos. Eles pertencem ao mesmo tempo à minha turma e ao grupo dos alunos em reforço escolar. O trabalho que está sendo desenvolvido com eles pela professora recuperadora (orientada e acompanhada por profissionais ditos "Acompanhantes Pedagógicos" da escola, vindos da Secretaria Municipal de Ensino), não guarda nenhuma relação com o que tenho desenvolvido com os mesmos alunos, quando estão comigo em sala; sequer conheço a proposta pedagógica desse reforço escolar. E tem mais, sou a professora referencial da turma, portanto a responsável pela aprendizagem e consequente promoção do grupo ao 3º Ciclo do ano que vem(6ª, 7ª e 8ª séries).
O que fazer? A sala de aula virou um entra-e-sai de aluno, não importa que conteúdo eu esteja desenvolvendo com a turma. Os alunos do "reforço" estão desorientados, não sabem a quem seguir, se a mim ou à professora de reforço. E eu não sei como esses alunos serão avaliados durante e ao final do ano letivo, pois se vão para a aula de reforço, perdem o que está acontecendo em sala de aula com o restante do grupo; se permanecem na sala, perdem a oportunidade do "reforço escolar".
O óbvio, para mim, seria fazer a aula de "reforço escolar" extra-turno, mas quem convence à cúpula pensante, disso?!