Recentemente fui instigada a responder à questão do título acima e confesso que fiquei meio embasbacada. Não que eu não tenha uma base teórica ou uma informação teórica a respeito da minha profissão. O próprio fato de eu ser graduada já é indício de algum referencial teórico visto que todo curso de graduação é formatado a partir das teorias nacionais e estrangeiras , pilares das aulas a serem ministradas pelos mestres/doutores , das respectivas disciplinas do curso.
Porém, penso que todos nós, profissionais da educação ou não, somos um todo teórico formados por partes das diversas teorias que nos formaram e nos formam ao longo dos nossos estudos acadêmicos ou não. A vida, a prática, a experiência também nos forma. Nesse sentido, somos polifônicos. Nos caracterizamos profissionalmente a partir dos diversos autores dos dicursos e dos textos lidos e/ou ouvidos enquanto nos fazemos profissionais e na prática do nosso ofício.
Sendo assim, nós professores podemos nos dizer "paulofreirianos", "magdarianas", "marcuschirianos", "casasantariana", (professora/autora alfabetizadora que respeito muito pelo que produziu teoricamente para o ensino da leitura e da escrita, enquanto viveu) dentre outros. Cito alguns autores nacionais sabendo que todos eles "beberam" em fontes estrangeiras e se constituíram teoricamente nelas.
O que eu quero dizer, no entanto, é que cada professor certamente tem a sua teoria educacional construída a partir da sua vida acadêmica e, posteriormente, segundo o seu local de trabalho e conforme as oportunidades que tem na formação continuada. Enquanto estudamos e quando já estamos no exercício da nossa função lemos vários autores; geralmente os autores "da moda" tornam-se modelos de reflexão sobre a nossa prática, mas nem todos seguimos uma linha única de pensamento. Eu prefiro ser eclética. Leio os autores que tenho a oportunidade de ler e me dou o direito de me transformar e/ou transformar a minha prática em função de tais ou quais teorias de ensino ou educacionais estudadas.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Livro didático,você usa?
Sou do tempo em que os alunos das escolas públicas não podiam comprar ( e ainda não podem) toda a lista do material didático a ser usado por eles e entregues pelas escolas aos seus pais, ao final do ano letivo, no ato da renovação da matrícula. Essas listas continham não só o número de cadernos necessários aos estudos, como também a quantidade de lápis de cor e de escrever, régua, borracha, transferidor,apontador, cola, tesoura sem ponta e os livros didáticos de cada matéria: geralmente o livro de Português, o de Matemática, o de Ciências, o de Geografia e o de História. Estou falando das turmas do ensino fundamental, 1ª à 8ª séries.
Algumas escolas pediam também um dicionário pequeno e um livro de literatura (título previamente escolhido conforme a faixa etária do aluno e o gosto da professora). Ah! Os livros didáticos eram escolhidos pelos professores! Após as férias de julho, as editoras de livros didáticos, interessadas em vender seus livros, visitavam as escolas, deixavam exemplares dos diversos autores, para serem analisados pelos professores. Eram livros de todas as diciplinas e de todas as séries. Recebíamos várias coleções de praticamente todas as editoras de Belo Horizonte e até de outros estados. Reuníamos, analisávamos todos os livros recebidos e escolhíamos aqueles que achávamos serem mais adequados aos nossos alunos, pois estavam de acordo com o seu nível de aprendizado; com os livros de literatura era a mesma coisa; podíamos, assim, fazer uma seqüência mais natural de trabalho, pois sabíamos que esse ou aquele livro didático, da editora tal ou qual, nos atenderia perfeitamente. Nós,invariavelmente, recebíamos treinamento, por parte das editoras, para o trabalho a ser desenvolvido com o livro escolhido.
Atualmente os alunos recebem todos os livros didáticos e um "Kit" de material escolar, do governo federal e municipal. O trabalho da escolha dos livros didáticos e de literatura a serem utilizados com os alunos saiu das mãos dos professores. Existe uma comissão governamental que faz isso por nós. Assim que recebemos a lista de livros a serem "escolhidos" sabemos de antemão que os mesmos já passaram por um crivo dos especialistas do governo. E os livros de literatura? Esses vão diretamente, na forma de um "Kit", para as mãos dos alunos. O professor sequer é informado a respeito das obras enviadas ou recebe também o seu pacote, para então desenvolver o trabalho literário, ao longo do ano letivo, com os alunos.
Quais são as conseqüências disso, então? Recebemos livros que não conhecemos previamente, que não folheamos, que só soubemos deles através de uma resenha e de uma classificação feitas pela comissão citada. Assim, no momento mesmo do trabalho com o aluno, é que tomamos conhecimento do conteúdo do livro "escolhido" e é aí que sentimos a inadequação do mesmo, para o tipo de aluno que temos. Só nos resta, então, fazer adaptações, complementar com outros materiais; se textos, geralmente xerocados, ou, pior ainda, simplesmente deixar o livro de lado, por inadequado que é... E haja desperdício do dinheiro público!
Penso que caso os senhores deputados e senadores queiram fazer uma inspeção nas escolas uma "CPI do uso do livro didático" ficarão estarrecidos ao se depararem com pacotes e pacotes fechados de livros novinhos e jogados pelos cantos das escolas públicas de todo o país.
Algumas escolas pediam também um dicionário pequeno e um livro de literatura (título previamente escolhido conforme a faixa etária do aluno e o gosto da professora). Ah! Os livros didáticos eram escolhidos pelos professores! Após as férias de julho, as editoras de livros didáticos, interessadas em vender seus livros, visitavam as escolas, deixavam exemplares dos diversos autores, para serem analisados pelos professores. Eram livros de todas as diciplinas e de todas as séries. Recebíamos várias coleções de praticamente todas as editoras de Belo Horizonte e até de outros estados. Reuníamos, analisávamos todos os livros recebidos e escolhíamos aqueles que achávamos serem mais adequados aos nossos alunos, pois estavam de acordo com o seu nível de aprendizado; com os livros de literatura era a mesma coisa; podíamos, assim, fazer uma seqüência mais natural de trabalho, pois sabíamos que esse ou aquele livro didático, da editora tal ou qual, nos atenderia perfeitamente. Nós,invariavelmente, recebíamos treinamento, por parte das editoras, para o trabalho a ser desenvolvido com o livro escolhido.
Atualmente os alunos recebem todos os livros didáticos e um "Kit" de material escolar, do governo federal e municipal. O trabalho da escolha dos livros didáticos e de literatura a serem utilizados com os alunos saiu das mãos dos professores. Existe uma comissão governamental que faz isso por nós. Assim que recebemos a lista de livros a serem "escolhidos" sabemos de antemão que os mesmos já passaram por um crivo dos especialistas do governo. E os livros de literatura? Esses vão diretamente, na forma de um "Kit", para as mãos dos alunos. O professor sequer é informado a respeito das obras enviadas ou recebe também o seu pacote, para então desenvolver o trabalho literário, ao longo do ano letivo, com os alunos.
Quais são as conseqüências disso, então? Recebemos livros que não conhecemos previamente, que não folheamos, que só soubemos deles através de uma resenha e de uma classificação feitas pela comissão citada. Assim, no momento mesmo do trabalho com o aluno, é que tomamos conhecimento do conteúdo do livro "escolhido" e é aí que sentimos a inadequação do mesmo, para o tipo de aluno que temos. Só nos resta, então, fazer adaptações, complementar com outros materiais; se textos, geralmente xerocados, ou, pior ainda, simplesmente deixar o livro de lado, por inadequado que é... E haja desperdício do dinheiro público!
Penso que caso os senhores deputados e senadores queiram fazer uma inspeção nas escolas uma "CPI do uso do livro didático" ficarão estarrecidos ao se depararem com pacotes e pacotes fechados de livros novinhos e jogados pelos cantos das escolas públicas de todo o país.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Especialista ou Generalista?
Em fevereiro de 1995 a Rede Municipal de Ensino da Prefeitura de Belo Horizonte iniciou o ano letivo sob a égide da chamada "Escola Plural". Costumo dizer que "dormimos escola tradicional e acordamos escola plural". Deixamos de ser escola seriada e nos tornamos "escola por ciclos de formação"; deixamos de ter a reprovação ao final de cada série e passamos à promoção automática; deixamos de ter um currículo como referência para os planejamentos de ensino e passamos a nos guiar por "eixos temáticos"; deixamos de ter o supervisor pedagógico ou o coordenador pedagógico ( função exercida mediante concurso público) e passamos a ter o coordenador eleito por seus pares; deixamos de ser especialistas e nos tornamos generalistas. Todos nos tornamos professores alfabetizadores. Não "dávamos aulas", mas passamos a trabalhar com a "Pedagogia de Projetos" ; atendíamos aos interesses imediatos dos nossos alunos e assim "os conteúdos seriam trabalhados naturalmente", não importando o rumo que viessem a tomar.
Até então, na escola seriada, o ensino fundamental se subdividia em: 1ª à 4ª série - alunos de 7, 8, 9 e 10 anos; 5ª à 8ª série - alunos de 11, 12, 13 e 14 anos. Havia um regimento interno comum a todas as escolas da rede, que dentre outras coisas, previa a retenção do aluno ao final de cada série, caso não alcançasse um mínimo de 60% dos 100 pontos distribuídos ao longo do ano letivo, em avaliações formais e bimestrais.
Os professores eram contratados mediante um concurso público específico para cada etapa do ensino (1ª à 4ª séries, professores denominados P1, formados no ensino médio, Curso Normal); (5ª à 8ª séries, professores concursados, denominados P2, com habilitação específica para a sua área de ensino: graduados em Matemática, em Letras, em Geografia, em História e/ou Biologia) para trabalhar respectivamente as disciplinas afins.
Com o advento da "Escola Plural", tudo isso mudou. Houve a isonomia salarial e a divisão do ensino fundamental em "Ciclos de Formação". Assim, alunos de 6,7,8 e 9 anos - 1º ciclo, alunos de 9,10,11/12 anos, 2º ciclo, alunos de 12,13,14/15 anos 3º ciclo. Ao se transformar a seriação em ciclos de formação instituiu-se também uma espécie de limbo para os alunos da antiga 5ª série; eles passaram a ser denominados de pré-adolescentes do final do 2º ciclo e, dependendo da escola em que estudavam/estudam, ora eram/são alunos de professores especialistas, ora alunos de professores generalistas. Na escola onde trabalho, eles são atendidos pelo antigo professor P1, hoje "Professor Municipal", graduado, concursado, mas não especialista na disciplina de ensino. Geralmente são formados em Pedagogia, ou em Letras; poucos em Matemática; pouquíssimos em Biologia, por exemplo.
Eu sou um exemplo claro dessa situação. Minha formação é em Pedagogia e em Letras. Trabalho com alunos da antiga 5ª série e ministro aulas, para essa turma de: Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências. Adoto os livros didáticos específicos para os alunos de 5ª série (os livros vêm com essa terminologia porque não existem "livros específicos para ciclos de formação").
Sinto dificuldade em trabalhar os conteúdos para os quais não tenho uma formação específica. É evidente o quanto o trabalho fica superficial, mesmo seguindo o livro didático, quase que como uma "Bíblia". Meu foco, então, dada a minha formação, é em leitura e compreensão destes textos, mas o aprofundamento no estudo de cada conteúdo de ensino ou até mesmo a exploração minuciosa do que propõem os autores dos livros didáticos adotados fica prejudicada pela falta do conhecimento específico da disciplina, que não tenho.
Até então, na escola seriada, o ensino fundamental se subdividia em: 1ª à 4ª série - alunos de 7, 8, 9 e 10 anos; 5ª à 8ª série - alunos de 11, 12, 13 e 14 anos. Havia um regimento interno comum a todas as escolas da rede, que dentre outras coisas, previa a retenção do aluno ao final de cada série, caso não alcançasse um mínimo de 60% dos 100 pontos distribuídos ao longo do ano letivo, em avaliações formais e bimestrais.
Os professores eram contratados mediante um concurso público específico para cada etapa do ensino (1ª à 4ª séries, professores denominados P1, formados no ensino médio, Curso Normal); (5ª à 8ª séries, professores concursados, denominados P2, com habilitação específica para a sua área de ensino: graduados em Matemática, em Letras, em Geografia, em História e/ou Biologia) para trabalhar respectivamente as disciplinas afins.
Com o advento da "Escola Plural", tudo isso mudou. Houve a isonomia salarial e a divisão do ensino fundamental em "Ciclos de Formação". Assim, alunos de 6,7,8 e 9 anos - 1º ciclo, alunos de 9,10,11/12 anos, 2º ciclo, alunos de 12,13,14/15 anos 3º ciclo. Ao se transformar a seriação em ciclos de formação instituiu-se também uma espécie de limbo para os alunos da antiga 5ª série; eles passaram a ser denominados de pré-adolescentes do final do 2º ciclo e, dependendo da escola em que estudavam/estudam, ora eram/são alunos de professores especialistas, ora alunos de professores generalistas. Na escola onde trabalho, eles são atendidos pelo antigo professor P1, hoje "Professor Municipal", graduado, concursado, mas não especialista na disciplina de ensino. Geralmente são formados em Pedagogia, ou em Letras; poucos em Matemática; pouquíssimos em Biologia, por exemplo.
Eu sou um exemplo claro dessa situação. Minha formação é em Pedagogia e em Letras. Trabalho com alunos da antiga 5ª série e ministro aulas, para essa turma de: Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências. Adoto os livros didáticos específicos para os alunos de 5ª série (os livros vêm com essa terminologia porque não existem "livros específicos para ciclos de formação").
Sinto dificuldade em trabalhar os conteúdos para os quais não tenho uma formação específica. É evidente o quanto o trabalho fica superficial, mesmo seguindo o livro didático, quase que como uma "Bíblia". Meu foco, então, dada a minha formação, é em leitura e compreensão destes textos, mas o aprofundamento no estudo de cada conteúdo de ensino ou até mesmo a exploração minuciosa do que propõem os autores dos livros didáticos adotados fica prejudicada pela falta do conhecimento específico da disciplina, que não tenho.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Como na Teoria do Caos
Estou um tanto inspirada hoje. Trabalhei com minha turma pela manhã e como sempre, nada os convence da necessidade de se ter comportamentos adequados às situações vivenciadas em sala de aula e/ou fora dela. Hoje em dia não existe mais aquela história de que o professor fala e os alunos ouvem submissos, apáticos e sem opinião própria. Ao contrário, toda e qualquer aula constitui-se de uma infindável polifonia, querendo o professor ou não. Não existe mais o monólogo. Os alunos assaltam os turnos de fala, tanto do professor quanto dos colegas, dão opinião a respeito de qualquer assunto mesmo que não dominem nada, nada, nada a respeito. Eles querem falar; muitas vezes "pelos cotovelos", mas querem falar. E como falam!
Minha maior dificuldade com eles reside em conseguir ao menos introduzir os assuntos das aulas do dia e estabelecer com os mesmos a melhor forma de desenvolver cada um dos tópicos previstos.
Diariamente o mesmo ritual se repete: subo com a turma da quadra para a sala de aula; dou passagem a todos; eles entram e já encontram as carteiras organizadas em duplas; cada um procura o seu lugar; cumprimento-os e recebo de volta um fraco "Bom dia"; sinto-me transparente; espero alguns minutos para que percebam a minha ínfima presença ali; em vão; se conversando entraram, conversando continuam; escrevo o nome da disciplina a ser trabalhada no quadro e a data do dia; nem assim eles se ligam; olho; espero; espero... Finalmente altero a voz e dou um outro bom dia mais alto, mais vibrante e... Nada. Resolvo ir de carteira em carteira: fulaninho, tire o seu caderno de História, vou precisar do livro também, viu? Ih! Fessôra! Esqueci o livro! Ou, não fiz o "Para Casa"... E a turma continua fingindo não perceber minha presença. Começo a aula assim mesmo, pois o tempo passa e o relógio não espera ninguém. Falo mais alto e obtenho uns segundos da atenção deles. Introduzo a aula nesse vácuo de atenção e conto com a participação de todos. A esperança não morre!
Assim, entre conversas e conversas; conversas entre eles e sem nenhuma relação com a aula; conversas entre mim e os poucos interessados; conversas que de repente tomam rumos inesperados , surgidas de perguntas a queima-roupa vindas do fundo da sala de alguém que eu sequer percebera que prestava atenção é que se inicia e se termina mais um dia de aula...
Minha maior dificuldade com eles reside em conseguir ao menos introduzir os assuntos das aulas do dia e estabelecer com os mesmos a melhor forma de desenvolver cada um dos tópicos previstos.
Diariamente o mesmo ritual se repete: subo com a turma da quadra para a sala de aula; dou passagem a todos; eles entram e já encontram as carteiras organizadas em duplas; cada um procura o seu lugar; cumprimento-os e recebo de volta um fraco "Bom dia"; sinto-me transparente; espero alguns minutos para que percebam a minha ínfima presença ali; em vão; se conversando entraram, conversando continuam; escrevo o nome da disciplina a ser trabalhada no quadro e a data do dia; nem assim eles se ligam; olho; espero; espero... Finalmente altero a voz e dou um outro bom dia mais alto, mais vibrante e... Nada. Resolvo ir de carteira em carteira: fulaninho, tire o seu caderno de História, vou precisar do livro também, viu? Ih! Fessôra! Esqueci o livro! Ou, não fiz o "Para Casa"... E a turma continua fingindo não perceber minha presença. Começo a aula assim mesmo, pois o tempo passa e o relógio não espera ninguém. Falo mais alto e obtenho uns segundos da atenção deles. Introduzo a aula nesse vácuo de atenção e conto com a participação de todos. A esperança não morre!
Assim, entre conversas e conversas; conversas entre eles e sem nenhuma relação com a aula; conversas entre mim e os poucos interessados; conversas que de repente tomam rumos inesperados , surgidas de perguntas a queima-roupa vindas do fundo da sala de alguém que eu sequer percebera que prestava atenção é que se inicia e se termina mais um dia de aula...
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Educação Formal: Chamada de Capa
Ando pensando bastante a respeito da pouca importância que se dá à educação escolar em nossa sociedade, e isso, infelizmente, desde que o Brasil é Brasil. Ao ler recentemente a obra do professor Lourenço Filho "Tendências da Educação Brasileira" pude confirmar tal característica nossa. Não ligar a mínima para o que diz respeito à Educação Formal e em particular ao que acontece diariamente nas salas de aula brasileiras. É como se todos disséssemos ao mesmo tempo: isso não é problema meu. Mas como não é problema meu se de uma forma ou de outra estou envolvido com o que acontece nesses espaços? E nossos filhos que estão lá; e nossos vizinhos; e nossos parentes; e nossos conhecidos, e nós, brasileiros estudantes?
Todos os dias uma população imensa de crianças, pré-adolescentes, adolescentes e adultos (professores e funcionários das escolas) envolvem-se numa relação direta, frente a frente: uns tentando aprender e outros tentando ensinar e/ou aprender também.
Quais são as dificuldades desses sujeitos no desempenho dos seus respectivos papéis? Creio que devemos nos perguntar seriamente.
No campo da Educação Formal, nosso país, a meu ver, ainda não encontrou a sua identidade. Desde os tempos coloniais importamos métodos e técnicas de ensino, porque não fomos capazes de desenvolver as metodologias de ensino/aprendizagem que refletissem as nossas necessidades filosóficas, políticas, étnicas e econômicas; regionais e/ou nacionais. Ora trabalhamos com os modelos americanos, ora espanhóis ou franceses, portugueses ou mesmo argentinos, vide o auge do "Construtivismo" de Emília Ferreiro.
Quando teremos a graça de ver, ou de ler, estampados nos jornais ou nas telas da televisão chamadas do tipo: "Conheça o trabalho em leitura da escola "Fulana de Tal" da periferia de... Ou "Assista hoje, às 21 horas, a entrevista da professora "Margarida" sobre a melhor forma de incentivar o seu filho a fazer o "Para Casa"! Ou, "Prepare-se para as avaliações de Leitura! Torne-se um super-aluno nas quatro operações" etc, etc, etc. Estamos precisando dessa virada, não é mesmo? É preciso "banalizar" a Educação Formal, para que ela passe a significar mais para todos nós, brasileiros.
Todos os dias uma população imensa de crianças, pré-adolescentes, adolescentes e adultos (professores e funcionários das escolas) envolvem-se numa relação direta, frente a frente: uns tentando aprender e outros tentando ensinar e/ou aprender também.
Quais são as dificuldades desses sujeitos no desempenho dos seus respectivos papéis? Creio que devemos nos perguntar seriamente.
No campo da Educação Formal, nosso país, a meu ver, ainda não encontrou a sua identidade. Desde os tempos coloniais importamos métodos e técnicas de ensino, porque não fomos capazes de desenvolver as metodologias de ensino/aprendizagem que refletissem as nossas necessidades filosóficas, políticas, étnicas e econômicas; regionais e/ou nacionais. Ora trabalhamos com os modelos americanos, ora espanhóis ou franceses, portugueses ou mesmo argentinos, vide o auge do "Construtivismo" de Emília Ferreiro.
Quando teremos a graça de ver, ou de ler, estampados nos jornais ou nas telas da televisão chamadas do tipo: "Conheça o trabalho em leitura da escola "Fulana de Tal" da periferia de... Ou "Assista hoje, às 21 horas, a entrevista da professora "Margarida" sobre a melhor forma de incentivar o seu filho a fazer o "Para Casa"! Ou, "Prepare-se para as avaliações de Leitura! Torne-se um super-aluno nas quatro operações" etc, etc, etc. Estamos precisando dessa virada, não é mesmo? É preciso "banalizar" a Educação Formal, para que ela passe a significar mais para todos nós, brasileiros.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
"Para Casa" - o que fazer?
Hoje minha turma estava impossível! É impressionante o quanto eles chegam dispersos, cansados, sonados, desmotivados às segundas feiras. Deve ser cultural mesmo esta história de ninguém gostar das segundas feiras. Meus alunos também não gostam. É o dia da semana em que eles rendem menos e se mostram mais indispostos. Por que será? Deveria concluir com eles um trabalho de História da semana passada. Não consegui. Também não foi possível fazer a leitura de lendas das regiões brasileiras e o reconto delas pelos alunos, aos colegas. Promessa de sexta-feira passada de continuarmos esses trabalhos. Não conseguimos levar adiante. Embora eles tivessem me cobrado a continuidade do mesmo e eu quisesse fazê-lo, alguns alunos, os mais agitados e dispersos, conseguiram atrapalhar a iniciativa e o desejo meu e dos outros.
O que fizemos, então, nas três horas e meia em que estivemos juntos?
Participamos da "Hora Cívica" no pátio interno da escola com as outras turmas - faz-se uma oração; (coordenada pela vice-diretora da escola) ouve-se e canta-se o "Hino Nacional Brasileiro" diante das três bandeiras oficiais assim distribuídas, da esquerda para a direita: Bandeira da Escola, Bandeira do Brasil e Bandeira de Minas Gerais. Após essa atividade fomos para a sala de aula, às 7h15min, para a nossa primeira aula: História - O Povoamento da América. Após o recreio terminamos uma atividade de Matemática (Sistema Decimal), fizemos uns dois exercícios sobre "Fatoração de Números Primos" e iniciei uma nova unidade de "Língua Portuguesa"- leitura silenciosa e em voz alta de uma crônica. Marquei como tarefa de casa a leitura em voz alta do texto, a listagem de palavras para pesquisa em dicionário e a listagem de adjetivos cujo estudo daremos continuidade, amanhã. Espero que façam, porque o meu problema com a execução por eles do "Para Casa" tem sido enorme. Eles não o fazem.
História, por exemplo, já citada acima. Desde a semana passada, após a leitura dos textos, discussão dos assuntos do capítulo, análise das ilustrações deste, marquei, como tarefa de casa, fazer as atividades escritas propostas ao final do capítulo. Não houve o menor interesse da turma por este trabalho. Dos vinte e nove alunos somente cinco o fizeram e de forma incompleta. Essa é uma constante na turma. Não fazer as atividades de "Para Casa". O interessante é que já tive várias conversas, tanto com os alunos quanto com os seus pais a respeito do "Para Casa". Todos dizem valorizar essa atividade de estudo, cobram quando deixo de marcar tarefas extra classe, mas não são responsáveis na sua execução. As desculpas vão desde o "esqueci", "tive que ajudar minha mãe", até o "não soube fazer" .
Eu é quem não sabe mais o que fazer. Cobrar energicamente? Parar de organizar essas tarefas? Conversar mais uma vez com alunos e pais a respeito? Insistir e continuar insentivando os que não se interessam, pra ver se eles pegam o gosto pela coisa? Aceito sugestões.
O que fizemos, então, nas três horas e meia em que estivemos juntos?
Participamos da "Hora Cívica" no pátio interno da escola com as outras turmas - faz-se uma oração; (coordenada pela vice-diretora da escola) ouve-se e canta-se o "Hino Nacional Brasileiro" diante das três bandeiras oficiais assim distribuídas, da esquerda para a direita: Bandeira da Escola, Bandeira do Brasil e Bandeira de Minas Gerais. Após essa atividade fomos para a sala de aula, às 7h15min, para a nossa primeira aula: História - O Povoamento da América. Após o recreio terminamos uma atividade de Matemática (Sistema Decimal), fizemos uns dois exercícios sobre "Fatoração de Números Primos" e iniciei uma nova unidade de "Língua Portuguesa"- leitura silenciosa e em voz alta de uma crônica. Marquei como tarefa de casa a leitura em voz alta do texto, a listagem de palavras para pesquisa em dicionário e a listagem de adjetivos cujo estudo daremos continuidade, amanhã. Espero que façam, porque o meu problema com a execução por eles do "Para Casa" tem sido enorme. Eles não o fazem.
História, por exemplo, já citada acima. Desde a semana passada, após a leitura dos textos, discussão dos assuntos do capítulo, análise das ilustrações deste, marquei, como tarefa de casa, fazer as atividades escritas propostas ao final do capítulo. Não houve o menor interesse da turma por este trabalho. Dos vinte e nove alunos somente cinco o fizeram e de forma incompleta. Essa é uma constante na turma. Não fazer as atividades de "Para Casa". O interessante é que já tive várias conversas, tanto com os alunos quanto com os seus pais a respeito do "Para Casa". Todos dizem valorizar essa atividade de estudo, cobram quando deixo de marcar tarefas extra classe, mas não são responsáveis na sua execução. As desculpas vão desde o "esqueci", "tive que ajudar minha mãe", até o "não soube fazer" .
Eu é quem não sabe mais o que fazer. Cobrar energicamente? Parar de organizar essas tarefas? Conversar mais uma vez com alunos e pais a respeito? Insistir e continuar insentivando os que não se interessam, pra ver se eles pegam o gosto pela coisa? Aceito sugestões.
sábado, 4 de outubro de 2008
Quando o elogio faz a diferença
A turma com a qual trabalho atualmente é formada por meninos e meninas de 11/12/13 anos de idade. Pré adolescentes, portanto, e, por isso mesmo, com todas as características desse período de vida. São agitados, inquietos, implicantes uns com os outros; capacidade de atenção, zero, mas são capazes de fazer mil coisas ao mesmo tempo: controlam quem está indo ao banheiro, percebem se um colega está olhando meio atravessado para o outro ou para si mesmos e isso já é motivo para abrir uma discussão, bem no meio de uma explicação, seja ela de que matéria for...
Tento levar tudo isso na boa, com paciência, mas professor também é gente e muitas vezes, dependendo da situação, perde a calma. Nesses momentos, chego à loucura! Da alteração do tom de voz a pedir aos mais agitados que se retirarem da sala, acontece de tudo um pouco e a sala de aula se transforma no retrato do caos absoluto.
Numa das reuniões de pais, relatei a eles essas dificuldades e combinamos, então, que eu faria um relato diário, através de bilhetes, do comportamento de cada um, durante a aula. Estabeleci duas formas de comunicação padronizada: uma de elogio e que levava a referência da cor verde; verde de " tudo bem", de "siga em frente", de "esperança" - "mudou o comportamento"! A outra, uma comunicação de crítica: comportamento não adequado, falta de atenção durante a aula, falta de registro das atividades ou de participação nos trabalhos individuais ou celetivos; a referência de cor é o amarelo; amarelo de "atenção"; de "pare e pense"; de "mude de comportamento enquanto é tempo"!
Os pais gostaram da idéia, os alunos também a aprovaram e é dessa forma que estou trabalhando atualmente o auto-controle deles - um trabalho imenso em se tratando de pré-adolescentes.
Porém, ao colocar em prática tal idéia, durante todo o dia escolar vou "negociando" com eles o comportamento mais adequado para cada situação de aula. Como sou professora, na mesma turma, de cinco disciplinas - Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências - permaneço com os alunos, no mínimo, três horas e meia, por dia. Então, saio de uma aula de Matemática para uma aula de Língua Portuguesa, por exemplo. Na verdade, só trocamos de material didático, mas o cenário é o mesmo e as personagens, também. Por isso há a necessidade de estabelecer com os alunos qual é o melhor comportamento para a aula tal, ou qual. Por mais criativos que sejamos, nossos recursos são limitados porque ou usamos os textos dos livros didáticos, ou usamos o quadro de giz, ou vamos para a sala de vídeo, ou para a sala de informática, no fundo, no fundo, isso não importa muito... Na essência as ações tanto dos alunos quanto as dos professores são as mesmas: ver, ouvir/escrever e/ou falar, num espaço fechado e limitado. E, todos sabemos, o aluno dessa faixa etária quer sempre movimento, gritaria, brincadeira.
Estou dizendo tudo isso, para explicar o por quê "negociar" o tempo todo com o aluno qual é o comportamento mais adequado para cada situação de aula e ao mesmo tempo, dizer que entendo os motivos deles de se mostrarem tão inquietos.
Enfim, os tais bilhetes de "elogios" e os outros de "crítica" têm sido meus recursos atuais para conseguir de meus alunos um comportamento mais adequado em sala de aula. Resolvi, porém, ser mais generosa com os " bilhetes de elogios". O aluno precisa extrapolar muito todos os limites, os possíveis e os imagináveis para levar o bilhete de "crítica". Acontece que eu sei disso, mas eles não. Incentivo-os, o tempo todo, a conquistar, o bilhete de elogio, ao final do horário das aulas...
E sabe que tem dado muito certo? A cada dia que passa sinto-os mais tranqüilos, mais atentos, mais estudiosos, mais responsáveis. E como é bom ver os olhos brilhantes de cada um. Ver o sorriso largo no rosto deles, quando percebem que levarão aos pais mais um "BILHETE VERDE"!!!
Tento levar tudo isso na boa, com paciência, mas professor também é gente e muitas vezes, dependendo da situação, perde a calma. Nesses momentos, chego à loucura! Da alteração do tom de voz a pedir aos mais agitados que se retirarem da sala, acontece de tudo um pouco e a sala de aula se transforma no retrato do caos absoluto.
Numa das reuniões de pais, relatei a eles essas dificuldades e combinamos, então, que eu faria um relato diário, através de bilhetes, do comportamento de cada um, durante a aula. Estabeleci duas formas de comunicação padronizada: uma de elogio e que levava a referência da cor verde; verde de " tudo bem", de "siga em frente", de "esperança" - "mudou o comportamento"! A outra, uma comunicação de crítica: comportamento não adequado, falta de atenção durante a aula, falta de registro das atividades ou de participação nos trabalhos individuais ou celetivos; a referência de cor é o amarelo; amarelo de "atenção"; de "pare e pense"; de "mude de comportamento enquanto é tempo"!
Os pais gostaram da idéia, os alunos também a aprovaram e é dessa forma que estou trabalhando atualmente o auto-controle deles - um trabalho imenso em se tratando de pré-adolescentes.
Porém, ao colocar em prática tal idéia, durante todo o dia escolar vou "negociando" com eles o comportamento mais adequado para cada situação de aula. Como sou professora, na mesma turma, de cinco disciplinas - Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História e Ciências - permaneço com os alunos, no mínimo, três horas e meia, por dia. Então, saio de uma aula de Matemática para uma aula de Língua Portuguesa, por exemplo. Na verdade, só trocamos de material didático, mas o cenário é o mesmo e as personagens, também. Por isso há a necessidade de estabelecer com os alunos qual é o melhor comportamento para a aula tal, ou qual. Por mais criativos que sejamos, nossos recursos são limitados porque ou usamos os textos dos livros didáticos, ou usamos o quadro de giz, ou vamos para a sala de vídeo, ou para a sala de informática, no fundo, no fundo, isso não importa muito... Na essência as ações tanto dos alunos quanto as dos professores são as mesmas: ver, ouvir/escrever e/ou falar, num espaço fechado e limitado. E, todos sabemos, o aluno dessa faixa etária quer sempre movimento, gritaria, brincadeira.
Estou dizendo tudo isso, para explicar o por quê "negociar" o tempo todo com o aluno qual é o comportamento mais adequado para cada situação de aula e ao mesmo tempo, dizer que entendo os motivos deles de se mostrarem tão inquietos.
Enfim, os tais bilhetes de "elogios" e os outros de "crítica" têm sido meus recursos atuais para conseguir de meus alunos um comportamento mais adequado em sala de aula. Resolvi, porém, ser mais generosa com os " bilhetes de elogios". O aluno precisa extrapolar muito todos os limites, os possíveis e os imagináveis para levar o bilhete de "crítica". Acontece que eu sei disso, mas eles não. Incentivo-os, o tempo todo, a conquistar, o bilhete de elogio, ao final do horário das aulas...
E sabe que tem dado muito certo? A cada dia que passa sinto-os mais tranqüilos, mais atentos, mais estudiosos, mais responsáveis. E como é bom ver os olhos brilhantes de cada um. Ver o sorriso largo no rosto deles, quando percebem que levarão aos pais mais um "BILHETE VERDE"!!!
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