Nós, professores, somos formados pelas universidades, públicas ou particulares; é com essa formação que nos habilitamos para desenvolver o nosso ofício: dar aulas, ensinar, ministrar conteúdos, mediar aprendizagens, interagir com os alunos, desenvolver projetos segundo os interesses imediatos dos alunos; ensinar/aprender enquanto ensinamos. As denominações às ações do professor em sala de aula são variadas e abarcam, nelas mesmas, matizes ideológicos à escolha do frequês.
Na verdade, em sala de aula, somos múltiplos: professores, pais, mães, psicólogos, médicos, dentistas, babás,assistentes sociais, policiais e muito mais. Esperam e cobram tudo do professor!Ou seja, querem que façamos aquilo que foge ao nosso papel e somos cobrados por não termos competência técnica para tal, pois se nos fixamos somente nas funções para as quais fomos contratados, somos considerados omissos, conteudistas, egoístas, de pouca visão. Por outro lado, ora esperam que desempenhemos um papel, ora outro; ora querem que tenhamos determinadas atitudes, ora outras. Um exemplo interessante a esse respeito tem a ver com o uso de livros didáticos como recursos de ensino.
Houve um tempo em que esse uso era indiscriminado e todos contávamos com o aval das Faculdades de Educação. Num período seguinte, esse mesmo uso passou a ser criticado veementemente por essas mesmas Faculdades e, usar livro didático para dar aulas, passou a ser característica de professor acomodado, preguiçoso, sem criatividade.
Agora, vários trabalhos de pesquisas dos cursos de Mestrado e Doutorado das universidades brasileiras e, como não poderia deixar de ser, das estrangeiras também, pois são as que nos influenciam sempre, têm concluído, a partir de dados comparativos, pelo avanço pedagógico dos trabalhos desenvolvidos por professores que seguem os livros didáticos ao ministrarem suas aulas. Segundo relatos desses estudos, não só o uso do livro didático com os alunos tem se mostrado positivo, como melhor ainda tem sido o desempenho escolar dos alunos daquele professor que usa o mesmo livro didático por mais de um ano seguido.
É a teoria referendando a prática e aquilo que é óbvio, penso eu.
Um professor em dupla ou até mesmo tripla jornada de trabalho, não tem a menor condição de preparar textos, ilustrados ou não, estudos desses textos e atividades práticas a respeito, da mesma forma que os autores dos livros didáticos, têm.
Então, por que não usar os livros didáticos disponíveis em todas as escolas do país, adquiridos com o nosso dinheiro, dinheiro público, com a finalidade de oferecer recursos de trabalho aos professores e a partir da escolha desses mesmos professores?
No entanto, vale alertar: se esses livros são adequados ou não ao tipo de aluno que se tem, constitui-se numa outra grave e séria discussão, que se faz urgente!
terça-feira, 28 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Resiliência
A resiliência é a capacidade de adaptação dos indivíduos às situações difíceis ou estressantes; é um conceito "roubado", pela psicopedagogia, de outras ciências, da Física, me parece. Meu primeiro contato com esta idéia foi num congresso internacional de educação do qual participei e assisti a uma palestra a respeito de um autor português que discorreu sobre o tema.
Segundo esse autor, resiliência não é motivação para; não é algo que surge de dentro do indivíduo e o ajuda nas conquistas sejam elas quais forem, mas sim tem a ver com encorajamento, que é algo de fora para dentro; do outro para o sujeito.
Aplicando tal conceito às situações de sala de aula, por exemplo, compete ao professor encorajar o aluno a estudar, a fazer os trabalhos escolares, a utilizar o tempo de estudo da melhor forma possível, mesmo sob condições adversas. O próprio professor se torna resiliente quando consegue - grosso modo - transformar um limão em limonada. Será?!
Fico pensando nas minhas condições de trabalho: sala apertada, calorenta, sem visibilidade no quadro de giz, por causa dos reflexos de ambos os lados; mal ventilada; carteiras que só podem ser dispostas de um único jeito - em dupla e uma atrás da outra - ; murais laterais sem disponibilidade para uso, são insuficientes, por serem divididos entre duas professoras que usam a mesma sala; 29 alunos de idades variadas; livros didáticos inadequados ao nível de conhecimento deles; famílias que não podem, não sabem ou não querem assumir as suas responsabilidades para com os filhos; escola desorganizada pedagogicamente e... Eu, professora extremamente desencorajada com tudo isso, não sei mais o que fazer. Durante um dia escolar são tantos os conflitos e as interferências que surgem e precisam ser resolvidas! Ao final das contas, aula, aula, aula mesmo, aquela que foi pensada, planejada, preparada e até, na expectativa dos alunos deveria acontecer, pela seqüência normal dos trabalhos, acaba não acontecendo. Dá uma sensação de nada feito, de trabalho inútil, de frustração.
Fico me perguntando: voltar no dia seguinte, tentar novamente, tirar ânimo do fundo da alma, pensar em novas formas de intervenção pedagógica junto aos alunos é ser resiliente? E isso é bom?!
Segundo esse autor, resiliência não é motivação para; não é algo que surge de dentro do indivíduo e o ajuda nas conquistas sejam elas quais forem, mas sim tem a ver com encorajamento, que é algo de fora para dentro; do outro para o sujeito.
Aplicando tal conceito às situações de sala de aula, por exemplo, compete ao professor encorajar o aluno a estudar, a fazer os trabalhos escolares, a utilizar o tempo de estudo da melhor forma possível, mesmo sob condições adversas. O próprio professor se torna resiliente quando consegue - grosso modo - transformar um limão em limonada. Será?!
Fico pensando nas minhas condições de trabalho: sala apertada, calorenta, sem visibilidade no quadro de giz, por causa dos reflexos de ambos os lados; mal ventilada; carteiras que só podem ser dispostas de um único jeito - em dupla e uma atrás da outra - ; murais laterais sem disponibilidade para uso, são insuficientes, por serem divididos entre duas professoras que usam a mesma sala; 29 alunos de idades variadas; livros didáticos inadequados ao nível de conhecimento deles; famílias que não podem, não sabem ou não querem assumir as suas responsabilidades para com os filhos; escola desorganizada pedagogicamente e... Eu, professora extremamente desencorajada com tudo isso, não sei mais o que fazer. Durante um dia escolar são tantos os conflitos e as interferências que surgem e precisam ser resolvidas! Ao final das contas, aula, aula, aula mesmo, aquela que foi pensada, planejada, preparada e até, na expectativa dos alunos deveria acontecer, pela seqüência normal dos trabalhos, acaba não acontecendo. Dá uma sensação de nada feito, de trabalho inútil, de frustração.
Fico me perguntando: voltar no dia seguinte, tentar novamente, tirar ânimo do fundo da alma, pensar em novas formas de intervenção pedagógica junto aos alunos é ser resiliente? E isso é bom?!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Papel e Figurino
A escola é o reflexo da sociedade. Esta é uma afirmativa tão repetida que já virou clichê. Todo aquele que trabalha ou já trabalhou em uma escola percebe o quanto é real esta idéia, para o bem e para o mal. O cotidiano escolar constitui-se dos atos das pessoas que por ali circulam e todas elas refletem, nos seus atos e palavras, o mundo que as constituíram.
Todos os dias chegam, às vezes com toda a força, às vezes devagarzinho, às vezes sutilmente, as ondas dos fatos sociais em evidência . Elas invadem a escola, sem pedir licença, e podem causar danos ou benefícios dependendo de como são acolhidas e transformadas em conhecimentos organizados e sistematizados.
Estamos num período eleitoral, vários municípios vivenciam as campanhas do 2º turno. Os candidatos se expõem e são expostos na rádio, na TV e nas propagandas de rua. Não há quem fique alheio a esse movimento seja a criança em idade escolar, sejam os adultos. De um jeito ou de outro participamos e tomamos partido. Nessa altura do campeonato, poucos continuam indecisos ou "em cima do muro".
Na escola não é diferente e o conteúdo "eleição" acaba sendo escolarizado. Porém, esse é um tema espinhoso, porque envolve a responsabilidade dos profissionais da escola com a informação correta e não tendenciosa, a análise imparcial das propostas dos candidatos, a discussão do tema com os alunos a partir de todas as informações possíveis, de ambos os lados. Envolve, enfim, ética, respeito e democracia.
Sendo dessa forma, a escola "cresce" e todos aprendemos um pouco mais a respeito da arte e da beleza de se praticar a democracia.
Sendo o contrário, se o tema for tratado, pela escola, de forma inconseqüente e/ou tendenciosa, provoca em quem participa e se preocupa com a seriedade do fato, uma sensação de desconforto. É como vestir um figurino inadequado ao papel que se representa naquele local.
O que fazer se a você for dado o papel de mero espectador? Omitir, denunciar, ou se sentir um "zero à esquerda"?
Todos os dias chegam, às vezes com toda a força, às vezes devagarzinho, às vezes sutilmente, as ondas dos fatos sociais em evidência . Elas invadem a escola, sem pedir licença, e podem causar danos ou benefícios dependendo de como são acolhidas e transformadas em conhecimentos organizados e sistematizados.
Estamos num período eleitoral, vários municípios vivenciam as campanhas do 2º turno. Os candidatos se expõem e são expostos na rádio, na TV e nas propagandas de rua. Não há quem fique alheio a esse movimento seja a criança em idade escolar, sejam os adultos. De um jeito ou de outro participamos e tomamos partido. Nessa altura do campeonato, poucos continuam indecisos ou "em cima do muro".
Na escola não é diferente e o conteúdo "eleição" acaba sendo escolarizado. Porém, esse é um tema espinhoso, porque envolve a responsabilidade dos profissionais da escola com a informação correta e não tendenciosa, a análise imparcial das propostas dos candidatos, a discussão do tema com os alunos a partir de todas as informações possíveis, de ambos os lados. Envolve, enfim, ética, respeito e democracia.
Sendo dessa forma, a escola "cresce" e todos aprendemos um pouco mais a respeito da arte e da beleza de se praticar a democracia.
Sendo o contrário, se o tema for tratado, pela escola, de forma inconseqüente e/ou tendenciosa, provoca em quem participa e se preocupa com a seriedade do fato, uma sensação de desconforto. É como vestir um figurino inadequado ao papel que se representa naquele local.
O que fazer se a você for dado o papel de mero espectador? Omitir, denunciar, ou se sentir um "zero à esquerda"?
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Escola Desconectada II
Hoje, à entrada do 1º turno, ouvi um comentário na sala dos professores de que teríamos a simulação de um debate eleitoral entre os "candidatos-alunos" de uma das turmas da escola; cada um se fazendo passar pelos respectivos candidatos oficiais à Prefeitura de Belo Horizonte. Tudo bem, é legítimo, é válido pois estamos no "clima" de eleição e os alunos envolvidos nele.
Porém são crianças e pré-adolescentes e, por isso mesmo, deveriam ter sido trabalhados previamente, para o evento em si, a partir de discussões em sala de aula, a respeito da vida pregressa dos candidatos e principalmente a respeito das responsabilidades das pessoas que assumem a função pública de Prefeito.
Nada disso foi feito, a possibilidade do "debate" sugiu de afogadilho, de improviso, sem planejamento, sem organização, sem combinar com as outras turmas e sem pedir a participação de todos nessa organização.
Ficou determinado que o debate aconteceria hoje, às 10h20min, bem no horário da aula de Educação Física da minha turma e da turma de uma outra professora.
Não deu outra, reclamação e choradeira dos alunos das duas turmas que não queriam, de forma alguma, ceder o horário e o local da aula de Ed. Física, para a realização do debate. Num primeiro momento reclaram comigo e à hora do recreio fizeram a mesma reclamação com a Diretora da Escola.
A Coordenação Pedagógica, então, propôs uma alternativa de uso de um outro espaço e da divisão do debate em duas etapas: uma que aconteceu hoje para os alunos menores e outra que será amanhã para os alunos de 11/12 anos.
Todos contentes, o debate de hoje transcorreu bem com a participação animada dos alunos e torcidas ferrenhas para ambos os candidatos...
Na prática, meus alunos fizeram valer a política da conversa, do acordo, do consenso e, em síntese, viveram, mesmo sem nenhum planejamento prévio, a prática da democracia.
Pergunto, então: se sem planejamento, sem organização prévia, tudo correu bem, imagina o que poderíamos ter pensado e posto em prática, tendo um planejamento coletivo desse trabalho?
Porém são crianças e pré-adolescentes e, por isso mesmo, deveriam ter sido trabalhados previamente, para o evento em si, a partir de discussões em sala de aula, a respeito da vida pregressa dos candidatos e principalmente a respeito das responsabilidades das pessoas que assumem a função pública de Prefeito.
Nada disso foi feito, a possibilidade do "debate" sugiu de afogadilho, de improviso, sem planejamento, sem organização, sem combinar com as outras turmas e sem pedir a participação de todos nessa organização.
Ficou determinado que o debate aconteceria hoje, às 10h20min, bem no horário da aula de Educação Física da minha turma e da turma de uma outra professora.
Não deu outra, reclamação e choradeira dos alunos das duas turmas que não queriam, de forma alguma, ceder o horário e o local da aula de Ed. Física, para a realização do debate. Num primeiro momento reclaram comigo e à hora do recreio fizeram a mesma reclamação com a Diretora da Escola.
A Coordenação Pedagógica, então, propôs uma alternativa de uso de um outro espaço e da divisão do debate em duas etapas: uma que aconteceu hoje para os alunos menores e outra que será amanhã para os alunos de 11/12 anos.
Todos contentes, o debate de hoje transcorreu bem com a participação animada dos alunos e torcidas ferrenhas para ambos os candidatos...
Na prática, meus alunos fizeram valer a política da conversa, do acordo, do consenso e, em síntese, viveram, mesmo sem nenhum planejamento prévio, a prática da democracia.
Pergunto, então: se sem planejamento, sem organização prévia, tudo correu bem, imagina o que poderíamos ter pensado e posto em prática, tendo um planejamento coletivo desse trabalho?
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Escola Desconectada
Cheguei à escola e , como sempre, fui direto à minha sala, porque gosto de separar todo o material a ser utilizado nas aulas do dia, antes da chegada dos alunos. Estava curiosa também para observar as mudanças ocorridas com as plantinhas do "Terrário", (citado em outro post) durante a semana do recesso escolar. Qual não foi a minha surpresa, seguida de decepção, quando me deparei com um litro d'água colocado lá dentro, bem em cima de uma cova, onde plantamos a semente de jatobá. Ela ainda não tinha germinado e por isso, entramos em recesso escolar curiosos , porque queríamos saber se aquele ambiente criado por nós, alunos e professora, estaria adequado à germinação de uma semente tão maior que as sementes de tomate e boca-de-leão plantadas, e já grandinhas, desde a semana passada.
Embora tivéssemos tido o cuidado de deixar uma placa informando do objetivo do terrário e pedindo para que ele não fosse tocado, não foi o suficiente. Alguém, talvez até bem intencionado, retirou a cobertura em plástico-filme, da parte superior do terrário e introduziu dentro dele um elemento estranho às observações que já tínhamos começado a fazer.
Fiquei pensando... Quando uma escola não se organiza pedagogicamente, não conecta todos os seus profissionais (professores ou não) às suas metas educacionais, aos seus projetos pedagógicos ou projetos de trabalhos, possibilita esse tipo de acontecimento narrado acima. Isso porque favorece a que cada profissional desenvolva ali suas atividades sem o devido conhecimento daquilo que está sendo trabalhado pelos outros profissionais; e se ninguém conhece o trabalho do outro, cria-se, assim, uma situação de distanciamento dos objetivos pedagógicos gerais e/ou de cada um. Então tudo fica mais difícil, porque mesmo com a intenção de ajudar, se a pessoa desconhece o por quê das atividades em desenvolvimento, pode interferir de forma negativa ou, pior ainda, pode nem valorizar o trabalho que está sendo desenvolvido em cada sala de aula.
Uma escola assim nos remete à idéia de um arquipélago; cada sala de aula é uma ilha e sem nenhuma ligação com as outras que compõem o mesmo ambiente.
Embora tivéssemos tido o cuidado de deixar uma placa informando do objetivo do terrário e pedindo para que ele não fosse tocado, não foi o suficiente. Alguém, talvez até bem intencionado, retirou a cobertura em plástico-filme, da parte superior do terrário e introduziu dentro dele um elemento estranho às observações que já tínhamos começado a fazer.
Fiquei pensando... Quando uma escola não se organiza pedagogicamente, não conecta todos os seus profissionais (professores ou não) às suas metas educacionais, aos seus projetos pedagógicos ou projetos de trabalhos, possibilita esse tipo de acontecimento narrado acima. Isso porque favorece a que cada profissional desenvolva ali suas atividades sem o devido conhecimento daquilo que está sendo trabalhado pelos outros profissionais; e se ninguém conhece o trabalho do outro, cria-se, assim, uma situação de distanciamento dos objetivos pedagógicos gerais e/ou de cada um. Então tudo fica mais difícil, porque mesmo com a intenção de ajudar, se a pessoa desconhece o por quê das atividades em desenvolvimento, pode interferir de forma negativa ou, pior ainda, pode nem valorizar o trabalho que está sendo desenvolvido em cada sala de aula.
Uma escola assim nos remete à idéia de um arquipélago; cada sala de aula é uma ilha e sem nenhuma ligação com as outras que compõem o mesmo ambiente.
sábado, 18 de outubro de 2008
O Terrário
Após o recesso escolar retorno 2ª feira à sala de aula; teremos aulas até 16 de dezembro e encerraremos este ano letivo. Serão praticamente mais 50 dias de aula! Pouquíssimos dias para uma enormidade de conteúdos a serem trabalhados... Como já disse anteriormente, trabalho com livros didáticos e gosto dessa prática embora saiba que muitos da tribo preferem "fabricar" seus recursos pedagógicos, textos principalmente, selecionando-os de outras fontes.
Como não quero inventar a roda todos os dias e não sou especilista de todas as matérias que leciono faço uso dos livros didáticos da melhor forma que posso.
No semestre passado, estudamos várias unidades sobre os seres vivos, as relações existentes entre eles, seus ecossistemas, preservação do meio ambiente dentre diversos outros conceitos pertinentes à área das Ciências Naturais ou da Natureza. Ao final dessa unidade o autor do livro didático adotado por mim, sugere a construção de um "Terrário", para ficar exposto em sala e servir de meio a observação do desenvolvimento da vida ali naquele ambiente artificial, posto que criado por nós, no caso, meus alunos e eu.
Arranjei uma forma de todos participarem dessa construção; seguindo a orientação dada pelo autor do livro, listei as várias tarefas e os vários materiais necessários à feitura do terrário; dividi estas tarefas entre os alunos mediante sorteio; dessa forma todos puderam contribuir com alguma coisa; a mim, coube levar para a escola um recipiente de vidro, em boas condições, de um velho aquário desativado em minha casa e que fora do meu filho mais velho; levei também os materiais mais difíceis de os alunos conseguirem por eles mesmos; no mais, cada um pode levar das sementes a serem plantadas ao paninho e detergente líquido para a limpeza do recipiente, antes da montagem do terrário.
Assim, na seqüência sugerida pelo autor do LD (livro didático), cada dupla de aluno sorteada foi executando a sua tarefa até o final quando cobrimos tudo com o papel filme, última etapa da construção. Deixamos ali plantadas sementes de: tomate, boca-de-leão, capitão, jatobá, pinheiro brasileiro e cravo-rosa (ao todo três espécies de plantas de pequeno porte e duas de grande porte; sementes grandes e sementes pequenas, miúdas). Deixamos o terrário na janela da sala, sobre uma banqueta de cimento, onde recebe a luz do sol, logo no comecinho da manhã. Os alunos ficaram muito entusiasmados com essa atividade, orgulhosos mesmo! Uma semana depois, puderam ver, com alegria, que as primeiras sementes começavam a germinar, as de tomate. Foi uma vibração total. Várias observações surgiam espentaneamente: fessôra, por que que tá molhado! Parece que o vidro tá suando! Antes mesmo que eu começasse a responder um outro já tomava a minha frente e dizia: "Oh! Sô. Num tá veno que o sol esquentou a água que tá lá no potinho que nóis dexou lá dentro! Então, ela virou vapor e num saiu porque tá tudo tampado! É assim que vai ficar, tudo molhado e a gente num precisa jogá água nas semente plantada!
Pois é, estamos observando semanalmente, (diariamente por que todos os dias a primeira coisa que eles fazem é observar o terrário) mas é semanalmente que fazemos observações dirigidas por mim e concomitantemente vou escrevendo no quadro e todos copiam em seus cadernos de Ciências, o resultado da observação: o que mudou, qual planta já germinou, o que está acontecendo com a água deixada no meio do terrário em um potinho de plástico, etc.
Segunda-feira, tenho certeza, a primeira coisa que farão ao entrar para a sala, será correr para o terrário e ver o que aconteceu às plantinhas que já estavam bem grandinhas quando entramos em recesso escolar, mas nem todas tinham germinado ainda. Será que as sementes de jatobá, de capitão e de pinheiro-brasileiro irão germinar? Eu também estou curiosa...
Como não quero inventar a roda todos os dias e não sou especilista de todas as matérias que leciono faço uso dos livros didáticos da melhor forma que posso.
No semestre passado, estudamos várias unidades sobre os seres vivos, as relações existentes entre eles, seus ecossistemas, preservação do meio ambiente dentre diversos outros conceitos pertinentes à área das Ciências Naturais ou da Natureza. Ao final dessa unidade o autor do livro didático adotado por mim, sugere a construção de um "Terrário", para ficar exposto em sala e servir de meio a observação do desenvolvimento da vida ali naquele ambiente artificial, posto que criado por nós, no caso, meus alunos e eu.
Arranjei uma forma de todos participarem dessa construção; seguindo a orientação dada pelo autor do livro, listei as várias tarefas e os vários materiais necessários à feitura do terrário; dividi estas tarefas entre os alunos mediante sorteio; dessa forma todos puderam contribuir com alguma coisa; a mim, coube levar para a escola um recipiente de vidro, em boas condições, de um velho aquário desativado em minha casa e que fora do meu filho mais velho; levei também os materiais mais difíceis de os alunos conseguirem por eles mesmos; no mais, cada um pode levar das sementes a serem plantadas ao paninho e detergente líquido para a limpeza do recipiente, antes da montagem do terrário.
Assim, na seqüência sugerida pelo autor do LD (livro didático), cada dupla de aluno sorteada foi executando a sua tarefa até o final quando cobrimos tudo com o papel filme, última etapa da construção. Deixamos ali plantadas sementes de: tomate, boca-de-leão, capitão, jatobá, pinheiro brasileiro e cravo-rosa (ao todo três espécies de plantas de pequeno porte e duas de grande porte; sementes grandes e sementes pequenas, miúdas). Deixamos o terrário na janela da sala, sobre uma banqueta de cimento, onde recebe a luz do sol, logo no comecinho da manhã. Os alunos ficaram muito entusiasmados com essa atividade, orgulhosos mesmo! Uma semana depois, puderam ver, com alegria, que as primeiras sementes começavam a germinar, as de tomate. Foi uma vibração total. Várias observações surgiam espentaneamente: fessôra, por que que tá molhado! Parece que o vidro tá suando! Antes mesmo que eu começasse a responder um outro já tomava a minha frente e dizia: "Oh! Sô. Num tá veno que o sol esquentou a água que tá lá no potinho que nóis dexou lá dentro! Então, ela virou vapor e num saiu porque tá tudo tampado! É assim que vai ficar, tudo molhado e a gente num precisa jogá água nas semente plantada!
Pois é, estamos observando semanalmente, (diariamente por que todos os dias a primeira coisa que eles fazem é observar o terrário) mas é semanalmente que fazemos observações dirigidas por mim e concomitantemente vou escrevendo no quadro e todos copiam em seus cadernos de Ciências, o resultado da observação: o que mudou, qual planta já germinou, o que está acontecendo com a água deixada no meio do terrário em um potinho de plástico, etc.
Segunda-feira, tenho certeza, a primeira coisa que farão ao entrar para a sala, será correr para o terrário e ver o que aconteceu às plantinhas que já estavam bem grandinhas quando entramos em recesso escolar, mas nem todas tinham germinado ainda. Será que as sementes de jatobá, de capitão e de pinheiro-brasileiro irão germinar? Eu também estou curiosa...
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
O primeiro interlocutor
Faço questão de repercutir, nesse espaço, o primeiro comentário recebido a respeito das postagens que tenho feito até o momento. Isto porque sinto nele o pulsar inicial de uma rede de interlocuções e, a partir dela, o iniciar de idéias e ações em favor do que é urgente fazer, a meu ver, pela educação pública (no meu caso) e pela saúde pública, no caso dele - Leonardo, médico recém-formado e, por coincidência, atendendo à mesma população que eu, na Região do Barreiro.
Leonardo faz constações, no atendimento aos seus pacientes, semelhantes às que venho observando, no meu tempo de trabalho em escola da mesma região.
A primeira delas é que os alunos mais novos demonstram gostar e esperar mais da escola do que os mais velhos, que na medida em que crescem se desiludem com a escola e passam a vê-la somente como lugar para merendar. Por que será?
Outro aspecto ressaltado por ele e que eu também percebo diz respeito à desestruturação das famílias das crianças e/ou adolescentes atendidas.
Todos sabemos que o conceito de família mudou muito e são várias as situações relacionais vividas pelas crianças e adolescentes atuais. Porém, quando falamos da desagregação familiar, não estamos fazendo nenhum juízo de valor à essa ou àquela família, seja a tradicional pai, mãe e filhos; ou, mãe solteira cuidando do filho e vice-versa, ou crianças sendo cuidadas por avós, tios, primos ou vizinhos... O problema maior é o do abandono afetivo dessas crianças e adolescentes, abandono esse muito maior e mais danoso do que as outras carências experimentadas por elas/eles.
A minha preocupação, e Leonardo expressa isso também no comentário que fez, é com a falta de perspectiva de futuro que essas crianças/adolescentes demonstram ter; são meninos e meninas num começo de vida sem sonhos. Quando pergunto a eles o que desejam como profissão a resposta que trazem na ponta da língua é a de ser jogador de futebol os meninos e as meninas "ser modelo" algumas e a maioria nem resposta tem. Um outro fator que me intriga muito é o de perceber neles a satisfação com o que já alcançaram em termos de aprendizagem. Para eles saber decifrar o texto já é leitura e escrever algumas palavras ou frases, por mais simples que sejam, já está bom demais. Não querem e não esperam mais do que isso da escola. Penso que aí está refletida uma característica da sociedade brasileira: a de não valorizar a educação formal. Por isso, as frases repetidas à exaustão: "escola é chato"; "estudar não vale a pena"; fulano não estudou e nem por isso morreu de fome" etc, etc, etc.
Daí a necessidade, a meu ver, de um envolvimento total de todos nós numa super valorização da escola: de acolhimento, de interesse pelo que acontece nas salas de aula, de "glamourização" do ato de estudar, de tornar a escola visível. Quem sabe, dessa forma, os pais não se interessariam mais pelo estudo dos filhos, não se sentiriam orgulhosos do sucesso deles - como no "Soletrando" do Luciano Ruck, por exemplo! Seria mais ou menos assim: "Minha escola está na Globo, logo ela existe e eu existo também"!
Leonardo faz constações, no atendimento aos seus pacientes, semelhantes às que venho observando, no meu tempo de trabalho em escola da mesma região.
A primeira delas é que os alunos mais novos demonstram gostar e esperar mais da escola do que os mais velhos, que na medida em que crescem se desiludem com a escola e passam a vê-la somente como lugar para merendar. Por que será?
Outro aspecto ressaltado por ele e que eu também percebo diz respeito à desestruturação das famílias das crianças e/ou adolescentes atendidas.
Todos sabemos que o conceito de família mudou muito e são várias as situações relacionais vividas pelas crianças e adolescentes atuais. Porém, quando falamos da desagregação familiar, não estamos fazendo nenhum juízo de valor à essa ou àquela família, seja a tradicional pai, mãe e filhos; ou, mãe solteira cuidando do filho e vice-versa, ou crianças sendo cuidadas por avós, tios, primos ou vizinhos... O problema maior é o do abandono afetivo dessas crianças e adolescentes, abandono esse muito maior e mais danoso do que as outras carências experimentadas por elas/eles.
A minha preocupação, e Leonardo expressa isso também no comentário que fez, é com a falta de perspectiva de futuro que essas crianças/adolescentes demonstram ter; são meninos e meninas num começo de vida sem sonhos. Quando pergunto a eles o que desejam como profissão a resposta que trazem na ponta da língua é a de ser jogador de futebol os meninos e as meninas "ser modelo" algumas e a maioria nem resposta tem. Um outro fator que me intriga muito é o de perceber neles a satisfação com o que já alcançaram em termos de aprendizagem. Para eles saber decifrar o texto já é leitura e escrever algumas palavras ou frases, por mais simples que sejam, já está bom demais. Não querem e não esperam mais do que isso da escola. Penso que aí está refletida uma característica da sociedade brasileira: a de não valorizar a educação formal. Por isso, as frases repetidas à exaustão: "escola é chato"; "estudar não vale a pena"; fulano não estudou e nem por isso morreu de fome" etc, etc, etc.
Daí a necessidade, a meu ver, de um envolvimento total de todos nós numa super valorização da escola: de acolhimento, de interesse pelo que acontece nas salas de aula, de "glamourização" do ato de estudar, de tornar a escola visível. Quem sabe, dessa forma, os pais não se interessariam mais pelo estudo dos filhos, não se sentiriam orgulhosos do sucesso deles - como no "Soletrando" do Luciano Ruck, por exemplo! Seria mais ou menos assim: "Minha escola está na Globo, logo ela existe e eu existo também"!
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