Sou democrata e assim procuro viver independentemente do lugar onde esteja nas minhas relações interpessoais. Ouvir as pessoas, buscar-lhes a razão e o que pensam; colocar-me no lugar delas, para então decidir por esse ou aquele ato, por esta ou aquela opção dá trabalho, mas compensa pois é assim que entendo o respeito às pessoas e a mim mesma em cada situação de convivência seja ela familiar, profissional ou social.
Assim, conduzo minhas aulas baseada na força do diálogo: apresentar o problema ou a situação de estudo; ouvir o que os alunos têm a dizer a respeito; e, a partir daí, estabelecer com eles diálogos sobre a temática em evidência, até chegarmos, juntos, aos conceitos já estabelecidos, e/ou às idéias construídas por eles, naquele momento, é uma das metodologias de trabalho utilizadas por mim, em sala de aula.
Porém, tudo que envolve fala na expressão de idéias, envolve também paixão, entusiasmo, emoção e... barulho, muito barulho! Sim, minhas aulas são barulhentas; meus alunos falam, defendem seus pontos de vista, fazem perguntas para esclarecimentos e perguntas questionadoras: daquelas que implicam, muitas vezes, em tremendas "saias-justas" para a professora.Essa é uma das formas mais difíceis, acredito eu, de conduzir uma aula, pois tanto pode proporcionar momentos mágicos de aprendizagens para todos, quanto pode cair num desvio total de rumo e se perder do seu objetivo inicial. Exige do professor muita segurança não só do conteúdo em pauta, mas também, na escuta do aluno, na filtragem imparcial daquilo que é pertinente ao momento da aula e na mediação segura do tema e do tempo disponível ,conforme o horário das aulas a ser cumprido. Vivemos situações enriquecedoras, de pura vibração quando tudo dá certo e momentos de loucura quando perdemos o controle da discussão e da turma. Isso, porque, há em sala de aula, várias situações de trabalho: apresentação do tema, desenvolvimento do assunto, estudos, leituras e pesquisas a respeito, sistematização do estudo e avaliação da aprendizagem. Ao ser professora de cinco disciplinas em uma mesma turma preciso de um controle enorme sobre as situações de ensino vivenciadas de acordo com a disciplina desenvolvida e o momento pedagógico de cada uma, ou seja, é comum estar introduzindo um estudo de Matemática, desenvolvendo um outro de Língua Portuguesa, sistematizando um tema em História e avaliando um estudo já realizado em Geografia em um único dia de trabalho!
Saio da sala, todos os dias, exaurida! A sensação é a de ter praticado quatro horas e meia de exercícios físicos intensos e sem descanso; quando tudo corre bem - alegria, entusiasmo, vibração, quando perco o controle e sinto que nada foi bom - frustração, tristeza, fracasso!
Vivo isso intensamente, todos os dias, há 13 anos. É a minha adrenalina.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
O Professor Está Só
Trabalhamos sós. Precisamos urgentemente do diálogo com os outros profissionais da saúde, da assistência social e da cultura para nos dar o suporte necessário ao trabalho pedagógico que realizamos com e para os alunos.
Menino doente não aprende. Falo das doenças do corpo, da alma e da sociedade.
Professor doente não ensina: doença do corpo, da alma e social. E mais, sociedade da era da comunicação não pode admitir o isolamento profissional: a falta de interação com os outros órgãos de assistência social, humana, psicológica e cultural, em benefício de alunos e professores.
Como obter o rendimento escolar desejado, de alta qualidade, com criança que se queixa de dor de dente, dor de cabeça, de desânimo! Como obter o tão almejado rendimento escolar de crianças infreqüentes, desatentas, dispersas... Não há o que fazer por elas? Somente o professor e a escola são os responsáveis por este estado de coisas?
Houve um tempo na Prefeitura que contávamos com médicos, psicólogos, dentistas, assistentes sociais, dentre outros, juntos a nós professores, no atendimento aos alunos.
Por questões ideológicas e econômicas, certamente, tudo isso acabou.
A lógica, hoje, é a de que a escola cuida do pedagógico e os outros setores da Prefeitura cuidam das outras questões que envolvem os alunos e suas famílias. Vivemos, então, num total isolamento! Não contamos com nenhum outro profissional sequer para trocar idéias a respeito do por quê do desempenho do aluno X , Y ou Z.
Idealmente deveríamos desenvolver um trabalho pedagógico assentado no coletivo da comunidade escolar, mas nos foi tirado até o tempo de 1h semanal, com o qual contávamos para fazer as reuniões pedagógicas internas. Trabalhamos de segunda à sexta-feira sem ter a menor noção do que acontece na sala de aula vizinha à nossa. E pensar que vivemos em plena era da comunicação, pretensamente, com todos os recursos comunicativos adivindos daí à nossa disposição.
Pois, sim!
Menino doente não aprende. Falo das doenças do corpo, da alma e da sociedade.
Professor doente não ensina: doença do corpo, da alma e social. E mais, sociedade da era da comunicação não pode admitir o isolamento profissional: a falta de interação com os outros órgãos de assistência social, humana, psicológica e cultural, em benefício de alunos e professores.
Como obter o rendimento escolar desejado, de alta qualidade, com criança que se queixa de dor de dente, dor de cabeça, de desânimo! Como obter o tão almejado rendimento escolar de crianças infreqüentes, desatentas, dispersas... Não há o que fazer por elas? Somente o professor e a escola são os responsáveis por este estado de coisas?
Houve um tempo na Prefeitura que contávamos com médicos, psicólogos, dentistas, assistentes sociais, dentre outros, juntos a nós professores, no atendimento aos alunos.
Por questões ideológicas e econômicas, certamente, tudo isso acabou.
A lógica, hoje, é a de que a escola cuida do pedagógico e os outros setores da Prefeitura cuidam das outras questões que envolvem os alunos e suas famílias. Vivemos, então, num total isolamento! Não contamos com nenhum outro profissional sequer para trocar idéias a respeito do por quê do desempenho do aluno X , Y ou Z.
Idealmente deveríamos desenvolver um trabalho pedagógico assentado no coletivo da comunidade escolar, mas nos foi tirado até o tempo de 1h semanal, com o qual contávamos para fazer as reuniões pedagógicas internas. Trabalhamos de segunda à sexta-feira sem ter a menor noção do que acontece na sala de aula vizinha à nossa. E pensar que vivemos em plena era da comunicação, pretensamente, com todos os recursos comunicativos adivindos daí à nossa disposição.
Pois, sim!
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Lúcia Monteiro Casasanta: A MESTRA MAIOR.
No dia 29 de maio de 2008 fez cem anos do nascimento de uma grande educadora mineira, a professora/doutora Lúcia Monteiro Casasanta.
D. Lúcia, como todos a chamávamos, foi uma das principais alfabetizadoras de Minas Gerais; defensora ferrenha de que se tivesse um método para alfabetizar as crianças em idade escolar e adepta do "Método Global de Contos".
Eu cheguei a conhecê-la, já velhinha, mas ainda atuando no Instituto de Educação de Minas Gerais, hoje UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), quando lá fiz o Curso Normal e, em seguida, o Curso de Pedagogia concluído em 1975. Tenho um livro de sua autoria, de 1972, com uma dedicatória, dizendo textualmente: "À caríssima ...,
Contando com V. nas fileiras de frente no combate pela boa metodização da leitura.
Lúcia Casasanta.
Neste livro, intitulado "Métodos de Ensino de Leitura", D. Lúcia faz um apanhado minucioso da história da alfabetização no mundo; descreveu com detalhe cada método até então conhecido; explicitou os "prós e os contras" de cada um deles no ensino da leitura e da escrita e se posicionou a partir de argumentos muito bem elaborados e referendados pelas novidades científicas da época, em favor do "Método Global de Contos".
Logo na introdução do livro citado acima, ela afirma:
"Tenho para mim que idéias novas, propriamente ditas, não existem ou são raras.
Quando, porém, a Ciência destrinça os casos de nossa experiência comum, há que optar entre deixar que fiquem como se acham ou tentar levá-los adiante, a fim de que outros façam o mesmo.
Por isso propus-me compor as experiências que adquiri sobre o ensino da leitura desde a antiga Escola de Aperfeiçoamento, hoje, Curso de Pedagogia, no trato demorado com crianças em sala-de-aula, em pesquisas e experimentações, reportando-me com freqüência às lições de grandes mestres de outros países.
Poderá causar estranheza a pretensão de ter feito trabalho original.
Defendo-me com dizer que dois fatos contribuíram para isso: o ambiente em que se forjou, de permanente inquietação pela busca do fato científico e de seus fundamentos e o tempo que durou sua elaboração. Idéias surgiram, amadureceram e geraram outras idéias, ora dentro, ora fora da previsão científica.
Na verdade, muita coisa velha se fez nova".
Era o ano de 1972 e D. Lúcia, já em final de carreira, ainda lutava para convencer às pessoas militantes na educação, tanto quanto ela, da importância de se ter um método para ensinar a ler e a escrever, mas não qualquer método, um método com base científica de como se dá a aquisição da leitura, de como se dá o processamento do texto cognitivamente, pelo sujeito aprendiz.
Da para acreditar que ainda hoje, mais de 30 anos depois, o que mais se ouve nas escolas é a seguinte expressão: "Método de leitura?! Eu não sigo um método. Eu faço o meu método. Ou...Eu uso vários métodos! Eu uso o meu método!
Isso explica, a meu ver, o atual fracasso do ensino/aprendizagem da leitura e da escrita em nosso país.
Precisamos resgatar, urgentemente, os ensinamentos da grande mestra, Lúcia Monteiro Casasanta.
D. Lúcia, como todos a chamávamos, foi uma das principais alfabetizadoras de Minas Gerais; defensora ferrenha de que se tivesse um método para alfabetizar as crianças em idade escolar e adepta do "Método Global de Contos".
Eu cheguei a conhecê-la, já velhinha, mas ainda atuando no Instituto de Educação de Minas Gerais, hoje UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), quando lá fiz o Curso Normal e, em seguida, o Curso de Pedagogia concluído em 1975. Tenho um livro de sua autoria, de 1972, com uma dedicatória, dizendo textualmente: "À caríssima ...,
Contando com V. nas fileiras de frente no combate pela boa metodização da leitura.
Lúcia Casasanta.
Neste livro, intitulado "Métodos de Ensino de Leitura", D. Lúcia faz um apanhado minucioso da história da alfabetização no mundo; descreveu com detalhe cada método até então conhecido; explicitou os "prós e os contras" de cada um deles no ensino da leitura e da escrita e se posicionou a partir de argumentos muito bem elaborados e referendados pelas novidades científicas da época, em favor do "Método Global de Contos".
Logo na introdução do livro citado acima, ela afirma:
"Tenho para mim que idéias novas, propriamente ditas, não existem ou são raras.
Quando, porém, a Ciência destrinça os casos de nossa experiência comum, há que optar entre deixar que fiquem como se acham ou tentar levá-los adiante, a fim de que outros façam o mesmo.
Por isso propus-me compor as experiências que adquiri sobre o ensino da leitura desde a antiga Escola de Aperfeiçoamento, hoje, Curso de Pedagogia, no trato demorado com crianças em sala-de-aula, em pesquisas e experimentações, reportando-me com freqüência às lições de grandes mestres de outros países.
Poderá causar estranheza a pretensão de ter feito trabalho original.
Defendo-me com dizer que dois fatos contribuíram para isso: o ambiente em que se forjou, de permanente inquietação pela busca do fato científico e de seus fundamentos e o tempo que durou sua elaboração. Idéias surgiram, amadureceram e geraram outras idéias, ora dentro, ora fora da previsão científica.
Na verdade, muita coisa velha se fez nova".
Era o ano de 1972 e D. Lúcia, já em final de carreira, ainda lutava para convencer às pessoas militantes na educação, tanto quanto ela, da importância de se ter um método para ensinar a ler e a escrever, mas não qualquer método, um método com base científica de como se dá a aquisição da leitura, de como se dá o processamento do texto cognitivamente, pelo sujeito aprendiz.
Da para acreditar que ainda hoje, mais de 30 anos depois, o que mais se ouve nas escolas é a seguinte expressão: "Método de leitura?! Eu não sigo um método. Eu faço o meu método. Ou...Eu uso vários métodos! Eu uso o meu método!
Isso explica, a meu ver, o atual fracasso do ensino/aprendizagem da leitura e da escrita em nosso país.
Precisamos resgatar, urgentemente, os ensinamentos da grande mestra, Lúcia Monteiro Casasanta.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Professor e autonomia profissional
Nós, professores, somos formados pelas universidades, públicas ou particulares; é com essa formação que nos habilitamos para desenvolver o nosso ofício: dar aulas, ensinar, ministrar conteúdos, mediar aprendizagens, interagir com os alunos, desenvolver projetos segundo os interesses imediatos dos alunos; ensinar/aprender enquanto ensinamos. As denominações às ações do professor em sala de aula são variadas e abarcam, nelas mesmas, matizes ideológicos à escolha do frequês.
Na verdade, em sala de aula, somos múltiplos: professores, pais, mães, psicólogos, médicos, dentistas, babás,assistentes sociais, policiais e muito mais. Esperam e cobram tudo do professor!Ou seja, querem que façamos aquilo que foge ao nosso papel e somos cobrados por não termos competência técnica para tal, pois se nos fixamos somente nas funções para as quais fomos contratados, somos considerados omissos, conteudistas, egoístas, de pouca visão. Por outro lado, ora esperam que desempenhemos um papel, ora outro; ora querem que tenhamos determinadas atitudes, ora outras. Um exemplo interessante a esse respeito tem a ver com o uso de livros didáticos como recursos de ensino.
Houve um tempo em que esse uso era indiscriminado e todos contávamos com o aval das Faculdades de Educação. Num período seguinte, esse mesmo uso passou a ser criticado veementemente por essas mesmas Faculdades e, usar livro didático para dar aulas, passou a ser característica de professor acomodado, preguiçoso, sem criatividade.
Agora, vários trabalhos de pesquisas dos cursos de Mestrado e Doutorado das universidades brasileiras e, como não poderia deixar de ser, das estrangeiras também, pois são as que nos influenciam sempre, têm concluído, a partir de dados comparativos, pelo avanço pedagógico dos trabalhos desenvolvidos por professores que seguem os livros didáticos ao ministrarem suas aulas. Segundo relatos desses estudos, não só o uso do livro didático com os alunos tem se mostrado positivo, como melhor ainda tem sido o desempenho escolar dos alunos daquele professor que usa o mesmo livro didático por mais de um ano seguido.
É a teoria referendando a prática e aquilo que é óbvio, penso eu.
Um professor em dupla ou até mesmo tripla jornada de trabalho, não tem a menor condição de preparar textos, ilustrados ou não, estudos desses textos e atividades práticas a respeito, da mesma forma que os autores dos livros didáticos, têm.
Então, por que não usar os livros didáticos disponíveis em todas as escolas do país, adquiridos com o nosso dinheiro, dinheiro público, com a finalidade de oferecer recursos de trabalho aos professores e a partir da escolha desses mesmos professores?
No entanto, vale alertar: se esses livros são adequados ou não ao tipo de aluno que se tem, constitui-se numa outra grave e séria discussão, que se faz urgente!
Na verdade, em sala de aula, somos múltiplos: professores, pais, mães, psicólogos, médicos, dentistas, babás,assistentes sociais, policiais e muito mais. Esperam e cobram tudo do professor!Ou seja, querem que façamos aquilo que foge ao nosso papel e somos cobrados por não termos competência técnica para tal, pois se nos fixamos somente nas funções para as quais fomos contratados, somos considerados omissos, conteudistas, egoístas, de pouca visão. Por outro lado, ora esperam que desempenhemos um papel, ora outro; ora querem que tenhamos determinadas atitudes, ora outras. Um exemplo interessante a esse respeito tem a ver com o uso de livros didáticos como recursos de ensino.
Houve um tempo em que esse uso era indiscriminado e todos contávamos com o aval das Faculdades de Educação. Num período seguinte, esse mesmo uso passou a ser criticado veementemente por essas mesmas Faculdades e, usar livro didático para dar aulas, passou a ser característica de professor acomodado, preguiçoso, sem criatividade.
Agora, vários trabalhos de pesquisas dos cursos de Mestrado e Doutorado das universidades brasileiras e, como não poderia deixar de ser, das estrangeiras também, pois são as que nos influenciam sempre, têm concluído, a partir de dados comparativos, pelo avanço pedagógico dos trabalhos desenvolvidos por professores que seguem os livros didáticos ao ministrarem suas aulas. Segundo relatos desses estudos, não só o uso do livro didático com os alunos tem se mostrado positivo, como melhor ainda tem sido o desempenho escolar dos alunos daquele professor que usa o mesmo livro didático por mais de um ano seguido.
É a teoria referendando a prática e aquilo que é óbvio, penso eu.
Um professor em dupla ou até mesmo tripla jornada de trabalho, não tem a menor condição de preparar textos, ilustrados ou não, estudos desses textos e atividades práticas a respeito, da mesma forma que os autores dos livros didáticos, têm.
Então, por que não usar os livros didáticos disponíveis em todas as escolas do país, adquiridos com o nosso dinheiro, dinheiro público, com a finalidade de oferecer recursos de trabalho aos professores e a partir da escolha desses mesmos professores?
No entanto, vale alertar: se esses livros são adequados ou não ao tipo de aluno que se tem, constitui-se numa outra grave e séria discussão, que se faz urgente!
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Resiliência
A resiliência é a capacidade de adaptação dos indivíduos às situações difíceis ou estressantes; é um conceito "roubado", pela psicopedagogia, de outras ciências, da Física, me parece. Meu primeiro contato com esta idéia foi num congresso internacional de educação do qual participei e assisti a uma palestra a respeito de um autor português que discorreu sobre o tema.
Segundo esse autor, resiliência não é motivação para; não é algo que surge de dentro do indivíduo e o ajuda nas conquistas sejam elas quais forem, mas sim tem a ver com encorajamento, que é algo de fora para dentro; do outro para o sujeito.
Aplicando tal conceito às situações de sala de aula, por exemplo, compete ao professor encorajar o aluno a estudar, a fazer os trabalhos escolares, a utilizar o tempo de estudo da melhor forma possível, mesmo sob condições adversas. O próprio professor se torna resiliente quando consegue - grosso modo - transformar um limão em limonada. Será?!
Fico pensando nas minhas condições de trabalho: sala apertada, calorenta, sem visibilidade no quadro de giz, por causa dos reflexos de ambos os lados; mal ventilada; carteiras que só podem ser dispostas de um único jeito - em dupla e uma atrás da outra - ; murais laterais sem disponibilidade para uso, são insuficientes, por serem divididos entre duas professoras que usam a mesma sala; 29 alunos de idades variadas; livros didáticos inadequados ao nível de conhecimento deles; famílias que não podem, não sabem ou não querem assumir as suas responsabilidades para com os filhos; escola desorganizada pedagogicamente e... Eu, professora extremamente desencorajada com tudo isso, não sei mais o que fazer. Durante um dia escolar são tantos os conflitos e as interferências que surgem e precisam ser resolvidas! Ao final das contas, aula, aula, aula mesmo, aquela que foi pensada, planejada, preparada e até, na expectativa dos alunos deveria acontecer, pela seqüência normal dos trabalhos, acaba não acontecendo. Dá uma sensação de nada feito, de trabalho inútil, de frustração.
Fico me perguntando: voltar no dia seguinte, tentar novamente, tirar ânimo do fundo da alma, pensar em novas formas de intervenção pedagógica junto aos alunos é ser resiliente? E isso é bom?!
Segundo esse autor, resiliência não é motivação para; não é algo que surge de dentro do indivíduo e o ajuda nas conquistas sejam elas quais forem, mas sim tem a ver com encorajamento, que é algo de fora para dentro; do outro para o sujeito.
Aplicando tal conceito às situações de sala de aula, por exemplo, compete ao professor encorajar o aluno a estudar, a fazer os trabalhos escolares, a utilizar o tempo de estudo da melhor forma possível, mesmo sob condições adversas. O próprio professor se torna resiliente quando consegue - grosso modo - transformar um limão em limonada. Será?!
Fico pensando nas minhas condições de trabalho: sala apertada, calorenta, sem visibilidade no quadro de giz, por causa dos reflexos de ambos os lados; mal ventilada; carteiras que só podem ser dispostas de um único jeito - em dupla e uma atrás da outra - ; murais laterais sem disponibilidade para uso, são insuficientes, por serem divididos entre duas professoras que usam a mesma sala; 29 alunos de idades variadas; livros didáticos inadequados ao nível de conhecimento deles; famílias que não podem, não sabem ou não querem assumir as suas responsabilidades para com os filhos; escola desorganizada pedagogicamente e... Eu, professora extremamente desencorajada com tudo isso, não sei mais o que fazer. Durante um dia escolar são tantos os conflitos e as interferências que surgem e precisam ser resolvidas! Ao final das contas, aula, aula, aula mesmo, aquela que foi pensada, planejada, preparada e até, na expectativa dos alunos deveria acontecer, pela seqüência normal dos trabalhos, acaba não acontecendo. Dá uma sensação de nada feito, de trabalho inútil, de frustração.
Fico me perguntando: voltar no dia seguinte, tentar novamente, tirar ânimo do fundo da alma, pensar em novas formas de intervenção pedagógica junto aos alunos é ser resiliente? E isso é bom?!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Papel e Figurino
A escola é o reflexo da sociedade. Esta é uma afirmativa tão repetida que já virou clichê. Todo aquele que trabalha ou já trabalhou em uma escola percebe o quanto é real esta idéia, para o bem e para o mal. O cotidiano escolar constitui-se dos atos das pessoas que por ali circulam e todas elas refletem, nos seus atos e palavras, o mundo que as constituíram.
Todos os dias chegam, às vezes com toda a força, às vezes devagarzinho, às vezes sutilmente, as ondas dos fatos sociais em evidência . Elas invadem a escola, sem pedir licença, e podem causar danos ou benefícios dependendo de como são acolhidas e transformadas em conhecimentos organizados e sistematizados.
Estamos num período eleitoral, vários municípios vivenciam as campanhas do 2º turno. Os candidatos se expõem e são expostos na rádio, na TV e nas propagandas de rua. Não há quem fique alheio a esse movimento seja a criança em idade escolar, sejam os adultos. De um jeito ou de outro participamos e tomamos partido. Nessa altura do campeonato, poucos continuam indecisos ou "em cima do muro".
Na escola não é diferente e o conteúdo "eleição" acaba sendo escolarizado. Porém, esse é um tema espinhoso, porque envolve a responsabilidade dos profissionais da escola com a informação correta e não tendenciosa, a análise imparcial das propostas dos candidatos, a discussão do tema com os alunos a partir de todas as informações possíveis, de ambos os lados. Envolve, enfim, ética, respeito e democracia.
Sendo dessa forma, a escola "cresce" e todos aprendemos um pouco mais a respeito da arte e da beleza de se praticar a democracia.
Sendo o contrário, se o tema for tratado, pela escola, de forma inconseqüente e/ou tendenciosa, provoca em quem participa e se preocupa com a seriedade do fato, uma sensação de desconforto. É como vestir um figurino inadequado ao papel que se representa naquele local.
O que fazer se a você for dado o papel de mero espectador? Omitir, denunciar, ou se sentir um "zero à esquerda"?
Todos os dias chegam, às vezes com toda a força, às vezes devagarzinho, às vezes sutilmente, as ondas dos fatos sociais em evidência . Elas invadem a escola, sem pedir licença, e podem causar danos ou benefícios dependendo de como são acolhidas e transformadas em conhecimentos organizados e sistematizados.
Estamos num período eleitoral, vários municípios vivenciam as campanhas do 2º turno. Os candidatos se expõem e são expostos na rádio, na TV e nas propagandas de rua. Não há quem fique alheio a esse movimento seja a criança em idade escolar, sejam os adultos. De um jeito ou de outro participamos e tomamos partido. Nessa altura do campeonato, poucos continuam indecisos ou "em cima do muro".
Na escola não é diferente e o conteúdo "eleição" acaba sendo escolarizado. Porém, esse é um tema espinhoso, porque envolve a responsabilidade dos profissionais da escola com a informação correta e não tendenciosa, a análise imparcial das propostas dos candidatos, a discussão do tema com os alunos a partir de todas as informações possíveis, de ambos os lados. Envolve, enfim, ética, respeito e democracia.
Sendo dessa forma, a escola "cresce" e todos aprendemos um pouco mais a respeito da arte e da beleza de se praticar a democracia.
Sendo o contrário, se o tema for tratado, pela escola, de forma inconseqüente e/ou tendenciosa, provoca em quem participa e se preocupa com a seriedade do fato, uma sensação de desconforto. É como vestir um figurino inadequado ao papel que se representa naquele local.
O que fazer se a você for dado o papel de mero espectador? Omitir, denunciar, ou se sentir um "zero à esquerda"?
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Escola Desconectada II
Hoje, à entrada do 1º turno, ouvi um comentário na sala dos professores de que teríamos a simulação de um debate eleitoral entre os "candidatos-alunos" de uma das turmas da escola; cada um se fazendo passar pelos respectivos candidatos oficiais à Prefeitura de Belo Horizonte. Tudo bem, é legítimo, é válido pois estamos no "clima" de eleição e os alunos envolvidos nele.
Porém são crianças e pré-adolescentes e, por isso mesmo, deveriam ter sido trabalhados previamente, para o evento em si, a partir de discussões em sala de aula, a respeito da vida pregressa dos candidatos e principalmente a respeito das responsabilidades das pessoas que assumem a função pública de Prefeito.
Nada disso foi feito, a possibilidade do "debate" sugiu de afogadilho, de improviso, sem planejamento, sem organização, sem combinar com as outras turmas e sem pedir a participação de todos nessa organização.
Ficou determinado que o debate aconteceria hoje, às 10h20min, bem no horário da aula de Educação Física da minha turma e da turma de uma outra professora.
Não deu outra, reclamação e choradeira dos alunos das duas turmas que não queriam, de forma alguma, ceder o horário e o local da aula de Ed. Física, para a realização do debate. Num primeiro momento reclaram comigo e à hora do recreio fizeram a mesma reclamação com a Diretora da Escola.
A Coordenação Pedagógica, então, propôs uma alternativa de uso de um outro espaço e da divisão do debate em duas etapas: uma que aconteceu hoje para os alunos menores e outra que será amanhã para os alunos de 11/12 anos.
Todos contentes, o debate de hoje transcorreu bem com a participação animada dos alunos e torcidas ferrenhas para ambos os candidatos...
Na prática, meus alunos fizeram valer a política da conversa, do acordo, do consenso e, em síntese, viveram, mesmo sem nenhum planejamento prévio, a prática da democracia.
Pergunto, então: se sem planejamento, sem organização prévia, tudo correu bem, imagina o que poderíamos ter pensado e posto em prática, tendo um planejamento coletivo desse trabalho?
Porém são crianças e pré-adolescentes e, por isso mesmo, deveriam ter sido trabalhados previamente, para o evento em si, a partir de discussões em sala de aula, a respeito da vida pregressa dos candidatos e principalmente a respeito das responsabilidades das pessoas que assumem a função pública de Prefeito.
Nada disso foi feito, a possibilidade do "debate" sugiu de afogadilho, de improviso, sem planejamento, sem organização, sem combinar com as outras turmas e sem pedir a participação de todos nessa organização.
Ficou determinado que o debate aconteceria hoje, às 10h20min, bem no horário da aula de Educação Física da minha turma e da turma de uma outra professora.
Não deu outra, reclamação e choradeira dos alunos das duas turmas que não queriam, de forma alguma, ceder o horário e o local da aula de Ed. Física, para a realização do debate. Num primeiro momento reclaram comigo e à hora do recreio fizeram a mesma reclamação com a Diretora da Escola.
A Coordenação Pedagógica, então, propôs uma alternativa de uso de um outro espaço e da divisão do debate em duas etapas: uma que aconteceu hoje para os alunos menores e outra que será amanhã para os alunos de 11/12 anos.
Todos contentes, o debate de hoje transcorreu bem com a participação animada dos alunos e torcidas ferrenhas para ambos os candidatos...
Na prática, meus alunos fizeram valer a política da conversa, do acordo, do consenso e, em síntese, viveram, mesmo sem nenhum planejamento prévio, a prática da democracia.
Pergunto, então: se sem planejamento, sem organização prévia, tudo correu bem, imagina o que poderíamos ter pensado e posto em prática, tendo um planejamento coletivo desse trabalho?
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