quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Escola Desconectada II

Hoje, à entrada do 1º turno, ouvi um comentário na sala dos professores de que teríamos a simulação de um debate eleitoral entre os "candidatos-alunos" de uma das turmas da escola; cada um se fazendo passar pelos respectivos candidatos oficiais à Prefeitura de Belo Horizonte. Tudo bem, é legítimo, é válido pois estamos no "clima" de eleição e os alunos envolvidos nele.
Porém são crianças e pré-adolescentes e, por isso mesmo, deveriam ter sido trabalhados previamente, para o evento em si, a partir de discussões em sala de aula, a respeito da vida pregressa dos candidatos e principalmente a respeito das responsabilidades das pessoas que assumem a função pública de Prefeito.
Nada disso foi feito, a possibilidade do "debate" sugiu de afogadilho, de improviso, sem planejamento, sem organização, sem combinar com as outras turmas e sem pedir a participação de todos nessa organização.
Ficou determinado que o debate aconteceria hoje, às 10h20min, bem no horário da aula de Educação Física da minha turma e da turma de uma outra professora.
Não deu outra, reclamação e choradeira dos alunos das duas turmas que não queriam, de forma alguma, ceder o horário e o local da aula de Ed. Física, para a realização do debate. Num primeiro momento reclaram comigo e à hora do recreio fizeram a mesma reclamação com a Diretora da Escola.
A Coordenação Pedagógica, então, propôs uma alternativa de uso de um outro espaço e da divisão do debate em duas etapas: uma que aconteceu hoje para os alunos menores e outra que será amanhã para os alunos de 11/12 anos.
Todos contentes, o debate de hoje transcorreu bem com a participação animada dos alunos e torcidas ferrenhas para ambos os candidatos...
Na prática, meus alunos fizeram valer a política da conversa, do acordo, do consenso e, em síntese, viveram, mesmo sem nenhum planejamento prévio, a prática da democracia.
Pergunto, então: se sem planejamento, sem organização prévia, tudo correu bem, imagina o que poderíamos ter pensado e posto em prática, tendo um planejamento coletivo desse trabalho?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Escola Desconectada

Cheguei à escola e , como sempre, fui direto à minha sala, porque gosto de separar todo o material a ser utilizado nas aulas do dia, antes da chegada dos alunos. Estava curiosa também para observar as mudanças ocorridas com as plantinhas do "Terrário", (citado em outro post) durante a semana do recesso escolar. Qual não foi a minha surpresa, seguida de decepção, quando me deparei com um litro d'água colocado lá dentro, bem em cima de uma cova, onde plantamos a semente de jatobá. Ela ainda não tinha germinado e por isso, entramos em recesso escolar curiosos , porque queríamos saber se aquele ambiente criado por nós, alunos e professora, estaria adequado à germinação de uma semente tão maior que as sementes de tomate e boca-de-leão plantadas, e já grandinhas, desde a semana passada.
Embora tivéssemos tido o cuidado de deixar uma placa informando do objetivo do terrário e pedindo para que ele não fosse tocado, não foi o suficiente. Alguém, talvez até bem intencionado, retirou a cobertura em plástico-filme, da parte superior do terrário e introduziu dentro dele um elemento estranho às observações que já tínhamos começado a fazer.
Fiquei pensando... Quando uma escola não se organiza pedagogicamente, não conecta todos os seus profissionais (professores ou não) às suas metas educacionais, aos seus projetos pedagógicos ou projetos de trabalhos, possibilita esse tipo de acontecimento narrado acima. Isso porque favorece a que cada profissional desenvolva ali suas atividades sem o devido conhecimento daquilo que está sendo trabalhado pelos outros profissionais; e se ninguém conhece o trabalho do outro, cria-se, assim, uma situação de distanciamento dos objetivos pedagógicos gerais e/ou de cada um. Então tudo fica mais difícil, porque mesmo com a intenção de ajudar, se a pessoa desconhece o por quê das atividades em desenvolvimento, pode interferir de forma negativa ou, pior ainda, pode nem valorizar o trabalho que está sendo desenvolvido em cada sala de aula.
Uma escola assim nos remete à idéia de um arquipélago; cada sala de aula é uma ilha e sem nenhuma ligação com as outras que compõem o mesmo ambiente.

sábado, 18 de outubro de 2008

O Terrário

Após o recesso escolar retorno 2ª feira à sala de aula; teremos aulas até 16 de dezembro e encerraremos este ano letivo. Serão praticamente mais 50 dias de aula! Pouquíssimos dias para uma enormidade de conteúdos a serem trabalhados... Como já disse anteriormente, trabalho com livros didáticos e gosto dessa prática embora saiba que muitos da tribo preferem "fabricar" seus recursos pedagógicos, textos principalmente, selecionando-os de outras fontes.
Como não quero inventar a roda todos os dias e não sou especilista de todas as matérias que leciono faço uso dos livros didáticos da melhor forma que posso.
No semestre passado, estudamos várias unidades sobre os seres vivos, as relações existentes entre eles, seus ecossistemas, preservação do meio ambiente dentre diversos outros conceitos pertinentes à área das Ciências Naturais ou da Natureza. Ao final dessa unidade o autor do livro didático adotado por mim, sugere a construção de um "Terrário", para ficar exposto em sala e servir de meio a observação do desenvolvimento da vida ali naquele ambiente artificial, posto que criado por nós, no caso, meus alunos e eu.
Arranjei uma forma de todos participarem dessa construção; seguindo a orientação dada pelo autor do livro, listei as várias tarefas e os vários materiais necessários à feitura do terrário; dividi estas tarefas entre os alunos mediante sorteio; dessa forma todos puderam contribuir com alguma coisa; a mim, coube levar para a escola um recipiente de vidro, em boas condições, de um velho aquário desativado em minha casa e que fora do meu filho mais velho; levei também os materiais mais difíceis de os alunos conseguirem por eles mesmos; no mais, cada um pode levar das sementes a serem plantadas ao paninho e detergente líquido para a limpeza do recipiente, antes da montagem do terrário.
Assim, na seqüência sugerida pelo autor do LD (livro didático), cada dupla de aluno sorteada foi executando a sua tarefa até o final quando cobrimos tudo com o papel filme, última etapa da construção. Deixamos ali plantadas sementes de: tomate, boca-de-leão, capitão, jatobá, pinheiro brasileiro e cravo-rosa (ao todo três espécies de plantas de pequeno porte e duas de grande porte; sementes grandes e sementes pequenas, miúdas). Deixamos o terrário na janela da sala, sobre uma banqueta de cimento, onde recebe a luz do sol, logo no comecinho da manhã. Os alunos ficaram muito entusiasmados com essa atividade, orgulhosos mesmo! Uma semana depois, puderam ver, com alegria, que as primeiras sementes começavam a germinar, as de tomate. Foi uma vibração total. Várias observações surgiam espentaneamente: fessôra, por que que tá molhado! Parece que o vidro tá suando! Antes mesmo que eu começasse a responder um outro já tomava a minha frente e dizia: "Oh! Sô. Num tá veno que o sol esquentou a água que tá lá no potinho que nóis dexou lá dentro! Então, ela virou vapor e num saiu porque tá tudo tampado! É assim que vai ficar, tudo molhado e a gente num precisa jogá água nas semente plantada!
Pois é, estamos observando semanalmente, (diariamente por que todos os dias a primeira coisa que eles fazem é observar o terrário) mas é semanalmente que fazemos observações dirigidas por mim e concomitantemente vou escrevendo no quadro e todos copiam em seus cadernos de Ciências, o resultado da observação: o que mudou, qual planta já germinou, o que está acontecendo com a água deixada no meio do terrário em um potinho de plástico, etc.
Segunda-feira, tenho certeza, a primeira coisa que farão ao entrar para a sala, será correr para o terrário e ver o que aconteceu às plantinhas que já estavam bem grandinhas quando entramos em recesso escolar, mas nem todas tinham germinado ainda. Será que as sementes de jatobá, de capitão e de pinheiro-brasileiro irão germinar? Eu também estou curiosa...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O primeiro interlocutor

Faço questão de repercutir, nesse espaço, o primeiro comentário recebido a respeito das postagens que tenho feito até o momento. Isto porque sinto nele o pulsar inicial de uma rede de interlocuções e, a partir dela, o iniciar de idéias e ações em favor do que é urgente fazer, a meu ver, pela educação pública (no meu caso) e pela saúde pública, no caso dele - Leonardo, médico recém-formado e, por coincidência, atendendo à mesma população que eu, na Região do Barreiro.

Leonardo faz constações, no atendimento aos seus pacientes, semelhantes às que venho observando, no meu tempo de trabalho em escola da mesma região.

A primeira delas é que os alunos mais novos demonstram gostar e esperar mais da escola do que os mais velhos, que na medida em que crescem se desiludem com a escola e passam a vê-la somente como lugar para merendar. Por que será?

Outro aspecto ressaltado por ele e que eu também percebo diz respeito à desestruturação das famílias das crianças e/ou adolescentes atendidas.
Todos sabemos que o conceito de família mudou muito e são várias as situações relacionais vividas pelas crianças e adolescentes atuais. Porém, quando falamos da desagregação familiar, não estamos fazendo nenhum juízo de valor à essa ou àquela família, seja a tradicional pai, mãe e filhos; ou, mãe solteira cuidando do filho e vice-versa, ou crianças sendo cuidadas por avós, tios, primos ou vizinhos... O problema maior é o do abandono afetivo dessas crianças e adolescentes, abandono esse muito maior e mais danoso do que as outras carências experimentadas por elas/eles.

A minha preocupação, e Leonardo expressa isso também no comentário que fez, é com a falta de perspectiva de futuro que essas crianças/adolescentes demonstram ter; são meninos e meninas num começo de vida sem sonhos. Quando pergunto a eles o que desejam como profissão a resposta que trazem na ponta da língua é a de ser jogador de futebol os meninos e as meninas "ser modelo" algumas e a maioria nem resposta tem. Um outro fator que me intriga muito é o de perceber neles a satisfação com o que já alcançaram em termos de aprendizagem. Para eles saber decifrar o texto já é leitura e escrever algumas palavras ou frases, por mais simples que sejam, já está bom demais. Não querem e não esperam mais do que isso da escola. Penso que aí está refletida uma característica da sociedade brasileira: a de não valorizar a educação formal. Por isso, as frases repetidas à exaustão: "escola é chato"; "estudar não vale a pena"; fulano não estudou e nem por isso morreu de fome" etc, etc, etc.
Daí a necessidade, a meu ver, de um envolvimento total de todos nós numa super valorização da escola: de acolhimento, de interesse pelo que acontece nas salas de aula, de "glamourização" do ato de estudar, de tornar a escola visível. Quem sabe, dessa forma, os pais não se interessariam mais pelo estudo dos filhos, não se sentiriam orgulhosos do sucesso deles - como no "Soletrando" do Luciano Ruck, por exemplo! Seria mais ou menos assim: "Minha escola está na Globo, logo ela existe e eu existo também"!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Quais são os seus referenciais teóricos?

Recentemente fui instigada a responder à questão do título acima e confesso que fiquei meio embasbacada. Não que eu não tenha uma base teórica ou uma informação teórica a respeito da minha profissão. O próprio fato de eu ser graduada já é indício de algum referencial teórico visto que todo curso de graduação é formatado a partir das teorias nacionais e estrangeiras , pilares das aulas a serem ministradas pelos mestres/doutores , das respectivas disciplinas do curso.
Porém, penso que todos nós, profissionais da educação ou não, somos um todo teórico formados por partes das diversas teorias que nos formaram e nos formam ao longo dos nossos estudos acadêmicos ou não. A vida, a prática, a experiência também nos forma. Nesse sentido, somos polifônicos. Nos caracterizamos profissionalmente a partir dos diversos autores dos dicursos e dos textos lidos e/ou ouvidos enquanto nos fazemos profissionais e na prática do nosso ofício.
Sendo assim, nós professores podemos nos dizer "paulofreirianos", "magdarianas", "marcuschirianos", "casasantariana", (professora/autora alfabetizadora que respeito muito pelo que produziu teoricamente para o ensino da leitura e da escrita, enquanto viveu) dentre outros. Cito alguns autores nacionais sabendo que todos eles "beberam" em fontes estrangeiras e se constituíram teoricamente nelas.
O que eu quero dizer, no entanto, é que cada professor certamente tem a sua teoria educacional construída a partir da sua vida acadêmica e, posteriormente, segundo o seu local de trabalho e conforme as oportunidades que tem na formação continuada. Enquanto estudamos e quando já estamos no exercício da nossa função lemos vários autores; geralmente os autores "da moda" tornam-se modelos de reflexão sobre a nossa prática, mas nem todos seguimos uma linha única de pensamento. Eu prefiro ser eclética. Leio os autores que tenho a oportunidade de ler e me dou o direito de me transformar e/ou transformar a minha prática em função de tais ou quais teorias de ensino ou educacionais estudadas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Livro didático,você usa?

Sou do tempo em que os alunos das escolas públicas não podiam comprar ( e ainda não podem) toda a lista do material didático a ser usado por eles e entregues pelas escolas aos seus pais, ao final do ano letivo, no ato da renovação da matrícula. Essas listas continham não só o número de cadernos necessários aos estudos, como também a quantidade de lápis de cor e de escrever, régua, borracha, transferidor,apontador, cola, tesoura sem ponta e os livros didáticos de cada matéria: geralmente o livro de Português, o de Matemática, o de Ciências, o de Geografia e o de História. Estou falando das turmas do ensino fundamental, 1ª à 8ª séries.
Algumas escolas pediam também um dicionário pequeno e um livro de literatura (título previamente escolhido conforme a faixa etária do aluno e o gosto da professora). Ah! Os livros didáticos eram escolhidos pelos professores! Após as férias de julho, as editoras de livros didáticos, interessadas em vender seus livros, visitavam as escolas, deixavam exemplares dos diversos autores, para serem analisados pelos professores. Eram livros de todas as diciplinas e de todas as séries. Recebíamos várias coleções de praticamente todas as editoras de Belo Horizonte e até de outros estados. Reuníamos, analisávamos todos os livros recebidos e escolhíamos aqueles que achávamos serem mais adequados aos nossos alunos, pois estavam de acordo com o seu nível de aprendizado; com os livros de literatura era a mesma coisa; podíamos, assim, fazer uma seqüência mais natural de trabalho, pois sabíamos que esse ou aquele livro didático, da editora tal ou qual, nos atenderia perfeitamente. Nós,invariavelmente, recebíamos treinamento, por parte das editoras, para o trabalho a ser desenvolvido com o livro escolhido.
Atualmente os alunos recebem todos os livros didáticos e um "Kit" de material escolar, do governo federal e municipal. O trabalho da escolha dos livros didáticos e de literatura a serem utilizados com os alunos saiu das mãos dos professores. Existe uma comissão governamental que faz isso por nós. Assim que recebemos a lista de livros a serem "escolhidos" sabemos de antemão que os mesmos já passaram por um crivo dos especialistas do governo. E os livros de literatura? Esses vão diretamente, na forma de um "Kit", para as mãos dos alunos. O professor sequer é informado a respeito das obras enviadas ou recebe também o seu pacote, para então desenvolver o trabalho literário, ao longo do ano letivo, com os alunos.
Quais são as conseqüências disso, então? Recebemos livros que não conhecemos previamente, que não folheamos, que só soubemos deles através de uma resenha e de uma classificação feitas pela comissão citada. Assim, no momento mesmo do trabalho com o aluno, é que tomamos conhecimento do conteúdo do livro "escolhido" e é aí que sentimos a inadequação do mesmo, para o tipo de aluno que temos. Só nos resta, então, fazer adaptações, complementar com outros materiais; se textos, geralmente xerocados, ou, pior ainda, simplesmente deixar o livro de lado, por inadequado que é... E haja desperdício do dinheiro público!
Penso que caso os senhores deputados e senadores queiram fazer uma inspeção nas escolas uma "CPI do uso do livro didático" ficarão estarrecidos ao se depararem com pacotes e pacotes fechados de livros novinhos e jogados pelos cantos das escolas públicas de todo o país.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Especialista ou Generalista?

Em fevereiro de 1995 a Rede Municipal de Ensino da Prefeitura de Belo Horizonte iniciou o ano letivo sob a égide da chamada "Escola Plural". Costumo dizer que "dormimos escola tradicional e acordamos escola plural". Deixamos de ser escola seriada e nos tornamos "escola por ciclos de formação"; deixamos de ter a reprovação ao final de cada série e passamos à promoção automática; deixamos de ter um currículo como referência para os planejamentos de ensino e passamos a nos guiar por "eixos temáticos"; deixamos de ter o supervisor pedagógico ou o coordenador pedagógico ( função exercida mediante concurso público) e passamos a ter o coordenador eleito por seus pares; deixamos de ser especialistas e nos tornamos generalistas. Todos nos tornamos professores alfabetizadores. Não "dávamos aulas", mas passamos a trabalhar com a "Pedagogia de Projetos" ; atendíamos aos interesses imediatos dos nossos alunos e assim "os conteúdos seriam trabalhados naturalmente", não importando o rumo que viessem a tomar.
Até então, na escola seriada, o ensino fundamental se subdividia em: 1ª à 4ª série - alunos de 7, 8, 9 e 10 anos; 5ª à 8ª série - alunos de 11, 12, 13 e 14 anos. Havia um regimento interno comum a todas as escolas da rede, que dentre outras coisas, previa a retenção do aluno ao final de cada série, caso não alcançasse um mínimo de 60% dos 100 pontos distribuídos ao longo do ano letivo, em avaliações formais e bimestrais.
Os professores eram contratados mediante um concurso público específico para cada etapa do ensino (1ª à 4ª séries, professores denominados P1, formados no ensino médio, Curso Normal); (5ª à 8ª séries, professores concursados, denominados P2, com habilitação específica para a sua área de ensino: graduados em Matemática, em Letras, em Geografia, em História e/ou Biologia) para trabalhar respectivamente as disciplinas afins.
Com o advento da "Escola Plural", tudo isso mudou. Houve a isonomia salarial e a divisão do ensino fundamental em "Ciclos de Formação". Assim, alunos de 6,7,8 e 9 anos - 1º ciclo, alunos de 9,10,11/12 anos, 2º ciclo, alunos de 12,13,14/15 anos 3º ciclo. Ao se transformar a seriação em ciclos de formação instituiu-se também uma espécie de limbo para os alunos da antiga 5ª série; eles passaram a ser denominados de pré-adolescentes do final do 2º ciclo e, dependendo da escola em que estudavam/estudam, ora eram/são alunos de professores especialistas, ora alunos de professores generalistas. Na escola onde trabalho, eles são atendidos pelo antigo professor P1, hoje "Professor Municipal", graduado, concursado, mas não especialista na disciplina de ensino. Geralmente são formados em Pedagogia, ou em Letras; poucos em Matemática; pouquíssimos em Biologia, por exemplo.
Eu sou um exemplo claro dessa situação. Minha formação é em Pedagogia e em Letras. Trabalho com alunos da antiga 5ª série e ministro aulas, para essa turma de: Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências. Adoto os livros didáticos específicos para os alunos de 5ª série (os livros vêm com essa terminologia porque não existem "livros específicos para ciclos de formação").
Sinto dificuldade em trabalhar os conteúdos para os quais não tenho uma formação específica. É evidente o quanto o trabalho fica superficial, mesmo seguindo o livro didático, quase que como uma "Bíblia". Meu foco, então, dada a minha formação, é em leitura e compreensão destes textos, mas o aprofundamento no estudo de cada conteúdo de ensino ou até mesmo a exploração minuciosa do que propõem os autores dos livros didáticos adotados fica prejudicada pela falta do conhecimento específico da disciplina, que não tenho.