segunda-feira, 1 de junho de 2009

O5 DE JUNHO, DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Em 2002, o "Globo Rural", programa exibido aos domingos, 8h, pela TV Globo/Minas, apresentou um episódio especial sobre o "Rio São Francisco" e suas penúrias de degradação, mal uso, poluição e destruição geral.
O repórter e apresentador do programa, Nelson Araújo, fez o texto que apresentava as respectivas imagens do rio, na forma de poema. Achei tão interessante essa forma de mostrar o "São Francisco" no seu total abandono, que gravei o programa para trabalhar em sala-de-aula com meus alunos e fiz uma adptação do texto que ouvi. Segue abaixo o texto adaptado por mim, direto do programa assistido e citado acima.

PRECE DO RIO SÃO FRANCISCO
De Nelson Araújo

Adaptação: Ângela Matos

Sergipe, Alagoas, chego ao mar.
Pernambuco, Bahia, Minas, existo.
Em quatro de dezembro, de mil quinhentos e um
sou batizado "São Francisco"
pelos portugueses aqui chegados.
Os índios já me chamavam Opara, rio-mar...

Fiozinho de água, na Serra da Canastra nasci.
Regato de água cristalina,
quedas d'água...
Casca D'anta cachoeira maior,
pouso de um véu, rio murmurante,
largueza silenciosa...

Maior rio brasileiro.
O rio da unidade nacional.
O dobro do Rio Reno,
igual ao Danúbio e a mesma bacia do Colorado,
equivalente à área da França e de Portugal,
vazão maior que a do Nilo!

Pessoas se estabelecendo nas margens,
o povo do São Francisco...
Pastos, gado, peixes, alimentos.
O panorama de Sertão mudou:
de cinza ficou verde.
O semi-árido deu frutas!

Represadas águas, energia elétrica...
Lamento os maltratos!
Alteração dos hábitos naturais,
artérias entupidas ou dilatadas,
abastecimento minguado.

Mesmo assim na natureza dou show!
Quênios, vales, precipitações de cachoeiras,
pedraria, verde, cerrado, bichos, gente, verde,
mistério, lendas, carrancas, amores, músicas,
catedral na gruta, oração.

Chão rachado,
drenos, desmatamentos, leito seco...
Morte dos afluentes.

Movimento dos "sem água".
Presságio ruim.
Arrepios só de pensar no futuro próximo.

Não guardo mágoas.
Compreendo, perdoo e espero mudanças.
Quero continuar levando alimentos, beleza,
leveza, alegria, vida!

Tornei-me Francisco
e, por isso sei
"que é dando que se recebe"...

Amém!

sábado, 23 de maio de 2009

Aula de Didática da Literatura

Fui, com meu marido, assistir a uma palestra e ao lançamento do livro "O Menino que Vendia Palavras", do escritor Inácio de Loyola Brandão. Saí de lá bastante reconfortada e muito feliz com minha profissão.
Tomei conhecimento do evento pelo rádio "Rádio CBN", da qual sou ouvinte assídua. Estava no carro, ia para casa após o trabalho, ouvia rádio, era uma entrevista já iniciada, quando entrei no carro. Uma voz firme, segura e suave chamou-me a atenção; depois fixei-me na temática da entrevista. Percebi que o entrevistado falava sobre leitura, escola, professora, literatura e de um jeito que demonstrava domínio sobre o que discorria. Comentei com meu marido: "esse aí sabe do que está falando".
O entrevistado lembrava, provocado pela entrevistadora, dos ótimos conselhos que recebera de suas duas professoras primárias "Rute" e "Lourdes". Tais conselhos, segundo o entrevistado, serviram-lhe e servem até hoje, como "dicas" ou "técnicas" do bem redigir: "o final do texto deve surpreender o leitor"; "escreva pouco, pois terá a chance de errar menos"; "anote fatos e acontecimentos interessantes presenciados em um determinado percurso para reescrevê-los em sala de aula _ pedia-lhe uma das professoras. "Invente histórias sobre cenas ou gravuras observadas, mas não descreva simplesmente o que vê, crie algo a respeito.
No instante final da entrevista o entrevistado relatou um trabalho com literatura presenciado por ele em Teresina. Escola pública, crianças carentes, filhas de traficantes, bairro violento, comunidade violenta... No entanto, nem os pais queriam aquela vida para seus filhos e nem os filhos queriam reproduzir a vida dos pais. E a escola, mediada pela literatura apresenta a essas crianças um mundo possível fora das drogas e da violência. Falou ainda, na tal entrevista, do modo pelo qual a sociedade brasileira vê e trata os professores hoje. Com total desprezo, descaso, desimportância e falta de valor; tão diferente de tempos atrás!
Ao final da entrevista, a repórter falou do evento (lançamento do livro e o nome do entrevistado) Aí não tive dúvida! Quis participar. Nos inscrevemos, meu marido e eu, e à noite, lá fomos nós...
Duas horas, mais ou menos, de puro prazer e encantamento. Ouvimos um pouco de tudo, com muita graça e humor. Verdadeira aula de como produzir literatura seja ela conto, crônica, romance ou poesia. Técnicas das quais o autor se utiliza para produzir sua obra. Tudo generosamente compartilhado com os participantes do evento.
Senti-me encorajada como professora de Língua Portuguesa, pois boa parte da fala do escritor a respeito do que aprendeu com os professores enquanto foi aluno, eu tenho o orgulho de dizer que desenvolvo com meus alunos durante as aulas: leio muito com eles e para eles; incentivo-os, o tempo todo, a ler e a escrever; discutimos as obras em sala, relacionamos o que é lido ao dia-a-dia de cada um, nos emocionamos e rimos e sofremos e gostamos ou não dos textos que lemos, mas sobretudo lemos.
Saí da palestra mais animada ainda com a mini-biblioteca que mantenho em sala de aula, com os registros feitos por meus alunos, dos livros que leem; com o trabalho de leitura/escrita que venho desenvolvendo com eles. Enfim, agora só quero dizer:
_ Obrigada, professor, escritor Inácio de Loyola Brandão.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Cumprir o estabelecido

Desde o início do ano letivo, no primeiro contato com os pais dos meus alunos, combinamos os dias e os horários da semana em que poderia recebê-los, para quaisquer necessidades e/ou conversas, referentes aos filhos deles. Entreguei-lhes os horários em que estaria disponível em cada dia da semana. Tudo combinado, acordado, consensuado e sem nenhum questionamento. Só que os pais não cumprem esse acordo! E a escola permite o não cumprimento...
Então, em nome dessa mania brasileira de querer dar um "jeitinho" prá tudo e de não valorizar o cumprimento de regras, acordos, leis, etc, tudo pode acontecer...
Só neste ano letivo, tive vários embates com as mães de alguns alunos, que descumprindo o que fora acertado em reunião, procuraram-me durante o horário em que dava aulas e, na porta da sala, pediram-me explicações, para as quais necessitaria de, no mínimo, 1h de conversa ou mais.
Como já disse, a escola permite, não faz funcionar os horários estampados na portaria, os pais insistem, mesmo sabendo que estão fora do horário adequado e o professor se vê de repente, sozinho, frente a frente a pais muitas vezes enfurecidos e querendo tirar satisfações de fatos, para os quais detêm a versão do filho e a predeterminação de dar crédito a ele...
Encerrei mal a semana passada porque cedi à pressão de uma mãe que chegou à escola às 11h, querendo conversar comigo sobre o filho. Quando retornei à sala, 10min depois, encontrei-a em pé-de-guerra; bolinhas de papel voavam para todos os lados, ninguém permanecera fazendo a atividade de Língua Portuguesa interrompida por eles no momento em que pus os pés fora da sala.
Fiquei brava, briguei, cobrei deles responsabilidade para com o término do exercício que os deixara fazendo; só dispensei a turma, 10min após o sinal de término das aulas daquele dia e após a entrega da atividade realizada por eles.
Iniciei mal esta semana! Como consequência dos fatos narrados anteriormente, uma das mães não gostou do "castigo" dado à filha, achando injusto que ela pagasse pelo que não fizera (opinião da mãe).
Mantive minha posição quanto ao castigo à turma, "bati-boca" com essa mãe na porta da sala-de-aula, na presença de todos os alunos e de alguns outros funcionários da escola.
Erramos todos. Eu por ter me envolvido numa discussão inútil e feia, a mãe por ter me procurado fora do horário combinado e a escola, que mais uma vez, não controlou a entrada dos pais...
Um desgaste só! Até quando?!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quando menos vale mais

Já disse nesse espaço, por várias vezes, que pertenço à RME de BH, desde 1976. Entrei por concurso, como professora do ensino fundamental e no ano seguinte fui "Enquadrada" como Supervisora Pedagógica. Estive nessa função até 1999 e no período de 91 a 94 fui diretora da escola, cargo ocupado por eleição direta.

Portanto, tenho uma longa experiência como funcionária da educação municipal; passei por várias administrações e, consequentemente, adaptei-me às diversas políticas educacionais da "RME".

Dos meus primeiros anos de professora municipal, até os dias atuais, lidei com alunos oriundos das famílias de baixa renda, moradores da periferia da cidade; alguns contando com o total apoio familiar, outros nem tanto e outros mais, de jeito nenhum!

Sendo assim, em qualquer época, de bonança ou de crise, de bolsa família ou não, entra ano, sai ano e as turmas apresentam um perfil econômico, social e psicológico, muito semelhante.

Grosso modo, uma turma constitui-se de mais ou menos 10% de alunos de baixo rendimento escolar, outros 10% com alto rendimento e um grupo intermediário, em torno de 80% deles, de rendimento regular, esperado.

Nesse perfil, destacam-se alunos muito motivados a estudar, alunos apáticos em relação aos estudos e alunos dependentes de estímulos familiares e da própria escola, para alcançar um bom rendimento escolar. Geralmente alcançam, quando há interesse real tanto de professores quanto de pais.

No grupo dos alunos apáticos, percebemos diversos problemas extra-pedagógicos que interferem na sua qualidade de estudo e de rendimento; vão desde queixas constantes de "dor de dente; dor de barriga; sonolência; apatia e/ou hiperatividade, a abandono familiar, uso de droga, violências várias,etc

Estou realçando tudo isso para dizer que nós professores trabalhamos sob as condições citadas acima e isso nos dá crédito, pois detemos conhecimentos da rotina escolar do aluno e do acompanhamento que recebem de seus familiares, que outros profissionais da educação, mas fora da sala de aula não detêm.
No entanto, nada disso importa aos "políticos de plantão", quando resolvem fazer mais uma "Reforma do Ensino".

Há 15 anos, a "Escola Plural" chegou para nós da "Rede"na forma de " pacote-que- nivelava- todas- as- escolas-municipais-por-baixo". O ensino fundamental (1ª a 8ª série) enquadrou-se primeiro à tal fórmula e o ensino médio (hoje de responsabilidade do Estado) sofreu depois e continua sofrendo, as consequências desse projeto de escola maluco e irresponsável.

Até 1994, todas as escolas municipais contavam com diversos serviços extra-pedagógicos, oferecidos aos alunos que deles necessitavam.
Cada escola, por exemplo, contava com o "professor recuperador" e este trabalhava, extra-turno, as defasagens de aprendizagens daqueles alunos que evidenciavam um ritmo de aprendizagem diferenciado, para menos, dos demais. Pois bem, esse serviço foi simplesmente desmontado, com o advento da "Escola Plural".

Hoje, 15 anos depois, a nova administração da Prefeitura oferece com "pompas e circunstâncias" e, mais uma vez, sem ouvir os professores, o serviço de "Reforço Escolar"...

Na escola onde trabalho , esse serviço acontece no mesmo turno de estudo do aluno. Ou seja, o aluno vai à escola para assistir aulas de "Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Ciências, Artes e Educação Física". E é deslocado da sua turma de origem, para fazer "aulas de reforço escolar"! Pode, uma coisa dessas?!

"É A TREVA", como diz a personagem adolescente de uma novela atual...
Se não, vejamos. Sou professora de uma turma de 25 alunos do final do 2º Ciclo, (antiga 5ª série). Desse grupo, 10 alunos apresentam sérias defasagens de conhecimentos em Língua Portuguesa e em Matemática, para ficar nessas duas disciplinas de ensino. A partir da dinâmica de "Reforço Escolar" em curso, não sei mais o que fazer quanto ao ensino a ser ministrado a esses alunos. Eles pertencem ao mesmo tempo à minha turma e ao grupo dos alunos em reforço escolar. O trabalho que está sendo desenvolvido com eles pela professora recuperadora (orientada e acompanhada por profissionais ditos "Acompanhantes Pedagógicos" da escola, vindos da Secretaria Municipal de Ensino), não guarda nenhuma relação com o que tenho desenvolvido com os mesmos alunos, quando estão comigo em sala; sequer conheço a proposta pedagógica desse reforço escolar. E tem mais, sou a professora referencial da turma, portanto a responsável pela aprendizagem e consequente promoção do grupo ao 3º Ciclo do ano que vem(6ª, 7ª e 8ª séries).
O que fazer? A sala de aula virou um entra-e-sai de aluno, não importa que conteúdo eu esteja desenvolvendo com a turma. Os alunos do "reforço" estão desorientados, não sabem a quem seguir, se a mim ou à professora de reforço. E eu não sei como esses alunos serão avaliados durante e ao final do ano letivo, pois se vão para a aula de reforço, perdem o que está acontecendo em sala de aula com o restante do grupo; se permanecem na sala, perdem a oportunidade do "reforço escolar".
O óbvio, para mim, seria fazer a aula de "reforço escolar" extra-turno, mas quem convence à cúpula pensante, disso?!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Caiu a Ficha

Hoje pela manhã, estava eu à espera do 2º ônibus que me deixaria na escola, quando chamou-me a atenção uma enorme fila, de dobrar quarteirão, em frente a um órgão da PBH ,de atendimento ao público do bairro onde moro. Era a fila do "Minha Casa, Minha Vida"; programa habitacional do governo federal, destinado, dentre outros motivos menos nobres, ao atendimento à demanda pela casa própria da população carente, aquela que recebe até três salários mínimos.
Enquanto o ônibus não vinha, às 6h30min da manhã, pus-me a pensar:
-Quem são as pessoas da fila? Certamente as que recebem até 3 salários mínimos e que terão direito a uma casa lá "onde o Judas perdeu as Botas" e que pagarão uma prestação por dez anos, de R$50,00. Essa é a promessa do governo. Desse público alvo, pensei eu, faço parte...
Após 14 anos de efetivo trabalho em sala de aula, no ensino fundamental, (3º Ano do 2º Ciclo) dois cursos superiores, (Pedagogia e Letras) e uma especialização ( Leitura e Produção de Textos) recebo menos que três salários mínimos. Portanto, posso me inscrever no programa!
Provavelmente, alguém pode pensar assim: é, mas professor só trabalha meio horário, de 2ª a 6ª feira e com vários recessos durante o ano!
É verdade, mas para por aí.
Os pouquíssimos professores que trabalham em meio horário, e também todos aqueles que têm jornada dupla e/ou tripla , levam serviço para casa.
Sou exemplo disso. Passo praticamente todas as minhas tardes e finais de semanas, feriados e recessos corrigindo, planejando, organizando, registrando os trabalhos realizados ou a serem realizados por meus alunos; e, inclusa nesse pacote está a preocupação com o desempenho pedagógico e/ou com o comportamento social/emocional deste ou daquele aluno.
Um professor atualizado, dizem os sábios, deve ser leitor voraz, consumidor de teatro, cinema, exposições de arte, ativista político e social, competente ao ministrar suas aulas! Ah! Deve também cuidar para que as suas aulas sejam criativas, lúdicas, dinâmicas, interessantes, tecnológicas (onde já se viu um professor do século XXI ainda utilizar-se do cuspe-quadro-giz para dar aulas?!
Pois bem, eu estou me candidatando a uma casa de R$50,00 a prestação! Vou concorrer com a minha ajudante doméstica e eu só a tenho, porque conto com o salário do meu marido.
Que país é esse!? Ehein Cazuza? Que Deus o tenha.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cotidiano

"Todo dia ela faz tudo sempre igual/ me sacode as seis horas da manhã"... já dizia, ou melhor, já cantava/canta Chico Buarque de Holanda. Pois é, escola também é assim: rotineira, previsível, cotidiana, igual há séculos!Ou seja,todos os dias acontecem fatos previsíveis: chegar ao trabalho, receber os alunos, ocupar o espaço sala de aula, seguir o horário das aulas, dar sequência ao ensino anterior... Mas a rotina, o previsível param por aí. Isto porque a escola é feita de uma "rotina dinâmica", se é que se pode dizer assim, forjada no resultado da relação entre pessoas . Os resultados pedagógicos de tudo o que foi planejado e definido em metas a serem alcançadas, dependem do subjetivo, do estado emocinal, motivacional e orgânico de cada um dos sujeitos envolvidos no processo.
Às vezes o professor está super-motivado a desenvolver determinado trabalho com os alunos e estes, por vários motivos, não se empolgam, não se mobilizam e/ou vice-versa.
Então, o jeito, no caso do professor, é valer-se do currículo, ou do livro didático, ou de algum outro recurso que a escola tenha. Nada disso, porém, é garantia de que o transcurso e o final daquele dia escolar será de satisfação, tanto de professores, quanto de alunos.Lidamos com o imponderável! É comum estarmos totalmente motivados e envolvidos com determinado projeto e por motivos não previstos ele, de repente, desanda, vai por água abaixo, deixando um gosto insuportável de frustração na alma de todos.
Assim somos nós, professores, alunos e todo o ambiente que permeia o ato de ensinar/aprender: voláteis, imprevisíveis, inconstantes, inseguros, incompletos...Humanos, enfim.

sábado, 28 de março de 2009

Gênero textual, poesia.

Lá pelos idos de 1983, uma grande amiga e eu, então supervisoras pedagógicas em escola municipal, publicamos um trabalho na "Revista AMAE EDUCANDO" cujo título fora o seguinte: "Drummond e Poesia para Criança".
Naquela época, trabalhávamos com crianças de 9/10 anos interessadíssimas pelos textos literários, dentre eles especialmente a poesia. O comum, então, nessa faixa etária, era que se trabalhasse com os poemas de Henriqueta Lisboa, Cecília Meireles e até Olavo Bilac, mas Drummond, poesia e criança parecia não se encaixar muito bem. Conversando sobre isso, resolvemos apresentar Drummond aos nossos alunos a partir do poema "Infância". Desenvolvemos, para tal um plano de aula, que passo a relatar, fazendo, no entanto, algumas adaptações às concepções pedagógicas atuais:
"Planejamento de Aula de Poesia (Hoje, sequência didática)
Módulo: Língua Portuguesa
Gênero textual: Poesia
Tema: Infância
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Objetivos:
-Entrar em contato com o texto de Drummond a partir do poema "Infância".
-Identificar o "eu lírico" do poema e estabelecer relações entre a temática abordada e a vida de cada leitor.
-Citar trechos do poema que produziram sentimentos ao serem lidos, explicitando-os.
-Pesquisar sobre Drummond e listar outros poemas de interesse da turma.
Conteúdos
- Poema, um gênero textual.
-Carlos Drummond de Andrade, grande escritor mineiro de Poemas e Crônicas, cujo público alvo principal é o adulto.
-Algumas características do poema em estudo.
-Pesquisa sobre Drummond e de outros poemas seus adequados à faixa etária em questão.
Material necessário
Cópias do poema em estudo.
Recursos adequados (livros, enciclopédias, Internet) à pesquisa sobre Drummond.
Desenvolvimento
-1ª etapa
Inicie a atividade com uma roda de conversa, apresentando aos alunos o autor:
_Vocês conhecem ou já ouviram falar a respeito de Carlos Drummond de Andrade? Já leram algo sobre ele?
_Carlos Drummond foi e permanece sendo um grande poeta brasileiro. Nasceu em Itabira, Minas Gerais, mas viveu bastante tempo no Rio de Janeiro.
Foi escritor consagrado de Crônicas, Contos e Poemas; publicou muitos livros. Nasceu no dia 31 de outubro de 1902 e morreu no ano de 1987. Pois bem, hoje vocês conhecerão um poema escrito por ele.
-2ª etapa
Resolução de dificuldades (estudo do vocabulário)
Comente com o aluno:
_No poema a ser lido, vocês encontrarão palavras e/ou expressões, cujos significados estudaremos primeiramente.
Escreva no quadro (ou use algum outro recurso), as expressões: cosendo, Robinson Crusoé, meio-dia branco de luz, senzala e campeava, por exemplo.
Converse com os alunos, incentive-os a dizerem o que sabem sobre cada uma das expressões destacadas:
cosendo (coser) = costurando (costurar)
Robinson Crusoé = personagem de uma história infantil
meio-dia branco de luz = dia muito claro, de luz intensa
senzala = casa onde moravam os escravos
campeava = andava a cavalo pelo campo cuidando da fazenda
3ª etapa
Apresentação do poema à turma
Converse com os alunos e pergunte-lhes:
_ Como é que cada um de vocês passa o dia?
_E seu pais o que fazem durante o dia? Como eles são? Calmos, tranquilos, ou não?
_ Pois bem, o poema que eu trouxe para vocês fala sobre a vida de Drummond criança.
_Como terá sido a sua vida de menino de 1910?
_Vocês gostariam de saber?
4ª etapa
Primeira leitura do poema
Da professora para os alunos, que acompanham-na a partir das cópias distribuídas.
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé.
Comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala _ e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
_Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Por ser esta a leitura/modelo, deverá ser feita:
-com expressão e ritmo próprios;
-com modulação da voz conforme a musicalidade dos versos;
-com naturalidade, sem afetação ou declamação.
Segunda leitura do poema
Professora e alunos leem juntos, com o mesmo cuidado da leitura anterior.
5ª etapa
Debate e/ou conversa sobre a temática do poema e sobre as impressões causadas nos leitores:
_Estimular os alunos a relatarem suas primeiras percepções a respeito do poema.
_Fazer questionamentos, tais como: quais fatos da memória afetiva do autor estão presentes no poema; de que sentimentos ele se lembra; que expressões são usadas para descrever o dia; como ele se refere à preta velha; o que ela representava para ele; como o autor nos apresenta seus pais; a que conclusão o autor chega ao final do poema; por quê?
6ª etapa
Leitura coletiva do poema.
AVALIAÇÃO:
Divida a turma em grupos para que cada aluno possa compartilhar, nos pequenos grupos, as emoções vividas e percebidas com a leitura do poema.
Expressar esses sentimentos a partir das seguintes atividades:
-colar o poema no caderno de "Língua Portuguesa";
-copiar o verso ou a estrofe que mais chamou-lhes a atenção;
-ilustrar o poema;
-fazer um coro falado ou imaginar uma forma de o poema ser apresentado à turma;
-pesquisar sobre Drummond a apresentar aos colegas o resultado da pesquisa.
-coletar outros poemas de Drummond para serem lidos pela turma.

Obs. À época, os alunos de uma das turmas que trabalharam com o poema de Drummond, produziram o seguinte texto:

"Homenagem à Carlos Drummond de Andrade

Em 1902, nasce em Itabira, Minas Gerais, uma criança igual às outras, para mais tarde tornar-se um homem especial, um grande poeta, você: Carlos Drummond de Andrade.
Carlos Drummond, você enriquece a literatura brasileira, tornando-a conhecida em vários países.
O Brasil inteiro reconhece seu talento e lhe presta merecidas homenagens no seu octogésimo aniversário.
Continue elevando sempre o nome do Brasil.
Que Deus lhe dê força e saúde para continuar aproveitando a sua sensibilidade e sua capacidade de observar coisas comuns e torná-las especiais em forma de poemas, crônicas ou contos.
Apesar de seus oitenta anos, você continua com a cabeça jovem e atuante.
A você, o nosso respeito e gratidão por tanto talento acumulado.
Você é motivo de orgulho de todos nós mineiros.
Por tudo, muito lhe agradecemos".
Revista AMAE EDUCANDO, agosto de 1983,
nº156, ano XVI, p.5-7.
Bons tempos aqueles! Que saudade!